Bolas e Letras
Era para ser sobre futebol e livros. Mas há tanto mundo mais, a mente humana dispersa-se perdidamente, o país tem tanto sobre que perorar, eu perco-me de amores bem para lá da bola e das letras: Evas, vinho, amor, amigos, cinema, viagens, eu sei lá!
Sporting 0 - Marítimo 1
A tragédia leonina continua e milhares de cabeças bamboleiam perdidas em busca de soluções que não têm. Estas não abundam por uma simples razão: porque a paixão pelo clube e o hábito de ser grande escondem as verdadeiras causas da desgraça. Não tendo arte nem sabedoria para ir à raiz do mal, não é preciso muito mais do que a simples análise dos 90 minutos de hoje para farejar os podres da equipa e do clube. Quando no início do jogo Adrien decide fazer um passe no meio campo leonino de costas para o adversáro, oferecendo o perigo ao Marítimo, percebemos que o meio campo está preso por arames. Quando Rinaudo, depois de mais uma louca correria perdeu a enésima bola depois do enésimo corte, percebemos que ao argentino sobra em garra o que lhe falta em discernimento.
Depois, porque o azar não deixa de marcar a ferro quente o ADN leonino, Salin fez uma defesa que só não foi impossível porque efetivamente a fez, ao que se segue o golo de um desconhecido coreano com mais potencial ofensivo que toda a nossa frente de ataque (o que isto diz acerca dos nossos olheiros e da nossa política de contratações é escandalosamente evidente). O golo madeirense é acompanhado por um sorriso enigmático do Professor Jesualdo, que me deu ares do desabafo “estes gajos são indubitavelmente fraquinhos”. No banco, Marcelo Boeck era acompanhado de meia dúzia de rapazes com menos de 22 anos. O que isto diz sobre a vergonhosa incompetência dos nossos dirigentes e sobre a desastrosa política de dispensas e de construção do plantel é mais clarinho do que a água. O amadorismo dos nossos dirigentes acompanhado de uma inexplicável soberba intelectual pode deixar-nos marcas para a vida. É oficial, com tanta fragilidade temos de começar a lutar para não descer. A humildade nunca matou ninguém.
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2 comentários
De Pedro Nogueira a 11.02.2013 às 13:55
Porque teimam em pô-lo a jogar do lado direito quando o rapazinho só tem pé esquerdo?
Não estaria melhor do outro lado para pelo menos tentar ir à linha fazer um centro?
Digo eu que não percebo nada disto, é claro.
Entretanto lá vai mais um (Pedro Mendes) que se recusa a continuar no Sporting.
Os putos querem é ganhar (títulos e dinheiro) e o Sporting está a léguas de o voltar a conseguir.
Abraço e Saudações Leoninas!
De Teresa a 11.02.2013 às 17:28
Vai ser muito difícil restaurar o que quer que seja num povo que já está afogado em problemas e não quer, nem pode, arranjar mais. Facilmente deixa o Sporting "cair" e evita esse desgosto.
A culpa já nem é deste ou daquele jogador. Deste ou daquele treinador. Já tudo foi tentado e nada resultou. Não é por escolheres o menos coxo ou menos cabeçudo que consegues que "isto lá vá".
Junto-me a Jesualdo no abanar de cabeça. O homem não tem - como não tiveram anteriores - com que inovar e brilhar. Milagres? (Já) Não há. Os candidatos que poupem os tostões de gorilas e outros fait-divers pré-campanha que vão ser muito precisos se tiverem (o azar) de, só por amor ou quer que seja, serem eleitos. Que avancem mas saibam que é preciso dinheiro - MUITO - para por ordem a uma casa em ruínas. E que vai ser muito trabalho de sol a sol sem agradecimentos nem glórias.

