Bolas e Letras
Era para ser sobre futebol e livros. Mas há tanto mundo mais, a mente humana dispersa-se perdidamente, o país tem tanto sobre que perorar, eu perco-me de amores bem para lá da bola e das letras: Evas, vinho, amor, amigos, cinema, viagens, eu sei lá!
O Francisco, o Luis, a Mizete e a eterna juventude que a velhice pode trazer
A Mizete e muitas outras donas de casa bem asseadinhas mal resistiram ao choque das declarações do ex-Secretário de Estado da Cultura, o afável e inefável Francisco José Viegas. Eu cá só acho que o ilustre Francisco se arrisca a ficar bem mais conhecido como o cidadão que desceu ao nível desta governação para dizer o que lhe vai na alma, do que como escritor, governante, ou diretor de revistas literárias (parece que o Professor Marcelo também partilha desta minha opinião, bom para ele). O Francisco lá sabe. Ah, mas o que interessa mesmo, é que a conversa de ir ao cu do Francisco permitiu que o Luis M. Jorge parisse, assim, sem mais cerimónias ou delongas, o até agora post do ano. Deliciem-se (se tiverem mais de 18 anos).
"Logo eu, Mizete, que gostava tanto do senhor. Era muito lido, muito simpático, e tinha maneiras como um lorde inglês. Estávamos a ver o telejornal, eu o António os miúdos, e começam cu para aqui cu para acolá. O mais velhinho perguntou se era tomar ou levar. A outra está sempre distraída, mas quando dá para a maldade quer logo saber tudo. O António coradíssimo ensaiou-se com a abelhinha e a florzinha, mas a minha sogra que está com Alzheimer contou a história da tipa das Doce, não a do nosso Primeiro mas a outra que levou pontos por causa do Reinaldo — e depois era o cu, era o tarolo dos pretos, e o António aos berros com a mãe para se calar por causa das crianças e a velha a falar dos tarolos que tinha visto em África quando era solteira porque eles tomavam banho no rio todos nus e a velha pôs-se a abrir as mãos assim e a dizer que eram deste tamanho, pareciam burros, e que nenhuma mulher aguentava aquilo principalmente por trás, Mizete. Então a Raquelinha, que é muito reguila mas sensível, começa a ficar assustada e a chorar e a minha sogra a dizer que o falecido tinha um tarolo piqueno, embora maior que o do António, e eu a julgar que o meu marido se atirava à velha, e a raquelinha a chorar a chorar e eu perguntei-lhe “o que é que tens filha?”, e ela diz-me aos soluços “ó mãe, eu não quero tomar no cu!”. Ó filha havias de tomar no cu, disse-lhe eu, claro que não meu amor. Nem quando for grande pois não pergunta ela, não filha nunca. O pai nunca fez isso contigo pois não mãe, não filha cá em casa ninguém tomou no cu. Fala por ti, disse a velha. E o António levanta-se, muito lívido, muito calado, pega no telefone e nessa mesma noite deus seja louvado foi pôr a carqueja ao lar. De modo que é assim, Mizete, eu já não gosto do senhor mas por outro lado filha não posso dizer que me tenha feito mal. Antes pelo contrário."
Autoria e outros dados (tags, etc)
6 comentários
De Teresa Faria a 19.02.2013 às 22:34
Obrigada pela partilha!

