Bolas e Letras
Era para ser sobre futebol e livros. Mas há tanto mundo mais, a mente humana dispersa-se perdidamente, o país tem tanto sobre que perorar, eu perco-me de amores bem para lá da bola e das letras: Evas, vinho, amor, amigos, cinema, viagens, eu sei lá!
A possibilidade de uma ilha - a ilha da felicidade
“Durante a primeira parte da vida, só nos apercebemos da felicidade depois de a perdermos. Segue-se uma idade, uma fase transitória, na qual já sabemos quando começamos a viver uma felicidade, que acabaremos por a perder”.
Esta é daquelas reflexões que dispensam aprofundamentos ou embelezamentos. É clara como a água. A felicidade paira constantemente à nossa volta, mas envolta na neblina da ironia de que só a vida é capaz teima em desencontrar-se do nosso tempo e espaço. Se na tenra idade a velocidade que imprimimos à vida acelera esse desencontro, a experiência torna-nos descrentes, azedos, avessos ao reencontro com o que nunca se alcançou. A possibilidade da felicidade perde-se na ilha em que nos tornámos.
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3 comentários
De Teresa a 25.02.2013 às 12:31
Muitas sonham com Felicidade...
Essa ideia de que se só se é Feliz em "pequenino" é feita à luz da experiência de cada um. Mas há tantas experiências. E algumas (tantas!) tão pouco Felizes. Tantas que - talvez uma bênção - nunca conheceremos a extensão da infelicidade.
Ontem, num evento comunitário - com muita gente, de várias origens e background social - constatei que os Pais se "portam" pior do que os filhos. A sério! Comentei com alguém "engraçado, através do sucesso dos filhos (que têm um papel mais ou menos relevante na comunidade, são queridos, valorizados e acarinhados) eles - pais - estão a viver uma segunda adolescência (usando o que se passa com os filhos para combustível, como se deles fosse)" e a pessoa com quem falava disse "a segunda? não, para muitos é mesmo a primeira"... talvez por isso grande parte dos comportamentos sejam completamente desajustados da idade física; porque à emocional corresponde. E nesses - aqueles que encontram felicidade, ou simplesmente, realização, mesmo "fora" do prazo correspondente, noto a mesma insatisfação. Numa analogia à fase que vivemos dá para perguntar "O Que É A Felicidade?"
Há vidas difíceis e tão desprovidas de tudo desde a mais tenra idade, Caríssimo, que eu não sei que se sendo alcançada na fase "consciente" será suficiente... será, sequer, valorizável. Acho que a descrença, azedume e aversão são, no fundo, protecção para evitar um sofrimento maior - o de nunca ter a certeza se se foi realmente Feliz. Se algum dia será.
(sorry, long post
"Nunca se é tão feliz nem tão infeliz como se imagina."
François La Rochefoucauld
De bolaseletras a 25.02.2013 às 21:53
Um abraço!

