Bolas e Letras
Era para ser sobre futebol e livros. Mas há tanto mundo mais, a mente humana dispersa-se perdidamente, o país tem tanto sobre que perorar, eu perco-me de amores bem para lá da bola e das letras: Evas, vinho, amor, amigos, cinema, viagens, eu sei lá!
Não basta disparar
“The Hunter”, 1960, por Nikolas Koslovskiy
Há quem diga que a fotografia é a arte mais fácil, mais democrática, ao alcance de demasiada gente, inclusive daqueles a quem a divina providência negou o talento. É exactamente por esses motivos que considero a fotografia, como arte popular, a mais selectiva das artes. Porque se hoje qualquer maduro pode capturar centenas de imagens em poucos segundos, já acertar com os disparos na inimitável beleza, no cerne da condição humana, naquele milésimo de segundo que revela a verdade de um momento único, esse tiro só está ao alcance dos eleitos.
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3 comentários
De Teresa a 26.02.2013 às 10:46
Faz um pouco lembrar aquela anedota que circulava no auge de "Bin Laden O Papão"; tu encontras-te a subir um rio quando do outro lado da margem vês Bin Laden a tomar banho no mesmo. Ficas paralisado e pensas, pensas... que lente hás-de usar para tirar a fotografia?!
Por isso algumas culturas vêm tirar fotos como algo maléfico; pensam (sabem?) que ao tirares a foto roubas algo aquele ser, naquele momento.
Tenho uma sequência de umas 4 fotos do meu filho, por volta dos 2 anitos, onde ele está debaixo de uma torneira à espera que uma gota, que ali se encontra, caia dentro da boca. Esteve minutos à espera. Biquinho aberto, olhos fixos na gota. Até que caíu, bebeu a desejada e seguiu à "sua" vida. Eu amo essas fotos porque aquele (ainda hoje) é o meu filho - alguém que espera o que for preciso. Por pouco.
Quando anos mais tarde tive a minha filha tentei reproduzir a cena com ela. (tipo Marylin moment - todas deveríamos ter direito a repetir o irrepetível, não achas?!) Não deu. Desde banho (porque se era para beber, abriu a torneira e foi da cabeça aos pés ahahah) e "mas dada não tem sede" NUNCA foi possível. Porque não era um momento dela. E muito menos meu
Hoje fico grata por não a ter convencido. Se a tivesse convencido estaria roubando algo à sua maneira de ser em prol da (minha) foto perfeita. Minha. Não dela
E tu e o fallorca fizeram-me lembrar isso mesmo:
nemsemprealapis.blogspot.pt/2013/02/cois
en.wikipedia.org/wiki/The_Short_Happy_Li

