Bolas e Letras
Era para ser sobre futebol e livros. Mas há tanto mundo mais, a mente humana dispersa-se perdidamente, o país tem tanto sobre que perorar, eu perco-me de amores bem para lá da bola e das letras: Evas, vinho, amor, amigos, cinema, viagens, eu sei lá!
Azerbeijão 0 - Portugal 2
A nossa selecção não fez um jogo de sonho, longe disso, mas fez o que se lhe pedia, que era ganhar. Fartos de grandes exibições e vitórias morais está o povo luso pelo que começo a preferir vitórias úteis e cinzentas do que jogos inesquecíveis, mas com regresso a casa de bolsos vazios. Outro ponto muito positivo foi a afirmação grupal de que é possível vencer sem Cristiano Ronaldo. Não contra Cristiano, mas em prol da força do grupo. À volta disto confirma-se que o dinossauro do norte começa a roçar a idade mental da senilidade, atiçando a coragem de um seleccionador nada servil.
Confesso que gosto de gente assim, que não se verga perante os poderosos fácticos do costume, aqueles perante quase sempre os poderes legais fecham os olhos às aleivosias. Gosto, mas acho que seria aconselhável Paulo Bento ter dominado os seus instintos e optado por uma bofetada de luva branca, deixando Pinto da Costa a falar sozinho. Porque não tendo perdido o norte, Paulo Bento arrisca-se a perder o povo do norte. E este tão pequenino país não merece mais facções e facciosismos, porque não é o momento histórico para isso. Tenha juizinho monsenhor Pintinho, tenha mais sangue frio mister Bento. A bem da nação.


