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A Odisseia

Sábado, 30.03.13

 

 

Haverá a ínfima possibilidade deste casal de velhotes (não gosto da palavra idosos, é demasiado…demasiado…não sei, soa-me a classificação estatístico-deprimente), dizia, haverá uma possibilidade muitíssimo remota deste casal de velhotes se ter conhecido no baile de terceira idade do último fim-de-semana da japonesa cidade de Kyoto, ali para os lados do Palácio Imperial da mesma cidade. Quero acreditar, como 99% da população mundial assim o desejaria, que décadas de alegrias, promessas de amor eterno, de filhos adoráveis, de netos inimitavelmente fofinhos, antecederam este passeio deste enternecedor casal de velhotes, por entre as mais belas cores das mais belas folhas do oriente longínquo.

 

Quero acreditar que o amor pode ser uma comunhão assim, sem fim e sem destino, um eterno passeio por entre um jardim atapetado de folhas. Folhas de cores que fogem aos nomes que conhecemos das cores, cores para além do arco-íris, cores que nos entregam na bandeja da vida um banquete celestial. Sei que o amor não é isso, que tem também dor e alamedas cinzentas e sem folhas, que a velhice muitas vezes desconhece o amor, que são mais os passeios solitários do que as travessias de mãos dadas. Almejar a perfeição sabendo-a inatingível mas nunca dela desistir - a eterna odisseia dos loucos.

 

p.s. – Fotografia doce e amavelmente cedida pela minha amiga Moquinha, amizade dos tempos longínquos mas inesquecíveis da eterna juventude macaense. Ao meu burocrato-respeitoso pedido de “empréstimo” da fotografia, respondeu-me esta maravilhosa mulher/artista de mil talentos: “Claro que sim meu querido!!! A vida é uma partilha!”.

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publicado por bolaseletras às 16:01


2 comentários

De Teresa a 01.04.2013 às 14:36

Eu quero (gosto?) de acreditar que a velhice que não conhece o Amor não investiu ao longo da sua vida no Amor. Ou pelo menos no Amor certo. Se investiste então, e por muitas lacunas que enfrentes - falta de saúde, de dinheiro, de gente - então não há porque não andar de mãos dados acompanhados, ou a caminho, desse Amor que aquece o corpo sempre com frio.

Nunca tive medo à velhice. Talvez por ter sido criada numa comunidade (rural) onde os velhos são "moços da minha criação" e as velhotas (ainda e para sempre) "meninas", e a sua voz ouvida, os seus hábitos e tradições imitados e perpetuados, os seus queixumes esperados. Aqui na cidade começa a dar medo.De tudo o que dizes e vês. Sou nova, mas como dizia a minha filha no outro dia "A mãe ainda lhe faltam uns 5 anos para ser velha" , mas... bom, não quero pensar, angustiar por antecipação, nem por mim nem por eles, os da foto e tantos outros... enfim,

"caminante, no hay camino,
se hace camino al andar."

Abraço e Feliz Páscoa!

De bolaseletras a 01.04.2013 às 21:45

É bem verdade o que dizes, os velhos do campo são bem mais rijos. Pela cidade tudo pesa mais, perde-se a infância da velhice, parece que tudo é dramático. Na cidade é mais fácil ficar-se sozinho, a solidariedade é esmagada pelo alcatrão e o conzento dos prédios.

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