Bolas e Letras
Era para ser sobre futebol e livros. Mas há tanto mundo mais, a mente humana dispersa-se perdidamente, o país tem tanto sobre que perorar, eu perco-me de amores bem para lá da bola e das letras: Evas, vinho, amor, amigos, cinema, viagens, eu sei lá!
A Odisseia
Haverá a ínfima possibilidade deste casal de velhotes (não gosto da palavra idosos, é demasiado…demasiado…não sei, soa-me a classificação estatístico-deprimente), dizia, haverá uma possibilidade muitíssimo remota deste casal de velhotes se ter conhecido no baile de terceira idade do último fim-de-semana da japonesa cidade de Kyoto, ali para os lados do Palácio Imperial da mesma cidade. Quero acreditar, como 99% da população mundial assim o desejaria, que décadas de alegrias, promessas de amor eterno, de filhos adoráveis, de netos inimitavelmente fofinhos, antecederam este passeio deste enternecedor casal de velhotes, por entre as mais belas cores das mais belas folhas do oriente longínquo.
Quero acreditar que o amor pode ser uma comunhão assim, sem fim e sem destino, um eterno passeio por entre um jardim atapetado de folhas. Folhas de cores que fogem aos nomes que conhecemos das cores, cores para além do arco-íris, cores que nos entregam na bandeja da vida um banquete celestial. Sei que o amor não é isso, que tem também dor e alamedas cinzentas e sem folhas, que a velhice muitas vezes desconhece o amor, que são mais os passeios solitários do que as travessias de mãos dadas. Almejar a perfeição sabendo-a inatingível mas nunca dela desistir - a eterna odisseia dos loucos.
p.s. – Fotografia doce e amavelmente cedida pela minha amiga Moquinha, amizade dos tempos longínquos mas inesquecíveis da eterna juventude macaense. Ao meu burocrato-respeitoso pedido de “empréstimo” da fotografia, respondeu-me esta maravilhosa mulher/artista de mil talentos: “Claro que sim meu querido!!! A vida é uma partilha!”.

