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A possibilidade de uma ilha - o nevoeiro que antecede uma nova espécie

Segunda-feira, 15.04.13

 

 

"Era pouco provável que a espécie chamada a suceder-nos fosse, ao mesmo tempo, uma espécie social; desde a minha infância, a ideia que rematava todas as discussões, que punha termo a todas as divergências, a ideia em torno da qual eu vira quase sempre gerar-se um consenso absoluto, tranquilo, sem histórias, podia resumir-se praticamente assim: «No fundo, nascemos sozinhos, vivemos sozinhos e morremos sozinhos»."

 

Houellebecq fere-nos quando nos confronta com a nossa natureza, com o caminho que a humanidade vai seguindo. Nesta fábula de um mundo futuro, coloca-nos em frente ao espelho e lava-nos as feridas com sal. Será exagerada a frase que fecha o trecho acima? Talvez…ou talvez não. Há mais de 10 anos, no meio de um grupo de estudo de uma pós-graduação, uma recente mãe teclava alucinadamente no computador enquanto ao seu lado, na alcofa, o bebé de poucos meses chorava em desespero. Uma colega, tão incomodada como todos nós, mas com muito menos resistência à dor alheia, perguntou à “mãe” (sim, entre aspas): “Queres que lhe pegue ao colo”?. A mãe fixou-a incomodada e respondeu, com desleixo, desprezo e uma forte pitada de assustadora convicção: “Não, querida, deixa estar, ela tem que aprender que neste mundo estamos sempre sozinhos”. Foi algo deste género, não terão sido estas as palavras exactas, mas o sentido foi este. É tão triste sempre que a nossa inocência se esfuma mais um pouco no nevoeiro da desumanidade.

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publicado por bolaseletras às 21:57


2 comentários

De Teresa a 16.04.2013 às 12:10

Sim, é uma parenting education como qualquer outra... com alguns resultados provados (não exactamente pelas razões que a besta indicou) e outros devastadores. Mas que também ocorrem em todos os outros métodos. E porquê, perguntas tu? Não era normal que se funcione com um o outro não deveria? Pura e simplesmente? Não!



Porque no fundo somos mesmo uma ilha - um ser só - fechado nas/com suas limitações, nas/com suas necessidades e carências, e por muito, e perfeito, que faças só podes presumir disso - teres feito/dado O TEU melhor! Não o do outro. Não o do ser que crias. Ou educas.


Se por acaso a genética for justa então será uma equação simples em que colherás o que plantaste. Serão ilhas mas em ilheus idênticos. Com as mesmas características ambientais e estruturais. As mesmas necessidades. Basta uma variável mudar e é o mistério insondável e eterno (porquê? que fiz eu? em que falheii?)... de uma ilha que podes conhecer como a palma da tua mão. Mas (SÓ)por fora. Por dentro é ter esperança de que alguém conheça. De preferência o próprio.



Este post já vai longo. Não te quero aborrecer porque muito haveria a discorrer sobre o nascer, viver e morrer sozinho. Sim ao primeiro e último. Não ao do meio. Feliz ou infelizmente, já nem sei , mas Houellebecq entende como ninguém essa criança de que falas; ele vingou-se renegando o nome dos Pais. Graças à Fama que procurou e obteve ele nunca os verá presumir de. Ainda assim vive sedento de ser desejado, amado, idolatrado. O líder da raça "neohumanos", que ambiciona, pensa que lhe dará essa satisfação. Mas não - tal como essa criança que descreves - vai haver sempre um "buraco" que todo o sucesso do Mundo (pessoal, profissional, amoroso...) não poderá preencher.

De bolaseletras a 16.04.2013 às 22:38

Creio que todos nós, em menor ou maior dimensão conheceremos esse "buraco". Alguns felizardos saberão preenchê-lo com a procura do outro, outros deixarão que o tamanho do mesmo continuamente aumente enquanto se fecham na sua concha.

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