Bolas e Letras
Era para ser sobre futebol e livros. Mas há tanto mundo mais, a mente humana dispersa-se perdidamente, o país tem tanto sobre que perorar, eu perco-me de amores bem para lá da bola e das letras: Evas, vinho, amor, amigos, cinema, viagens, eu sei lá!
Resumo de um campeonato: os ferros que matam, a arrogância precoce e a ingénua esperança
O primeiro golo do Porto foi perfeito para lançar a frase resumo deste campeonato: quem com ferros mata, com ferros morre (lembram-se do xor capela, vermelhuscos?). Foi ainda muitíssimo interessante perceber o balão de esperança de 6 milhões de crentes no Paços de Ferreira. De facto, a ingenuidade não para de me surpreender - parece que não aprenderam nada com o Paços de Massamá. Resumindo e baralhando, a arrogância dos vencedores pré-anunciados terminou como merecia – derrotada e humilhada.
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24 comentários
De Teresa Faria a 22.05.2013 às 00:17
Divido-me entre a espectacularidade do poder deste fenómeno, e a imbecilidade de sermos tão tocados/alterados/exaltados por... um desporto.
Incompreensível, incontornável e fascinante.
De bolaseletras a 22.05.2013 às 21:25
De Teresa Faria a 22.05.2013 às 22:20
Mas a minha observação pretendia ir muito além das “discussões fáceis e relaxantes, de final de dia”. E não me atreveria a apelidar o assunto de “leve”. ;-)
Não me refiro obviamente às saudáveis trocas de galhardetes em fóruns apropriados, como é o caso.
Falo de serenas mães de família completamente transfiguradas, falo de pessoas espiritualmente elevadas que vestem as cores do demo para falar sobre os odiados rivais (sim, odiados, o ódio que o futebol causa é assustador), falo de políticos que se esquecem de quem são e se permitem cometer gafes hediondas (bem, isso não é assim tão raro, ok).
Depois, falo da união, de estranhos abraçados entre risos e lágrimas, da emoção e comoção partilhadas por milhares de desconhecidos, que nada mais têm a uni-los senão a cor clubística.
E falo do lado humano do desporto-rei, do futebol “limpinho, limpinho” (sorry, não resisti), dissociado de politiquices e interesses “superiores”. Do futebol que atravessa idades, sexo, estatuto social, raça, credo,… Do único desporto que respira semelhante intensidade e globalidade.
A bola, o futebol, tem a capacidade de nos provocar, em (quase) todos nós, a mais eufórica alegria e a mais deprimente tristeza, cega-nos, derrete-nos a imparcialidade, leva-nos aos píncaros ou a um AVC, a profunda raiva ou elevação.
E isto, meu caro, é para mim simultaneamente aterrador e deslumbrante. Gostando ou não de futebol, há que reconhecer pelo menos o fenómeno subjacente. Como disse: Incompreensível, incontornável e fascinante.
Vá, não me alongo mais, não estraguemos a leveza da bola com dissertações psico-socio-filosóficas. ;-)

