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O Manuel e o grito de Munch

Segunda-feira, 28.10.13

 

 

Por terras facebookianas sigo um homem que não conheço, Manuel Forjaz de seu nome (http://forjaz.com/).  O Manuel insiste diariamente em escrever pérolas sobre os mais variados temas. O Manuel está doente e insiste também em combater a doença (sim, aquela maldita doença, o cancro) com um entusiasmo, uma raiva e um realismo que abanam o espírito mais macambúzio. Diz-me um amigo que também o segue que isto da morte andar a rondar deve ajudar a escrever sem meias medidas, a ir ao cerne das questões. Eu cá não sei nada disso, mas desconfio que mesmo são como um pero este homem escrevia e pensava fora da caixa. Deixo aqui uma das mais recentes pérolas do Manuel:

 

"Gelada no semáforo de peões da Rua Politécnica, o espectro de uma mulher, camiseiro rosa e calças pretas; não esperava a mudança de sinal, esperava tudo, a vida que não chegava, uma luz; olhos, nariz, testa, cabelos tudo caído, um desarranjo quase requiem; nunca vi, a não ser talvez no sentido do medo e desespero, no grito de Munch, uma tão plástica representação da tristeza; num segundo suspira quase até rebentar e deixa os ombros cair quase até ao chão....não podia ter ido mais fundo...devia ter parado a mota; devia ter-lhe ido dar um abraço! perdi uma oportunidade de fazer a diferença no dia de alguém que precisava...

Somos assim a maioria; guardamos para nós o que temos para dar de borla; pressionados, condicionados desde pequenos a estar longe, a estar só, a não ser ridículos.

Está quase tudo para re-escrever no modo como crescemos e nos tornamos estas pessoas que seguem em frente!"

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publicado por bolaseletras às 20:33


5 comentários

De Carlos Azevedo a 28.10.2013 às 22:25

Sinceramente, é-me difícil comentar este post sem falar mais do que uma certa reserva da minha personalidade impõe.
Ter vontade de dar um abraço mas acabar por seguir em frente não é mais do que uma forma de sobrevivência (falo dos casos em que, efectivamente, houve vontade de dar um abraço; quem a não teve, não entra nesta equação). Eu creio que aquilo que nos aproxima ou afasta dos outros, mais do que qualquer outra coisa, é a nossa sensibilidade.
A sensibilidade é uma coisa tendencialmente boa, na medida em que nos torna mais abertos aos outros e ao mundo em geral. Infelizmente, a sensibilidade, quando em demasia, torna-nos vulneráveis, psicologicamente indefesos perante o mundo como ele realmente é. É muito fácil destruir uma pessoa sensível se ela não tomar certas cautelas.
Uma das cautelas, não discuto se boa ou má, é não permitirmos que qualquer pessoa se aperceba disso. Isso leva-nos muitas vezes a retrairmo-nos, a não fazermos aquilo que a nossa empatia pelo nosso semelhante nos ordena, não por vergonha, mas por protecção. E é mau, é verdade, mas é também, muitas vezes, o único modo de seguimos em frente.

De Teresa a 29.10.2013 às 21:47

Concordo

O primeiro dos nossos instintos animais é o de auto-proteção (a seguir vem procriação e preservação da vida)... aliás comuns aos seres irracionais.

Não é mau, Carlos. É natural.

De bolaseletras a 29.10.2013 às 21:49

É bem verdade, Carlos. Essa necessidade de não expormos a nossa sensibilidade é um dos maiores entraves à abertura para o outro. Será que essas defesas, essa protecção da nossa esfera não nos prejudica mais do que salvaguarda? Tantas perguntas, tão poucas respostas...

De Teresa a 29.10.2013 às 21:35

Tal como no "Grito" será esta necessidade do autor em abraçar, confortar, nada mais do que uma projecção dele mesmo? Ainda que inconsciente...
Isto de se achar que sabemos o que o outro quer é algo arriscado. Imagina que tal personagem esperava que tudo desaparecesse, que ninguém mais oferecesse consolo ou (inúteis, a seu ver)que parassem com as palavras de coragem, fé e esperança.
Como o Carlos diz acima este é um terreno perigoso. Eu aprendi a - quase sempre - esperar pelo pedido de ajuda. Se tenho a sensação de ter perdido imensas oportunidades de ter ajudado?! Tenho. Mas pode ser só o meu Ego a "falar" e não o tal "feeling" . Foi das coisas mais difíceis para mim aprender a respeitar o espaço - e o não - dos outros. Ás vezes as pessoas - naquele momento - não querem salvação ou consolação.

Food for thought!

O teu amigo terá oportunidades para se redimir - um giver tem sempre - e de aprender (acho que é isso que lhe chamam quando damos e acabamos levando pela medida grande sendo mal interpretados, abusados, explorados...)

De bolaseletras a 29.10.2013 às 21:53

A fronteira entre perceber se alguém não quer de facto ajuda ou apenas teme pedi-la é muito ténue. A sabedoria para separar essas águas virá com o tempo...e as ajudas:-).

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