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Conversas de café por fibra óptica

Sábado, 04.01.14

 

Por entre os votos cibernéticos de um bom 2014, cinco bons rapazes, ligados por fortes laços de amizade nascida no misterioso e fascinante território de Macau, discorrem despreocupadamente sobre a realidade lusitana. Dois deles estão emigrados, um no Macau que nos uniu, outro em Moçambique, de regresso às origens de que o destino o tinha separado. Aproveitando os votos de um dos confrades resistentes e residente no nosso cantinho à beira mar plantado, desejando que em 2014 nos pudéssemos ver e juntar mais, lancei o repto (não inocentemente…) para que os nossos emigras regressassem aos braços da nação e ao calor da nossa amizade. O confrade africano agradeceu mas dispensou, alegando a seu favor a imagem que coroa este post, só possível no mês de Janeiro pelas Áfricas do seu coração (sim, lamento, aquelas garras que poluem a foto são mesmo do homem das Áfricas, mas fica a boa notícia de que as imagens não têm cheiro). Não desisto e faço-o ver que o calor amolece, que a chuva e o frio são matéria indispensável para fazer dos rapazes homens. O meu amigo não se deixa ficar e faz-me notar que as depressões nascem do frio e da chuva e que em terras quentes as estruturas metálicas não correm o risco de demorar a levantar-se, if you know what I mean… Aproveitando o balanço, o homem de África desafia o emigrante asiático, a passar as festas no nosso Portugalzinho, a pronunciar-se sobre como foi conhecer a “crise” de que tanto se fala, a concretizar esse conceito tão debatido mas pouco visto. Este, confirmando o que todos suspeitamos, responde que até agora só viu malta a gastar dinheiro e centros comerciais à pinha. Um dos confrades residentes retalia e diz sentir a crise, não estando afastada a hipótese de se juntar ao grupo de “evadidos”.

 

Faço uma ligeira pausa para refletir, e partilho com o grupo que podíamos dizer que os pobres estão mais pobres, mas na realidade não vemos as ruas mais cheias de pedintes ou sem abrigo. Descontando quem já estava mal (esses mesmo sem abrigo, mais quem não tinha emprego ou outros apoios) e os que viram a sua situação de facto piorar (os novos desempregados, as novas insolvências), arrisco dizer que muita gente andou a viver folgada, gastando sem critério e necessidade, pelo que agora só sai para as compras no Natal e nos saldos. Por vezes a realidade concreta é tão mais simples do que a pintamos...Para rematar, o meu bom amigo amante dos prazeres das Áfricas fecha com chave de ouro o debate: “Como dizia o outro: querem trabalhar como os marroquinos e ganhar como os alemães...”. 

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publicado por bolaseletras às 14:53


4 comentários

De bolaseletras a 06.01.2014 às 11:06

Carlos,
Na área em que trabalho vou acompanhando as variações de fenómenos relacionados com a entrada na marginalidade. O que tenho visto é que a crise não tem revelado subidas nessa área, mas admito que dependendo das zonas possa haver locais em que essa subida exista. Aqui por Lisboa, do que vou vendo, e procuro estar atento, também não me apercebo de um aumento dessas situações limite. É ainda assim natural que esse aumento vá suceder, por razões infelizmente lógicas. Mas o que quis sobretudo focar, foram os casos de quem vivia sempre no limite, não mal, mas sempre a esticar a corda até ao limite, sem pensar no dia de amanhã e sem resistir a um espírito consumista que parece ter asfixiado grande parte da classe média deste país. Enfim, nada será preto e branco, há muito cinzento por aqui...

Um abraço

De Carlos Azevedo a 06.01.2014 às 18:42

António, claro que há muito cinzento, e o que referes é, para mim, evidente. Simplesmente, o número de pessoas que recorre à ajuda alimentar aumentou de forma brutal e passou a contemplar situações que até aqui eram raras. A minha irmã participa, como voluntária, na distribuição de comida durante a noite. Se até há poucos anos se viam sobretudo toxicodependentes, idosos e sem abrigo a recorrer a esta ajuda alimentar, agora vêem-se agregados familiares inteiros, que muitas vezes ainda têm casa e, em alguns casos, até emprego (a maioria das vezes mal pago e/ou com alguns dos elementos do agregado sem emprego, o que dificulta ter dinheiro para comprar comida depois de pagas as outras despesas).
Um abraço.

De bolaseletras a 06.01.2014 às 22:23

Não duvido que as situações limite estejam a aumentar, Carlos. Quis sobretudo focar uma certa classe média que sempre me fez impressão, que só sabe pensar no dia de hoje em prol de um consumismo bacoco. Fazem falta noções básicas de poupança e gestão doméstica. Um abraço.

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