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Vá, agora já chega, deixem o Eusébio finalmente descansar

Segunda-feira, 06.01.14

 

Agradeço do fundo do coração a Eusébio tudo o que deu ao futebol nacional, toda a visibilidade que deu a Portugal numa época em que este cantinho era ainda mais pequeno do que hoje é, todo o orgulho que ontem sentimos quando vimos o mundo curvar-se perante um dos nossos, dos nossos melhores de sempre. Mas já chega, não me parece bem que se (des)gaste mais o nome e as histórias do Eusébio, ele próprio deve querer descansar e finalmente ter um pouco de paz, de verdadeira paz. Não quero ver mais altos representantes da nação burilarem palavras lustrosas em bocas contorcidas por uma dor que parece sempre demasiado aprimorada, não quero ver mais declarações oficiais de partidos políticos sobre questões que me parece não deviam entrar nesses foros, não quero mais 3 dias de luto nacional, não quero mais entrevistas estafadas, repetitivas, redundantes a mais cidadãos que empunham um cachecol, verde, vermelho ou azul, não quero ver os habituais paineleiros desportivos a espremerem-se todos para encontrar mais um episódio interessantíssimo da carreira do Eusébio, não quero sequer pensar no que sentem os familiares dos 8 bombeiros que nem um minuto de luto nacional mereceram, não quero assistir à decadência mental de Mário Soares quando se lembra de, no único dia em que não o podia lembrar, que Eusébio não era um oráculo de cultura ou de que Eusébio gostava de whisky de manhã e não recusava um cálice pela tarde. O que é demais é demais, deixem o Homem descansar.

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publicado por bolaseletras às 18:04


6 comentários

De Marco Neves a 06.01.2014 às 18:10

Exacto.

De bolaseletras a 06.01.2014 às 20:52

Força com o blog, vou adicionar à minha lista de blogs de livros. Um abraço.

De Teresa a 07.01.2014 às 17:32

Ontem fui arrancar um dente do siso e estive a ver a transmissão em directo da SIC Notícias no consultório.

Enquanto pensava que era normal as pessoas precisarem destes ídolos e símbolos para se sentirem alguém, ou parte de algo, vejo colocarem o caixão no meio do relvado e ali ficou à chuva bastante tempo - demasiado - até a hora do almoço ou as portas abrirem para entrarem os que o iam homenagear. Sozinho.

Pensei que poucas vezes terei visto uma imagem fúnebre tão triste... Até ao fim - e antes do show que se exigia - o Clube não soube proteger o Eusébio. (como por exemplo deixando-o (incentivando-o?!) dar entrevistas para manter viva a chama de-quem-não-é-por-nós-é-contra-nós-e-basicamente-não-vale-nada...)

A imagem é Impressionante. Arrepiante. Mais vê-la em directo e pensar que aquilo sim era o real. Há décadas que o homem é repescado para situações e carnavais que se queriam.

Porque quem abandona uma urna assim não pode estar a homenagear ninguém. O meu Pai não punham eles ali e assim não.


Já chega e deixem-se de patetices. Relembremos o homem de quando em vez mas deixemos de disparates de Panteões e mudança de nomes de estádios (por causa do Panteão Nacional um miúdo dizia ontem "se puserem o Eusébio no Panteão quando morrer o Ronaldo nem que eu tenha de tirar de lá o Camões..." .

Eusébio não me tocou como terá tocado a tantos. Nem acho que fosse esse exemplo de humildade que todos agora gritam aos 4 ventos (muito pelo contrário). Não lhe conheço obra sem ser em prol do próprio (posso estar a ser injusta) mas concordo com a homenagem de quem o conheceu e amou. Mas, como dizes, basta. Morrem bombeiros, morrem polícias, morrem pescadores - e esses sim tocam-me(nos) e não há esse disparate.

Lá está, a cura à vezes é pior do que o remédio. E a CS e as organizações que precisam (tanto) disto acabam fazendo-te reparar em coisas que nunca tinhas reparado e acabando por desgostar do falecido que (mais) nada fez a não ser morrer e ficar à mercê deles

De bolaseletras a 08.01.2014 às 18:03

Teresa,

Concordo com quase tudo o que disseste. Parece que não sabemos dosear as coisas, que anda meio mundo necessitado de se agarrar a algum D. Sebastião, de uma fé qualquer que ainda não atingi. De quem conheço que conhecia de perto o Eusébio parece-me que a coisa se pode resumir a isto: "Quis viver a vida dele o melhor que pôde (a fase da reforma pós-futebol) sem prejudicar ninguém". Também me parece que isto não faz dele um semi-Deus, apenas um grande futebolista. Tudo o resto é o folclore de que tanto Portugal gosta...

De semprescp a 07.01.2014 às 18:08

Na minha opinião e apesar de nunca o ter visto jogar (apenas vejo imagens dos golos, nada mais) o Eusébio foi um grande jogador de futebol. Ponto.
Daí a ser um "grande" português já vai uma grande distância...(não lhe devemos a independência, nem os descobrimentos, nem a saída da crise...).
Compararem-no a Nelson Mandela, bem, aí então já me deixa mesmo fora do sério.
Quanto á decadência do Mário Soares, penso que apenas peca pelo 'timing'...não era altura de ele dizer o que disse, porque o que ele disse muitos dos que ontem se fartaram de chorar no funeral do Eusébio já o disseram inúmeras vezes rindo-se e fazendo até anedotas do mesmo...agora que ele morreu já é o exemplo a seguir por todos? Não concordo com essa teoria do endeusar os falecidos.
Acho bem as homenagens que lhe fizeram e querem fazer enquanto jogador de futebol...mas darem-lhe o estatuto de "divindade" que lhe querem atribuir, por favor, não me façam rir.

Ass: Leoa Ferrenha

De bolaseletras a 08.01.2014 às 18:05

Amiga Leoa,

Muitas verdades dizes, sobretudo que o que o Eusébio conseguiu para si e para o país nunca poderia ser suficiente para esta loucura colectiva. Se calhar, a falta de gente lusitana que mereça grandes encómios fez-nos exagerar tudo isto. Saudações leoninas!

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