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Do silêncio, das palavras a mais, do triste estado da nação

Terça-feira, 01.04.14

 

Mais vale cair em graça do que ser engraçado, lá diz o povo na sua inimitável sabedoria. Desgraçadamente, aplico as duas mensagens supostamente antagónicas da imagem que encabeça este texto a alguns figurões com quem me vou cruzando na minha vida profissional e reconheço a grandiosidade de tais personagens. Se Charlot foi divinal na arte de tudo dizer sem nada dizer, se Einstein rebentou com a escala do brilhantismo num mundo pouco dado às coisas da ciência mesmo sem ser compreendido, nos corredores tecno-burocráticos deste país as palavras grandiloquentes mas ocas e os silêncios majestáticos pincelados de santa ignorância reinam e botam figura. Quantas vezes não ouvi gente de renome ou de posição assinalável falar sobre o que desconhece com uma verborreia inconsequente e patética, aproveitando o desconhecimento dos ouvintes ou a inferior posição hierárquica dos mesmos que os obriga ao respeitinho e ao menear de cabecinhas? Quantas vezes não me cruzei com gente que deveria decidir, mas se recosta no conforto da sua pose de estado sem nada resolver, chutando as decisões e consequências das mesmas para quem está no fundo da escadaria do poder? Que saudades de chorar a rir com o Charlot, que saudades das verdadeiras e puras palhaçadas.

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publicado por bolaseletras às 17:44

É Carnaval, ninguém leva a mal

Terça-feira, 04.03.14

 

Toda a estratégia que este governo tem seguido para “racionalizar” (na verdade, a isto chama-se racionar) a função pública é catastrófica. Tudo começou na incapacidade em definir o essencial: escolher/saber o que é que o Estado deve fazer, avaliar depois o que o Estado faz melhor ou pior para que o foco do serviço público incida nas atividades eficazmente desempenhadas. Depois, os cortes ao desbarato, atingindo da mesma forma os bons funcionários e aqueles que tão mau nome dão à função pública. Sempre afirmei que a função pública tem muito para corrigir, muito para reformar, muitas gorduras a eliminar. No entanto, sei bem, como o saberemos todos se formos honestos nessa análise, que no privado subsistem os mesmos ou piores vícios e irracionalidades que na área pública. Hoje, quando deixei os miúdos numa escola quase vazia, em que os restantes miúdos seriam filhos de funcionários públicos sem mais sítio onde os deixar, quando me deparei com estradas e bombas de gasolina desertas, senti pela primeira vez uma raiva surda e uma vontade de fazer como o senhor assessor de imprensa Zeca Mendonça: ter um momento de descontrolo, e depois, plácida e candidamente, pedir desculpas. Não, não era num pobre fotógrafo que iria dar um biqueiro, acreditem que não…

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publicado por bolaseletras às 18:14

Acreditar

Quinta-feira, 02.01.14

 

O post anterior poderá dar a ideia de que as esperanças que deposito em 2014 são pequenas ou nenhumas. Não é bem assim, até porque sou mais do tipo optimista, há até quem diga do tipo “pateta alegre”. Na realidade, gosto de manter sempre um sorriso aberto, mesmo que saudavelmente trocista, por vezes mesmo de condescendente desdém perante as atrocidades do dia a dia, sabendo de antemão que pior não podemos ficar. Sendo assim, havendo sempre enorme margem para que tudo melhore um bocadinho que seja o dia de hoje não será certamente pior que o de amanhã. Estranha forma de vida ou de ver as coisas, dirão alguns, mas confiem que pode ter os seus resultados positivos. Acredito mesmo que o engarrafamento idiota que apanhei esta manhã, provocado por dois zelosos senhores agentes da PSP, não irá repetir-se na manhã de chuva de amanhã, pode até dar-se que um raio de sol brilhe numa estrada vazia rumo ao casulo laboral. Acredito também que amanhã os nossos líderes perceberão que é com dirigentes competentes e sérios que a nação avançará, como acredito que essas referências da governação estatal concluirão que só com um povo motivado e inspirado pelos exemplos superiores poderá o país avançar. Acredito que as nossas mulheres, as mães dos nossos filhos, terão tempo para ser mulheres e pessoas por inteiro, para não se esgotarem nas tarefas de mães e de profissionais, que poderão ler as suas revistas relaxantes no trono que outrora foi só nosso. Acredito que o impossível é possível! 

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publicado por bolaseletras às 18:26

Reunir, a bem da nação?

Quarta-feira, 04.12.13

 

Reuniões incontáveis, intermináveis, quase eternas. Palavras eloquentes, discursos redondos, egos inflamados que tendem a inchar por cada palavra proferida. Os minutos e as horas esfumam-se sem nada mudar, sem o mundo avançar. As próprias palavras, tantas vezes abusadas e violentadas mantêm-se as mesmas, apenas mais gastas por aquele exercício onanista de eterna repetição. No tempo das comunicações telefónicas, digitais, virtuais, etc. e tal, angustia esta insistência tão lusitana de reunir por tudo e por nada, sem fim à vista, demasiadas vezes sem nada resolver, em busca daquela ideia genial que a preguiça não permite perseguir na reclusão do gabinete, no aborrecimento do pensamento calmo e solitário. Busca-se a solução na galhofa da reunião, porque gostamos de nos ver, de trocar galhardetes e bocas sobre o país, o Governo – “essa pandilha”, saber dos filhos, falar da bola, enfim, procuramos algum calor humano que tempere a frieza dos assuntos profissionais.

 

Minha boa gente, ninguém mais do que eu acha bem o convívio, bora aí beber um cafezinho ou almoçar, mas não agendemos reuniões para isso por amor da santa! Deixem-me trabalhar!

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publicado por bolaseletras às 18:23

A nação e o complexo Zundap

Quinta-feira, 28.11.13

 

A incapacidade de resistir a esta bela pin up numa vespa aliada à minha recente paixão por estas simpáticas motoretas, obriga-me a embelezar as paredes aqui da tasca com este quadro pintado a óleo. Por outro lado, a falta de tempo para escrever magnificamente e para tecer considerações ainda mais magníficas sobre o estado da nação em geral e no particular, conduzem-me inevitavelmente a esta indigência intelectual que, empobrecendo a fama de tasca da cultura que este acolhedor cantinho vai recolhendo por entre as casas de alterne deste país não deixa de, esteticamente, a tornar mais animada e menos desempoeirada. Para não terminar sem dizer algo de realmente enriquecedor, queria apenas deixar uma nota para memória futura, uma reflexão que me assolou ontem pelas 20h ao sair de mais uma reunião conjunta entre várias eminências deste nosso curioso país: é profunda convicção de demasiada gente com elevadas responsabilidades que alcançar entendimentos, conceder para atingir acordo sobre as mais comezinhas matérias (ui, nem se fale dos acordos que realmente interessam) é um sinal de fraqueza e não de inteligência. Bela motoreta, pobre nação.

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publicado por bolaseletras às 17:56

Os 10 mandamentos à beira rio

Segunda-feira, 25.11.13

  

Não sei se já coloquei esta foto aqui pela tasca. Muito provavelmente sim, mas a memória já não é o que era e, sinceramente, pouco me importa se repito fotografias arrebatadoras como esta, pois a beleza nunca se repete, simplesmente eterniza-se na nossa existência. A fotografia é de JR Eyerman, no longínquo ano do Senhor de 1958, e põe-me a pensar porque raio não se enchem os estacionamentos a céu aberto de Lisboa, do nosso país, de drive ins. Estacionamento à beira rio a namorar o Tejo, uma tela gigante, uns rapazes a venderem pipocas e refrigerantes depois de baterem suavemente na janela dos pombinhos, um negócio de custos baixos e lucros fáceis. Ando a perder-me nesta teimosa dedicação à causa pública, está mais que visto.

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publicado por bolaseletras às 18:17

Uma estrada demasiado sinuosa

Segunda-feira, 04.11.13

 

 

Não sei se é do cinzento do dia mas hoje, olhando para o que se faz à minha volta, para o que têm feito as pessoas que supostamente deveriam saber o que se devia fazer para tirar o país do lodaçal em que se encontra, não estou nada, mas nada optimista. Há demasiada gente, demasiados executantes e gestores, a trabalharem para “fazer a parte deles”. Não interessa se essa parte vai ou não contribuir para o bolo do que deve ser feito, não interessa se aquilo que acham que devem fazer não tem utilidade nenhuma, tem um custo-benefício miserável ou se não vai ajudar em nada a mudar/melhorar qualquer coisinha. É este o estado de espírito no arranque da semana, o que não é assim lá muito auspicioso. A pergunta de 10 milhões é: o que tem a ver a fotografia de cima com esta conversa cinzenta? Apenas o pensamento de que a estrada que percorremos nos deveria levar numa outra direcção, a uma meta bem mais agradável do que aquela que temos andado a construir. A vida devia ser muito mais sexy do que esta chatice pegada e sem sentido que tantas vezes é. Sou um tipo bem resolvido e feliz com o que tenho mas não estou nada optimista. Vejam lá isso, pá!

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publicado por bolaseletras às 18:09

O mundo está perigoso - Com a breca, Catroika!

Quarta-feira, 09.10.13

 

 

Para não perder o embalo de ontem, apetece-me perorar sobre uma interessante sumidade do nosso firmamento luso-político-financeiro. O Dr. Catroga (doravante designado por Dr. Catroika) declarou-se muito abespinhado porque o Estado, contrariando compromissos anteriormente assumidos quando vendeu boa parte da EDP à China Three Gorges, está agora a alterar as regras de jogo quando vem, cumprindo o determinado no memorando assinado com a “troika”, cortar as rendas excessivas na energia. O Dr. Catroika revolta-se quando se alteram as regras de jogo que determinam uma generosa renda a multimilionárias empresas chinesas, mas não me recordo da personagem em causa ter manifestado igual revolta quando o Estado alterou as regras de jogo assinadas com centenas de milhares de funcionários públicos e pensionistas. O Dr. Catroika negociou em nome do PSD com a “troika” estas mesmas medidas de cortes das rendas excessivas no sector energético. Passados uns tempos, agora ao serviço da EDP, o Dr. Catroika anda abespinhado com as medidas que negociou e que agora não lhe dão jeitinho nenhum. O Dr. Catroika, mais que perigoso, é outra coisa, que, por respeito às crianças e catequistas que me leem, me abstenho de classificar.

 

p.s. – Este texto inspira-se num punhado de factos muito bem descritos num artigo do Tiago Freire, do Diário Económico.

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publicado por bolaseletras às 18:11

Be cool, pessoal

Segunda-feira, 15.07.13

 

 

É Verão, o calor desperta e a sede por bebidas geladas e pela prática de deliciosas asneiras aperta. Pouca gente visita esta tasca porque a inclemente canícula obriga a outras paragens, inclusive a paragens cerebrais e nos elaborados raciocínios analíticos que a permanência neste tabernáculo por mais de 5 minutos obriga (sim, porque os meus posts são profundos, complexos e apenas se encontram ao alcance das mentes mais esclarecidas). Devíamos todos passar o dia deitados, como a simpática e agradável moça que ilustra este post, simplesmente aguardando que mão amiga ou amada chegasse perto de nós uma boa dose de álcool, sabiamente diluída numa perfeita proporção de gelo e de sol. Devíamos dar cor à pele e corda aos sapatos, ir para onde os mails não nos cheguem, para paraísos onde a rede de telemóvel se dissolva no poder do dolce fare niente. Mas não, os mails idiotas de gente ressabiada que não vai, ainda não foi, ou a ir de férias tem consciência que terá umas férias de merda, os mails dessa turba raivosa continuam a massacrar-me os dias, os dias de um humilde servidor público que pacientemente aguarda as suas merecidas férias, que espero resplandecentes e longe, bem longe de tanta gente que martela as teclas com a fúria de quem acredita piamente que do lado do destinatário está um inimigo a abater. Pessoal, vamos a ter calma, a vida é bela, quase sempre somos nós que damos cabo dela.

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publicado por bolaseletras às 17:28

Apesar do sol, nem tudo brilha

Segunda-feira, 13.05.13

 

 

Com um fantástico dia como o que hoje tivemos, em termos de intensidade do sol, do azul do céu e da escassa roupagem com que as mulheres, sim, sobretudo as bonitas, se passeiam pelas ruas, apetecia-me tudo menos vir falar de trabalho. Mas tenho que deixar aqui escrito para memória futura duas das principais e marcantes características negativas que tanto contribuem para não sairmos da cepa torta: Ei-las, para mal dos meus pecados:

 

- A lata, a latosa, a falta de vergonha de tanta irritante figura que se senta numa cadeira, rodeada de outras pessoas e perora sem parar sobre assuntos que não percebe, opina sobre matérias que domina tanto como o Peseiro domina a arte de de não morrer à beira da praia, gente que desconhece o enorme valor do silêncio, sobretudo quando nada de jeito tem para dizer.

 

- A persistente e insistente habilidade para cometer sempre os mesmos erros. Por mais que batam com a cabeça na parede, sempre na mesma parede, hão-de voltar lá, a marrar com os cornos na mesma esquina, no mesmo doloroso cimento. A vontade de aprender com os erros terá ficado danificada com tanta cabeçada???

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publicado por bolaseletras às 17:53





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