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O fim que explica o fim

Quinta-feira, 01.07.10

 

 

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publicado por bolaseletras às 22:49

Revista de imprensa - a trapalhada europeia e as saudades do bom e velho escudo

Sexta-feira, 19.02.10

 

 

Imbuído do espírito europeista que se respira por terras do Luxemburgo, nada como falar sobre o euro, essa unidade monetária que parece justificar uma união cada vez maior entre países e realidades tão díspares.  Não é a minha praia, a economia. Ainda assim, é daqueles temas a que volto frequentemente, apesar da dificuldade em deparar-me com economistas que se dignem a descer à realidade dos comuns dos mortais. Paul Krugman, um nada peneirento prémio Nobel, faz questão em falar para a leiga plebe, tornando acessível a encriptada linguagem que é o economês. Há alguns dias, debruçou-se no New York Times sobre aquilo a que ele chama The Making of a Euromess (www.nytimes.com/2010/02/15/opinion/15krugman.html).

 

Krugman analisa com pinças a trapalhada europeia, colocando sobre os frágeis ombros do euro, a nossa moeda comum, a culpa dos fracos ritmos de crescimento económico, dos excessivos défices, dos desempregos galopantes e da incapacidade de reacção das economias mais frágeis da zona Euro. Para justificar a sua tese, pega no exemplo de nuestros hermanos. Apesar de  uma dívida externa controlada, de um superavit orçamental, de um sistema bancário exemplarmente regulado, a Espanha não resistiu à tentação de ser a Flórida da Europa (sol, praias, muito calor) e a entregar-se ao boom da construção civil. O resultado foi um crescimento demasiado rápido combinado com uma inflacção significativa (entre 2000 e 2008 os preços dos produtos e serviços em Espanha subiram cerca de 35%).

 

 

Devido ao aumento dos preços as exportações castelhanas tornaram-se pouco competitivas, ainda que o crescimento do emprego se mantivesse forte devido ao boom imobiliário que não parou. Foi então que a bolha rebentou. O desemprego surgiu e o orçamento estatal mergulhou num profundo défice.  O principal problema económico da Espanha foi que o custo e os preços desalinharam-se com os praticados no resto da Europa. Se a Espanha ainda tivesse a sua boa e velha peseta, poderia resolver o problema com alguma rapidez através da desvalorização da moeda em sentido contrário das restantes moedas europeias. Mas a Espanha, como Portugal, já não tem a sua própria moeda, o que significa que apenas pode recuperar a sua competitividade através de um lento processo de deflação dos preços.

 

Muito antes do euro chegar, diversos economistas alertaram para o facto da Europa não estar à data preparada para ter uma moeda única. Mas os avisos foram ignorados e a crise chegou. E agora, pergunta retoricamente Krugman? Uma ruptura com o euro seria neste momento impensável, a reintrodução das moedas nacionais seria a mãe de todas as crises financeiras. Isto é, o mal está feito e não tem remédio. Então, o único caminho é seguir em frente: para fazer o euro resultar a Europa necessita de aprofundar a sua união política, de forma a que as nações que a constituem passem a funcionar mais como os Estados dos Estados Unidos da América. O problema é que isso não irá suceder nos tempos mais próximos. O futuro passa por uma austeridade selvagem, como pano de fundo uma taxa de desemprego elevada, perpetuada por uma lenta e crescente deflação.

 

 

O quadro exposto por Krugman não é bonito mas só não o vê quem não quer. Para compreender a natureza e origem do problema Europeu é necessário perceber que não foi só a desgraça de termos governos irresponsáveis - o problema fundamental foi a arrogante crença de que a Europa estava em condições de ter uma moeda única, apesar de todas as razões que apontavam em sentido contrário desse passo de gigante. Se as saudades do escudo assentavam em razões do coração, passam agora a estar também em causa razões já mais cerebrais. 

 

Mas sabem o que realmente me lixa a cabeça? É isto não interessar minimamente aos nossos media (com honrosas excepções como o jornal i), aos nossos opinadores, só a chafurdeira das escutas e a baixa política os faz pôr a funcionar as meninges. Como se o mais velho problema deste país não estivesse espelhado no conhecido dichote "troca o disco e toca o mesmo".

 

 

 

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publicado por bolaseletras às 17:57

Pérolas da blogosfera - As várias catástrofes no Haiti

Segunda-feira, 18.01.10

 

 

É doloroso ler este esgar de revolta do Luis (anaturezadomal.blogspot.com/) e, de certo modo, sentir-me inclinado a concordar com muito do que ele escreve. O aproveitamento da dor também pode ser doloroso, pelo menos para quem ainda se deixa impressionar por espectáculos degradantes. Ainda assim, apesar das tristes hipocrisias de quem procura estas catástrofes para limpar uma suja consciência, cada gesto de ajuda é precioso para aquela população em desespero. Percebo o foco do Luis, mas gostaria que ele visse também o outro lado. Bom, mas se calhar não é a ele que compete essa parte, a ele compete-lhe sobretudo "a natureza do mal".

 

"Várias catástrofes se abateram sobre a República dos escravos pretos: o terramoto, a ajuda internacional e os jornalistas. Um neurocirurgião americano corre à frente de uma câmara, à procura de uma vítima. Sempre em grande plano realiza um simulacro de exame médico, debita um diagnóstico e pede à enfermeira:- Antibióticos e uma gaze. Uma equipa de socorro brasileira, ao serviço da Globo, detecta uma mulher soterrada. Os jornalistas quase bloqueiam o acesso à vítima. Uma delas estende para o buraco, no solo, um microfone. Um médico, neurocirurgião, e uma jornalista. Aqui está a aliança soturna com que se entretém o mundo, a ajuda fraterna, a lágrima no sofá. A República dos escravos pretos, que cortou todas as árvores, onde julgaram ter nascido a doença ominosa do século XX, teve agora o golpe de misericórdia, pela mão das forças do subsolo ou de um deus que já ninguém reclama. Não há, nas redacções das televisões nem nas Associações médicas, quem recorde que não exibir o sofrimento alheio é o princípio de toda a compaixão."

 

 

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publicado por bolaseletras às 20:10

Petit, esse grande representante do que é ser português, lampião, político e um gajo porreiro

Quarta-feira, 02.12.09

 

 

Lido em entrevista de Petit, o saudoso pitbull, ao jornal i:

 

Explique lá como se envolveu nas eleições do Benfica, como mandatário do candidato Bruno Carvalho.
(desmancha-se a rir) Quer que lhe diga? Estava num restaurante e ligou-me um primo que trabalha no Porto Canal. “Olha, o Bruno, o meu patrão, pergunta se queres ser mandatário da campanha dele.” Eu só tenho o primeiro ano, não sabia o que queria dizer ser mandatário e disse-lhe: “Mete lá aí o meu nome.”

 

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publicado por bolaseletras às 22:08

Revista de imprensa - A ruptura nunca será na continuidade

Terça-feira, 17.11.09

Parece-me que isto vem mesmo a propósito da batalha a ter lugar amanhã, em zonas balcanizadas e pouco amistosas... 

  

 

Leio no Courrier Internacional um interessante artigo do jornal Novi List, de Rijeka. Em causa, o recrudescer do hooliganismo que assola o futebol da ex-Jugoslávia. Mero pretexto, segundo o autor, para reavivar os ódios da guerra dos Balcans, os inimigos que usavam botas cardadas são agora trocados pelas enlameadas chuteiras com pitons. Fracas desculpas de quem não consegue, em definitivo, concluir a transfusão do ódio para um passado encerrado nas gavetas da vergonha.

 

Na parte final do artigo, e em jeito de dedo na ferida, procurando identificar-se uma remota solução para o problema, ou, pelo menos, uma explicação para o porquê do desastroso estado de coisas, é citado o filósofo Ugo Vlaisavljevic, de Sarajevo. O texto intitula-se «A guerra como principal acontecimento cultural» e suscitou uma enorme polémica. Afirma o filósofo, sem medo, com a coragem das ideias:

 

 

"A especificidade da experiência local da guerra reside neste facto: após a guerra, a política continua a viver da guerra. Afirmo que vivemos em permanência sob o regime das políticas da guerra. Produzindo constantemente inimigos, essas políticas não podem trazer pacificação. Quando se fala hoje, na Bósnia-Herzegovina, da necessidade de reconciliação, esquece-se que aqueles que nos deviam reconciliar são produto da guerra. Em consequência, estabelecem a sua política, a sua identidade e a sua visão da realidade sobre a experiência da guerra. Para eles, a sua reconciliação significa a auto-destruição."

 

Contextualize-se este raciocínio nos cenários de guerra e de falhadas reconstruções de sociedades dos últimos decénios - África, médio oriente, continente americano, etc. - e tudo se simplificará. A incredulidade com a guerra que não cessa naquele desgraçado país, as permanentes guerrilhas internas de países que morrem aos poucos, tudo isso está acima explicado. Daí a polémica. O dedo penetra bem fundo na ferida, a tonitruante dor na consciência dos povos é devastadora.

 

 

 

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publicado por bolaseletras às 21:02

The ultimate press review

Sábado, 07.11.09

 

 

Neste momento, esse ícone da análise sócio-económica chamado Sousa Cintra, está a fazer a revista de imprensa na Sic Notícias. Não interessa nada o que diz sobre o Sporting face à sua douta opinião sobre as escutas e as auto-estradas. Segundo ele, as escutas são muito importantes mas infelizmente fazem-se por tudo e por nada, qualquer dia estamos em casa a ser escutados, ou uma mera discussão com um amigo poderá dar em escutas.

 

Quanto às auto-estradas, são também muito importantes mas já se anda a exagerar. Contudo, afirma que são muito importantes para o desenvolvimento do país. Ah, quanto ao Parlamento, diz que vai ser um autêntico Carnaval. Temos que nos entender, afirma revoltado! Ah, é uma notícia boa, o Papa vir a Portugal. Queira Deus, diz Cintra, que ele traga as boas vindas a este país.

 

Vou ali saltar da janela e venho já.

 

 

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publicado por bolaseletras às 10:46

Revista de imprensa: que comunicação social é esta?

Domingo, 25.10.09

 

 

Não será mais importante aprofundar e acompanhar os desenvolvimentos do estudo infra (lido no i - honra lhe seja feita - em: www.ionline.pt/conteudo/29547-oms-diz-que-ha-relacao-o-uso-do-telemovel-e-o-cancro), do que esmiuçar até à exaustão a estéril polémica entre Saramago e meio mundo católico? As tricas da bola e as tretas da politiquice, serão mais relevantes do que o nosso futuro e o dos nossos filhos? Vamos ter um bocadinho mais de sentido de missão e da profissão, senhores jornalistas? O país agradece, as minhas meninges também.

 

"Segundo um estudo promovido pela Organização Mundial de Saúde (OMS), cujos resultados preliminares foram hoje publicados no “The Daily Telegraph”, o uso do telemóvel está relacionado com vários tipos de cancro. A investigação, que será divulgada publicamente até final do ano, prova que as pessoas que abusam do uso de telemóvel arriscam sofrer tumores cerebrais a longo prazo.

 

 

 


As conclusões preliminares do estudo indicam que existe “um risco significativamente maior” de sofrer tumores cerebrais “relacionado com a utilização de telemóveis durante um período de dez anos ou superior”.
Segundo o jornal inglês, o novo estudo aumentará a pressão para que as autoridades sanitárias difundam conselhos de forma mais clara e contundente, como a restrição do uso de telemóveis por parte de crianças.
Anteriores estudos sobre os efeitos dos telemóveis na saúde foram pouco conclusivos. Este último estudo durou dois anos e custou 22 milhões de euros."

 

 

SERÁ ESTE O NOVO FRUTO PROIBIDO?

 

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publicado por bolaseletras às 20:16

Da série pérolas da blogosfera - A bíblia vermelhusca e se o ridículo matasse

Terça-feira, 21.07.09

 

 

 

Aprendi a gostar de jornais muito cedo. Não, não comecei a ler o Expresso mas sim A Bola, jornal que me fazia gostar ainda mais do que eu já gostava naquela tenra adolescência, o futebol e todo o circo que anda à sua volta. Comigo, milhões de emigrantes matavam saudades da língua pátria lendo A Bola, a bíblia, aquele jornal que tornava ainda mais belo o mais belo desporto.

 

 

  

 

Os tempos passam os vícios instalam-se. Hoje, certamente porque é aquilo que mais papel vende, A Bola é um panfleto propagandístico do Benfica. E acreditem, se este triste estado já foi dissimulado, hoje a vergonha é assumida à descarada. Na edição de ontem o reforço Javi Garcia, suposto salvador do meio campo benfiquista, jogador que a época passada fez 15 jogos no Real Madrid como defesa central (!!!) é referido como sendo cobiçado por clubes de toda a Europa, tendo o Benfica conseguido ganhar a corrida a todos esses pretendentes! Epá, vão gozar com o Constâncio, foda-se, esse ao menos também goza connosco. 

 

 

Além de mim, também o Sousa Cintra no blogue ocacifodopaulinho.wordpress.com/ se deparou com esse facciosismo patético, de um jornal que já foi de referência. O texto do blogger que se intitula como Sousa Cintra demonstra bem até onde vai a pouca vergonha, muito próximo do ridículo:

 

"Quando o ridículo não tem limites os leitores mais incautos correm o risco de ler coisas destas:

“Jorge Jesus apresentou-se no estágio, em Genebra, com um novo penteado. Não se tratou de uma mudança radical, mas a aparadela foi significativa, dando-lhe um look mais sóbrio. O treinador, de resto, nunca descura os pormenores relacionados com a sua imagem“. (in A Bola, pois claro)

 

  

 

Alguém aceita uma aposta? Meto 20 euros em cima da mesa… Aposto 20 euros em como A Bola conseguirá, até ao fim da época, escrever uma destas três coisas:

a) “o treinador, de resto, nunca descura a fluência no discurso e há quem o compare ao padre António Vieira“;

b) “o treinador, de resto, rivaliza com Alex Ferguson no número de títulos e taças conquistadas“;

c) “o treinador, de resto, é o melhor do mundo porque nós somos patetas o suficiente para assumir que ele é o melhor do mundo porque só os melhores do mundo é que treinam o Benfica como todos os melhores do mundo que treinaram o Benfica nos últimos anos inclusive o Artur Jorge que era o melhor do mundo e os outros e o Koeman e o Sounesse e mais os outros como o Heynckes que esse sim era mesmo bom foda-se mesmo mesmo bom e ainda aquele outro aquele cujo nome não me recordo ah pá aquele pá que tinha bigodinho e era alourado e brasileiro também era mesmo bom quase tão bom como o Camacho que era genial ou o Chalana que era tão bom e tão fluente como o Jorge Jesus talvez tão bom como o Quique pá um senhor mesmo mesmo bom mas não tão bom como o Jorge Jesus que esse sim é mesmo mesmo bom é espectacular e fala bem e tem métodos de treino inovadores e o fato de treino cai-lhe tão bem e que bom que ele é foda-se ninguém pára o benfica allez oh viva o Jorge Jesus“."

 

 

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publicado por bolaseletras às 19:17





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