Saltar para: Posts [1], Pesquisa e Arquivos [2]


A flor desperdiçada da juventude?

Segunda-feira, 13.07.15

z_juventude.jpg

Passava os olhos por um qualquer blog desses armados ao sério e com profundas raízes na pseudo-intelectualidade das coisas que são tão mais simples do que aparentam, que acabei por me enredar num emaranhado de teias de letras pelo que, inevitavelmente, acabei a interrogar-me sobre a justeza de uma reflexão que por lá brotava. Queixava-se o autor do desperdício que é viver a juventude, fase da existência em que a força brutal inspirada pela fome de viver é tanta, mas tanta que se torna inglório não saber para e como direcionar tanta energia indomável. Isto faz todo o sentido quando mais tarde olhamos para trás e percebemos o que andámos a fazer com toda aquela tesão pela vida que nos consumia. Ainda assim, quero acreditar que se tivéssemos o discernimento e a maturidade para utilizarmos da melhor forma essa potência descontrolada, rapidamente nos tornaríamos em adultos felizes, depois realizados, depois estabilizados e, lenta e inelutavelmente, em adultos consumados e aborrecidos. Nem tudo o que parece é, nem tudo o que deveria ser é realmente o melhor.

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado por bolaseletras às 11:46

Super preocupações

Quarta-feira, 24.06.15

 z_cap Am_por Martin Beck.jpg

Anda por aí uma torrente de textos, técnicos e menos técnicos, escritos por pediatras de renome a psicólogos de excelência, que nos falam dos inomináveis perigos e das terríveis consequências de colocarmos demasiada pressão sobre os ombros dos nossos petizes, da violência que é a excessiva preocupação parental com o sucesso académico e profissional vindouro dos seus diamantes. É verdade, a voracidade do que a sociedade nos pede pode ser asfixiante e de tanto querermos o melhor para os rebentos arriscamo-nos a rebentar com eles. E a culpa é só nossa e da sociedade? Então e os super-heróis modelares, perfeitos, irrepreensíveis que lhes são impostos na televisão, nos livros, no cinema, nos posters, nos bonecos com que os inundamos? Que tal se lhes fosse conhecido um defeito, umas fitas à hora de levantar, uma vergonhosa aversão por leguminosas e uma porção de medos profundos e receios injustificados? Que tal se essa malta cheia de super-poderes fosse mais de carne e osso e menos de ferro e Kryptonite, hum? Como tudo na vida, a receita pode até ser mais simples do que à partida parece. Vejam lá isso.

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado por bolaseletras às 12:32

Da poesia e da falta dela

Quarta-feira, 20.05.15

Louis Faurer, Looking Toward RCA Building at Rocke

  Fotografia por Louis Faurer - "Looking Toward RCA Building at Rockefeller Center, New York City, 1949"

 

Há anos que não escrevo um poema porque nem todos os anos são anos de escrever poemas. Os poemas nascem do encantamento ou da dor original, dos nossos olhos brilharem com o primeiro amor, do primeiro sangramento que a vida nos inflige. Paixão e traição, por mais cinematográficas que sejam, são a realidade que perpassa pelo descerrar de olhos lento, maravilhado, mas tantas vezes agonizante que é a montanha russa da adolescência e da tenra mas não tão terna juventude. De repente, sem prévia preparação do corpo e da alma, tudo muda, os dramas dissipam-se e aquelas curtas ou longas-metragens mirabolantes de cores mil fundem-se numa só cor, tantas vezes cinzenta, demasiadas vezes apenas preta ou branca. O estado adulto, aquele em que a crua responsabilidade substitui os sonhos indomáveis, mata a poesia. Não tem que ser assim, mas é muito fácil que se nos distrairmos venha efectivamente a ser assim. Vejam lá isso.

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado por bolaseletras às 18:08

A Brigitte Bardot também gostava de dar o seu pezinho de dança

Sexta-feira, 30.01.15

pezinho.jpg

Faz algum tempo que não ando para aí a partir pistas de discotecas e sinto que o mundo em geral e a fauna da noite em particular sente saudades desse espectáculo inolvidável. Nunca fui grande dançarino, mas sempre que concedia a mim próprio a liberdade para desenferrujar os joelhos algo de mágico sucedia. Ou um copo se estilhaçava na pista, ou uma moça era espezinhada sem culpa e intenção, ou então, naquelas noites de maior inspiração, o espírito do John Travolta envolvia no seu abençoado, etilizado e frenético abraço a casa nocturna que tinha o privilégio de receber essa magia. Esta conversa não faz muito sentido mas é uma forma de matar saudades dos loucos anos 90, dos dias que não se distinguiam das noites, das noites em que os dias acordavam e ainda nem a noite se tinha deitado. Quem nunca deu um pezinho de dança que atire a primeira pedra. 

pezinhos3.jpg

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado por bolaseletras às 18:09

A gaivota

Segunda-feira, 05.01.15

1.jpg

Há memórias de infância agradáveis ou tenebrosas e depois há aqueles momentos que determinaram tudo o que se seguiu, a vida que se atravessou numa estrada escura e intransitável ou num caminho desimpedido e luminoso, tudo o que veio depois daquele toque entre duas peles, dos dedos suados a entrelaçarem-se numa tal tremedeira que parecia antecipar-se o estertor do fim, tudo o que se seguiu não mais se separou daquele momentâneo toque, do frágil laço que dedos moles como esparguete teceram naquele dia de verão cor de fogo.

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado por bolaseletras às 18:19

Cães, gatos e adolescentes (não confundir com feios, porcos e maus)

Quinta-feira, 06.11.14

 

cat3.jpg

Tenho uma grande admiração pelo Ricardo Araújo Pereira, o que não me impede de ter igualmente um problema com a sua ofuscante omnipresença. Se por um lado já fez tanto, mas tanto por provar que é possível fazer melhor, diferente, que o humor pode ser inteligência pura, que para se fazer humor não é preciso descer aos infernos da boçalidade, por outro esbarro sempre no meu preconceito contra aqueles que aparecem muito, sem parar, a todo o momento. Não obstante essa dualidade que me assalta o espírito, o RAP assume-se invariavelmente como música para os nossos ouvidos. Fiquemo-nos por esta pequena pérola: 

 

“Quando, há pouco tempo, passei a ter um gato, comecei a perceber a razão do fascínio. De facto, é um bicho que nos despreza de uma forma muito elegante. Está evidentemente convencido da sua superioridade em relação a nós – e é capaz de ter razão. Mas continuo firme no meu entusiasmo em relação aos cães. Os gatos sabem qualquer coisa; os cães são tão estúpidos como eu – o que lhes dá um encanto muito especial. Os gatos parecem ter uma informação importante acerca do que é isto de estar vivo; os cães não fazem a mínima ideia do que andam aqui a fazer. Acham quase tudo espantoso e não têm vergonha desse maravilhamento constante, apesar de ser tão parecido com a estupidez. Os cães são crianças, os gatos são filhos adolescentes: também nos amam, embora com alguma relutância, acham mesmo que são independentes, e às vezes estão escondidos num armário. É a adolescência sem tirar nem pôr.”

Trecho de artigo publicado na Revista Visão e roubado daqui: http://frenchkissin.blogspot.pt/

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado por bolaseletras às 17:22

Saudades das cowboyadas da juventude (falo dos filmes do John Wayne, claro está)

Quarta-feira, 10.09.14

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado por bolaseletras às 22:56

Coisas que tenho saudades de fazer (fotografia por Bryan Derballa)

Segunda-feira, 08.09.14

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado por bolaseletras às 17:51

Sobre a questão dos timings e afins

Segunda-feira, 25.08.14

 

She’s the kind of girl a guy meets when he’s too young, and he fucks up because there’s too much living to do. But later he realizes she’s perfect.

Da série "Californication"

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado por bolaseletras às 16:55

Em memória dos Verões pré-parentais - dos amores impossíveis

Terça-feira, 15.07.14

 

Um Verão que honra a magia dos verões pré-parentais e, como é evidente, pré-maritais, dado o tema que será esquartejado na confusão de vogais e consoantes que se segue, é aquele que começa, no primeiro dia de praia, com um encontro imediato de quinquagésimo grau, em que nos cruzamos com uma daquelas musas que nem nos filmes pensávamos existir, aquela esfíngica perfeição por quem facilmente estaríamos dispostos a dar a vida. Desde esse segundo até ao último dia de férias existirá em nós a perfeita certeza de que aquela moça nunca a nós se entregará, tal como teremos a inabalável convicção de que qualquer gesto, qualquer ligeiro inclinar da cabeça, o mais leve pestanejar terá como objectivo lançar-nos um sinal, uma pista, uma migalha de hipóteses de ter reparado na nossa triste e apalermada presença. Falo no plural porque, felizmente, não vivi sozinho esses cruéis anos da eterna juventude. Não é possível sofrer tanto sem nos sentirmos acompanhados no mais tolo sofrimento do mundo. Those were the days.

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado por bolaseletras às 17:21





mais sobre mim

foto do autor




Flag counter (desde 15-06-2010)

free counters



links

Best of the best - Imperdíveis

Bola, livres directos & foras de jogo

Favoritos - Segunda vaga

Cool, chique & trendy

Livros, letras & afins

Cinema, fitas & curtas

Radio & Grafonolas

Top disco do Miguelinho

Política, asfixias & liberdades

Justiça & Direito

Media, jornais & pasquins

Fora de portas, estrangeirices & resto do mundo

Mulheres, amor & sexo

Humor, sorrisos & gargalhadas

Tintos, brancos & verdes

Restaurantes, tascas & petiscos

Cartoons, BD e artes várias

Fotografia & olhares

Pais & Filhos


arquivos

  1. 2019
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2018
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2017
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2016
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2015
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
  66. 2014
  67. J
  68. F
  69. M
  70. A
  71. M
  72. J
  73. J
  74. A
  75. S
  76. O
  77. N
  78. D
  79. 2013
  80. J
  81. F
  82. M
  83. A
  84. M
  85. J
  86. J
  87. A
  88. S
  89. O
  90. N
  91. D
  92. 2012
  93. J
  94. F
  95. M
  96. A
  97. M
  98. J
  99. J
  100. A
  101. S
  102. O
  103. N
  104. D
  105. 2011
  106. J
  107. F
  108. M
  109. A
  110. M
  111. J
  112. J
  113. A
  114. S
  115. O
  116. N
  117. D
  118. 2010
  119. J
  120. F
  121. M
  122. A
  123. M
  124. J
  125. J
  126. A
  127. S
  128. O
  129. N
  130. D
  131. 2009
  132. J
  133. F
  134. M
  135. A
  136. M
  137. J
  138. J
  139. A
  140. S
  141. O
  142. N
  143. D
  144. 2008
  145. J
  146. F
  147. M
  148. A
  149. M
  150. J
  151. J
  152. A
  153. S
  154. O
  155. N
  156. D

pesquisar

Pesquisar no Blog