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O salto

Domingo, 28.02.16

  

Barbara Fialho_by Gustavo Zylbersztajn.jpg

   Bárbara Fialho, fotografada por Gustavo Zylbersztajn

 

Podia continuar onde sempre esteve. O sítio não era confortável, longe disso, mas já o conhecia. Como conhecia os vizinhos, também os que apenas rondavam por ali, os amigos e os meramente conhecidos, os do “olá bom dia”. Sabia o que esperavam dela e o que podia esperar deles. Sentia-se por vezes sufocada, mas esse incómodo era menor do que mergulhar no desconhecido. Até ao dia.

 

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publicado por bolaseletras às 18:41

Contigo Paris

Sábado, 14.11.15

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publicado por bolaseletras às 00:15

Terrorismo, medo e egoísmos - receita explosiva para a desumanidade

Sábado, 19.09.15

siria_criança2.jpg

Custa-me cada vez mais, cada dia que passa, ler notícias sobre os refugiados (ou migrantes, que parece que é mais fino), ver fotografias de crianças em sofrimento, de pais desesperados por não conseguir livrá-las dessa dor física e psicológica. Custa-me, mais que tudo, porque é abjeto um mundo em que se deixam sofrer crianças sem nada fazer para minorar ou evitar esse sofrimento. Custa-me porque tenho consciência que todos os contributos que possa dar para mitigar essas atrocidades são ínfimos mas, sobretudo, por perceber que a sociedade onde vivo, a Europa onde me integro, pouco faz para encontrar soluções rápidas, eficazes e humanas. Como alguém disse, em poucas horas arranjam-se centenas de milhões para salvar um banco, mas disponibilizar umas dezenas de milhões para salvar crianças torna-se de repente uma missão quase impossível. Custa-me também - deixem-me ser sincero e mostrar um lado egoísta (isto de ser humano é tramado) - que a tristeza infligida por tantas imagens de cruel aflição que chispa dos olhos assustados de tantas crianças me faça sentir culpado da constante preocupação em proporcionar felicidade e bem-estar físico aos meus rapazes. Temo que a tristeza que essas imagens me transmitem manche a alegria que naturalmente sinto ao ver os meus filhos felizes, que diminua a alegria com que gosto de lhes retribuir a sua mera existência - como se o conforto e a felicidade deles fossem quase injustos face à dor e o sofrimento das outras crianças. Este egoísmo que me assola nasce também dos naturais receios de que a solidariedade europeia possa ser um cavalo de Tróia para a entrada de milhares de possíveis terroristas nas nossas fronteiras. Eu, homem comum, quero ser solidário, mas não esqueço estes egoísmos e receios. E aqueles que elegemos para guiar os nossos destinos, não deveriam estar melhor preparados para ultrapassar estes egoísmos e receios? E os olhos desta criança, não deveriam ser razão mais que suficiente para encontrarmos as respostas e as ferramentas que apaguem estes medos e egocentrismos, e assim cumprir o objetivo primacial de salvar esta criança? 

siria_criança.jpg

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publicado por bolaseletras às 21:18

Demasiadas luzes para tão pouca carne

Quarta-feira, 16.09.15

admiração.jpg

 

Pior que o medo de nos desiludirmos é o medo de desiludirmos. Sobrevivemos à quebra de expectativas criadas quantos aos outros, mas somos capazes de soçobrar quando, aos olhos desses outros, nós próprios não correspondemos às suas expectativas. O que deveria ser uma consequência natural e possível dos mecanismos da interacção humana transforma-se num bloqueio relacional que nos devolve aos néones dos écrans, às redes sociais, a mais uma série com detectives, homicídios misteriosos e intrigas políticas. Sexo glorioso nos canais temáticos, emoções fortes nos melhores filmes do videoclube à distância de um clique no telecomando. Como se a vida não fosse de carne e osso, como se o medo da vida não fosse a sua absoluta negação.

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publicado por bolaseletras às 11:21

Um passo em falso, cadafalso

Quinta-feira, 14.05.15

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Fotografia de David Wojnarowicz, 1988

 

Dizia-me ele, de olhos rasos no chão e ombros em queda como lágrimas prestes a soltar-se de si, que sempre tivera tendência para caminhar rumo à sua dor. Se defronte de si surgia uma bifurcação era certo e sabido que o seu instinto o encaminharia para a morada errada, para mais uma estada de sofrimento. Nunca soubera a razão dessa atração pelo abismo, mas hoje, com o passar do tempo e um interminável rol de experiências de auto-flagelação, suspeitava que os receios com que enfrentava as opções que a vida lhe colocava no prato eram a principal determinante das suas escolhas. O negro atrai o breu, os receios clamam por uma existência de medo, somos o que sentimos.

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publicado por bolaseletras às 17:46

O gato preto

Segunda-feira, 02.03.15

gato preto.jpg

O túnel já era suficientemente escuro para lhe vergar a vontade de vencer o medo. Em simultâneo, no mesmo paralelo que habitava essa alameda de temor passeava-se uma voz rouca que lhe suspirava às meninges para recuar, para evitar o desconhecido cor de breu. Pensou que só faltava um gato preto para que todos os seus terrores de infância se reunissem naquela passagem, naquele trajecto que em tempos sonhara a conduziria do conforto bucólico mas enfadonho para uma vida real, a cheirar a flores reais, nada de plásticos ou de artifícios sem espinhos. Num repente, enredada na crescente convicção de que novamente se forçaria a desistir, sorriu, sentiu-se mulher, sentiu-se forte e ferozmente feminina, e dançou, dançou, dançou, dançou até rir estridentemente nas barbas do medo.

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publicado por bolaseletras às 18:00

Jogos perigosos

Quarta-feira, 25.02.15

 soldier making the long walk to defuse a car bomb

O ano da fotografia desconheço, mas o local é algures na Irlanda do Norte. O enquadramento é o de um soldado que se dirige, solitário e decidido, em direcção a uma carrinha, com o objectivo de desarmadilhar uma bomba nela colocada. No lado esquerdo da fotografia, um prédio amarelado pelo passar do tempo ou pela má pintura, um irónico e tenebroso convite para um encontro com Deus. O soldado caminha para o desconhecido sem pestanejar. Sabe que é aquela a sua missão, o seu trabalho, o destino de que não se pode desviar. Estas e outras palavras são obviamente supérfluas, tudo se decidirá no jogo de xadrez entre o terreno e o divino, existindo a secreta esperança de que o mesmo não esteja viciado à partida.

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publicado por bolaseletras às 17:13

A espera...

Segunda-feira, 10.11.14

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What the hell is she waiting for?

 

 

 

 

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publicado por bolaseletras às 17:39

O mundo é um lugar estranho - olhar sem ver

Quarta-feira, 28.05.14

 

Conheço demasiada gente que se recusa a ver os sinais, que olha sempre na direção onde não se encontra a verdade, que se debruça apenas sobre as perspectivas confortáveis e isentas da mínima possibilidade de conflito. Também por isso, cada vez menos me surpreendo quando me anunciam aquelas grandes hecatombes, como divórcios, separações, saídas de  casa sem pré-aviso ou, num campo profissional, uma avença que se perdeu, um emprego que se esfumou ou um contrato que foi à viola. O conforto de virar a cara à luta deveria ser, à nascença, considerado contranatura. Por luta entendo o debate de ideias, a busca da melhor forma de esbater diferenças, a assunção de compromissos que permitam que o conjunto funcione melhor do que as partes. Recusar esse saudável combate é fazer do mundo um lugar ainda mais estranho.

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publicado por bolaseletras às 18:05

Summer´s almost gone - e com ele, o derradeiro olhar de sedução...

Segunda-feira, 16.09.13

 

 

Todo um período estival a despedaçar corações, a provocar torcicolos nos incautos veraneantes, a passear charme e sedução, a fazer do Verão dos outros um inesquecível Verão. O ego inflamado e prestes a rebentar o balão da vaidade não alimenta contudo o corpo e a alma. Faltou sempre o último passo, aceitar o risco, esquecer que o mais perfeito dos homens está ainda por descobrir. Para quê tanto pão para tão pouco vinho? Vem aí o Inverno e nem meia dúzia de edredons aquecerão os pés frios de uma predadora demasiado exigente. A vida é bela, nós é que damos cabo dela.

 

 

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publicado por bolaseletras às 18:11





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