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Still about Charlie

Quarta-feira, 21.01.15

Charlie2.jpg

Dou comigo a prestar cada vez mais atenção a representações visuais em detrimento das palavras. Além do já conhecido efeito meteorológico que o vento sobre estas exerce (nota: figura de estilo só ao alcance mentes superiores) esses hieróglifos dos tempos modernos tendem a criar dentro de si um espaço oco que provoca um interminável e irritante eco. Tanto se escreve e debate sobre os valores e os propósitos salvíficos de crenças e religiões e basta surgir este cartaz mordaz e certeiro para, num só flash, nos pormos a pensar na utilidade de tanta tinta e saliva gasta a pregar as velhas e as boas novas. Não fora o meu jeito para a ilustração ser mais rupestre que os rabiscos de Foz Coa e este blog assistiria ao assassinato lento, planeado e definitivo das palavras. Têm sorte, as sacaninhas.

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publicado por bolaseletras às 16:41

Nem só os ricos têm facebook, Senhor

Terça-feira, 10.06.14

"É Mais Fácil um camelo passar pelo buraco da agulha, que um rico entrar no reino dos céus".

 

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publicado por bolaseletras às 17:03

Pawel Kuczynski, artista satírico

Segunda-feira, 02.06.14

 

 

 

 

 

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publicado por bolaseletras às 18:31

Se Deus fosse perfeito

Terça-feira, 13.05.14

 

Por Paolo Pellegrin

Jenin, Palestine, 2002

 

Sempre que me deparo com este tipo de imagens dramáticas, em que o desespero das mulheres é o foco da câmara, silenciando todos os outros sons em redor, imagino que a dor que aquelas almas atormentadas expulsam de dentro de si é a dor de uma mãe que perdeu um filho. Não haverá maior dor do que perder um filho, mas essa dor ultrapassa todas as escalas do sofrimento humano quando sentida pela flor da criação, pelo ventre que gerou o mais belo fruto e que agora foi traído pela ignorância humana e o desprezo divino. Se Deus fosse perfeito, a uma mãe estaria vedada a crueldade de pegar na mão fria e inerte do seu filho.

 

Por Andy Spyra

Srinagar, Kashmir, India 2009

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publicado por bolaseletras às 17:15

Abrir os olhos

Quinta-feira, 09.01.14

 

“ When the missionaries came to Africa they had the Bible and we had the land. They said 'Let us pray.' We closed our eyes. When we opened them we had the Bible and they had the land.”

Desmond Tutu

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publicado por bolaseletras às 19:36

Poesia de Natal, por David Mourão Ferreira

Quarta-feira, 18.12.13

 

 

NATAL, E NÃO DEZEMBRO

 

Entremos, apressados, friorentos,
Numa gruta, no bojo de um navio,
Num presépio, num prédio, num presídio
No prédio que amanhã for demolido...
Entremos, inseguros, mas entremos.
Entremos e depressa, em qualquer sítio,
Porque esta noite chama-se Dezembro,
Porque sofremos, porque temos frio.

Entremos, dois a dois: somos duzentos,
Duzentos mil, doze milhões de nada.
Procuremos o rastro de uma casa,
A casa, a gruta, o sulco de uma nave...
Entremos, despojados, mas entremos.
De mãos dadas talvez o fogo nasça,
Talvez seja Natal e não Dezembro,
Talvez universal a consoada.

Vai nascer esta noite à meia-noite em ponto
Num sótão num porão numa cave inundada
Vai nascer esta noite à meia-noite em ponto
Dentro de um foguetão reduzido a sucata
Vai nascer esta noite à meia-noite em ponto
Numa casa de Hanói ontem bombardeada

Vai nascer esta noite à meia-noite em ponto
Num presépio de lama e de sangue e de cisco
Vai nascer esta noite à meia-noite em ponto
Para ter amanhã a suspeita que existe
Vai nascer esta noite à meia-noite em ponto
Tem no ano dois mil a idade de Cristo

Vai nascer esta noite à meia-noite em ponto
Vê-lo-emos depois de chicote no templo
Vai nascer esta noite à meia-noite em ponto
E anda já um terror no látego do vento
Vai nascer esta noite à meia-noite em ponto
Para nos pedir contas do nosso tempo.

“Litania para o Natal de 1967”, David Mourão Ferreira

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publicado por bolaseletras às 17:19

Uma questão de fé

Terça-feira, 10.09.13

 

Fotografia de Eljat Feuer

 

É ela que agarra multidões à vida, é ela a âncora que sustenta vidas mergulhadas no desespero que é viver. A luz, por mais ténue que resulte na escuridão da alma, é uma luz de fé, uma força que suga os medos para dentro de si, trucidando-os num vendaval de esperança. Ontem a dor instalou-se na nossa morada, hoje as lágrimas teimam em secar, passo a passo, para além do cadafalso. Amanhã, amanhã procuro-te sem os receios dos dias que jazem a meus pés.

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publicado por bolaseletras às 21:53

Quando a cortina de fumo nos impede de ver

Sexta-feira, 15.03.13

 

 

Um bom amigo e bom homem, mas nem por isso um católico fervoroso, partilhou no Facebook as suas ideias sobre o fumo branco papal e todo o circo montado à sua volta. Eu, católico não praticante, agradeço aos senhores da UEFA e à Champions League terem afastado de mim o cálice do conclave. Não renego a importância e a influência da igreja católica, mas recuso-me a assistir a espectáculos contrários áquilo para que deveria servir o poder da igreja: servir, auxiliar física e materialmente os esfomeados (e atenção, nem só de pão vive o homem), conduzir o rebanho sem o amordaçar a cânones cristalizados no tempo. Esquecendo tudo isto, gostaria sinceramente que este papa mudasse algo para melhor no que tem sido o papel e as teimosias da igreja católica, mesmo tendo que lutar contra infindáveis moinhos de vento e de ouro. Como muito bem disse outro amigo que escreveu sobre o tema, o Pedro no Declínio e quedaOu muito me engano ou a eleição do Papa Francisco é também a resposta da Igreja à crise global que atravessamos. E a escolha do nome é uma crítica implícita ao bezerro de ouro que nos levou a ela.”

 

 

 

Fiquem então com as palavras do amigo Jorge sobre o circo do conclave:

  

“Fumo negro, fumo branco…

A Igreja Católica Apostólica Romana descobriu um novo filão. Uma espécie de jogatina da peregrinação, com uma componente forte de suspense. É verdade, papa velho dá cartas. Daqui a 4 anos, ou até menos, se tudo se tudo correr bem segundo a nova força de marketing do Vaticano, teremos mais uma sessão de Bet&Win. Teremos mais 15 dias de procissão mediática, dum fartote de previsões, descrições biográficas de velhas carcaças de discurso medieval, com um ar mais ou menos paternalista, mais ou menos fascistas, mas sempre decrépito. Decrépito o suficiente para garantir mais emoção e enfoque na chaminé. Uma chaminé hipocritamente esbatida pelos tempos, hipocritamente enferrujada, a contrastar com a luxúria dos saiotes, o latejar do ouro das passadiças e o frenesim pelo poder mediático. Só um cego é que não vê que por detrás deste desfile dos Oscars está uma tentativa desesperada de resgatar no tempo uma doutrina manchada pelos contrastes de riqueza inaceitáveis e pela sórdida ocultação das vontades carnais de homens normais.”

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publicado por bolaseletras às 18:09

Das razões do divino e do muito amado filho

Quarta-feira, 10.10.12

 

 

Ultrapassam-me as razões do divino. Desconheço o porquê de uma entidade que está acima de tudo e de todos, que nos ama com a perfeição de quem nos criou, não nos oferecer no mínimo, a cada um de nós, o paraíso na terra. É esse desconhecimento que nos impede de desistir, porque cremos no dia em que um clarão de sabedoria nos cegará. Paradoxalmente, é também esse desconhecimento que nos atiça o ódio e nos projecta contra as paredes da incompreensão, simplesmente porque o ódio é o muito amado filho da santa ignorância. 

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publicado por bolaseletras às 20:05

O assédio - A chantagem

Terça-feira, 20.09.11

 

 

"Aproximou-se da porta que dá para os outros aposentos, com o ouvido atento. O silêncio é total, mas ele sabe que a mulher está ali, no quarto do costume, com os lábios contraídos e o olhar baixo, a bordar ou a olhar para a rua através das persianas da varanda. Imóvel como é costume, impassível como uma esfinge e calada como a censura de um fantasma. Com o terço, de que noutros tempos não afastava os dedos, esquecido na caixa da costura. Também não há lamparinas acesas diante da imagem do Nazareno posta numa urna de vidro, no corredor. Há muito tempo que ninguém reza nesta casa."

 

Em tempos de guerra a fé sobrevive como âncora da vida. Mas a fé mantém-se apenas no coração dos homens enquanto lhes garante a vida própria e a dos seus, a saúde, o tilintar das moedas que lhes adoça a existência. Pérez-Reverte explora com sabedoria os becos em que a fé definha e acaba por morrer, encurrala-nos com as almas descrentes na escuridão do desespero. A fé, enquanto fio condutor que nos mantém ligados à esperança, representa tão só uma chantagem que o destino executa na perfeição. Se queres viver tens que venerar, se buscas a luz eterna terás de persignar-te aos Domingos de manhã. As simple as that.

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publicado por bolaseletras às 19:35





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