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O Clint é que a levava direita

Quinta-feira, 14.11.13

 

 

Não sou apologista do olho por olho, dente por dente, nunca fui miúdo, rapaz e mesmo homem de partir para a violência de modo a fazer valer a minha razão. Aliás, o mero levantar da voz para impor argumentos enerva-me ao ponto de quase negar tudo isto que estou para aqui a escrever. Em suma, queria mesmo era dizer que a violência apenas gera violência e nunca resolveu realmente nenhum mal neste mundo. Ainda assim, enerva-me terminantemente ouvir paiszinhos e mãeszinhas perfeitas dizerem que nunca tocaram sequer com um dedinho num fiozinho de cabelo que seja dos seus adorados e perfeitos filhotes. Eu cá acho que os poucos tabefes que levei dos meus paiszinhos nunca caíram em saco roto e, à distância, terão tido jusitificação em mais de 90% dos casos. Não sou apologista da educação pela palmada sistemática mas, no momento certo, com a devida justificação póstuma, uma singela palmada ou carolo podem resolver uma data de futuros problemas. Não vale a pena chamar a protecção de menores, o Clint ensinou-me a não deixar marcas (sim, neste cantinho mal afamado o humor negro também habita).

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publicado por bolaseletras às 17:29

Já não há heróis

Terça-feira, 28.02.12

 

 

Aventuro-me no metro cedo pela manhã e encontro carruagens despidas e ainda estremunhadas, como se pode esperar num princípio de fim-de-semana. Uma rapariga remelenta e assustada num dos bancos, um velhote semi ébrio despejado pela vida noutro assento. E, vindos não sei bem de onde, risos, gritos, grunhidos que irrompem repentinamente do meu lado esquerdo. Percebo que são 5 polacos do Légia de Varsóvia, sobreviventes de acidentes rodoviários, bastonadas da polícia e apresentações ao tribunal, seres nauseabundos que ingerem litradas da nossa tão lusitana Sagres como bebés famintos pelo biberon matinal. Mais de 2000 anos depois sinto-me capaz de perceber Judas. Hoje, se estes moços me perguntassem qual o meu clube, também eu renegaria a minha fé. Já não há heróis.

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publicado por bolaseletras às 18:29

Não é suficiente?

Quinta-feira, 02.02.12

 

"A police alsatian attempts to relieve Fortuna Dusseldorf forward Dieter Woske of his shorts after sliding into the net trying to convert a cross against Koln, 1959" (fotografia roubada aqui)

 

 

Se há coisa que sempre me fez impressão foi a “educação” de cães para efeitos de “segurança”. Ainda mais quando todos sabemos que o que esses cães formatados para atacar o ser humano irão fazer é atacar todo aquele que fugir ao padrão que lhes tentaram meter nas pobres cabecinhas. Como o mais natural é que o ser humano ande pelas margens do padrão, um desgraçado que deslize pela relva na tentativa de marcar um golo arrisca-se a ser rasgado pelos dentes da fera. Se na natureza do animal está em boa parte a ferocidade porque razão atiçar-lhe ainda mais esse hemisfério do instinto? Não é suficiente a maldade e a violência humana? 

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publicado por bolaseletras às 21:00

To Paco or not to Paco

Segunda-feira, 02.01.12

  

 

Paco Bandeira acusado de violência doméstica

 

Quando era miúdo contaram-me uma piada que só mais tarde compreendi em toda a sua extensão. Tinha a ver com o porquê do Paco Bandeira se chamar Paco Bandeira. Contou-me um amigo menos jovem que tinha a ver com o facto da mãe do músico se chamar Maria Ninha e o pai João Naça. Como não ficaria bem que o rebento se chamasse Paco Ninha nem Paco Naça ficou mesmo Paco Bandeira. Uns anos mais tarde percebi a brejeirice da coisa. Hoje convenço-me que não há bela sem senão.

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publicado por bolaseletras às 19:59

La Coca

Quinta-feira, 17.11.11

 

 

La Coca é um romance de regresso ao passado, dos caminhos tomados e das razões para essas escolhas. Pelo meio é um apanhado de histórias sobre o tráfico de droga no Minho e Galiza, de personagens duras que cheiram a perigo, um passeio pelas memórias que percorrem a vida do narrador. Pelas margens das desventuras do passado o autor revela-nos um Portugal violento que o provérbio sobre os brandos costumes teima em negar. Mas bastaria olharmos para a subida em flecha dos números da violência doméstica em Portugal (descontando, claro está, a maior divulgação do fenómeno e alterações técnico-jurídicas que permitiram uma crescente denúncia do fenómeno) para percebermos que somos tudo menos um povo pacífico. Estranhamente, ou não, diria que essa violência está muito direcionada para os que nos estão próximos, conclusão também confirmada pela percentagem de condenados por homicídio conjugal face ao número total de homicídios (14%). Rentes de Carvalho conhece-nos e sabe que o nosso sangue latino lateja fervilhante nas têmporas. Mesmo que não tenha sido essa a intenção do autor, este livro é também uma chamada de atenção para o que aí poderá vir. Os tempos estão para isso.

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publicado por bolaseletras às 18:20

Vestida para matar

Quarta-feira, 28.09.11

 

 

- Tens alguma necessidade de ir assim vestida?

- Meu querido, mesmo que levasse pelos ombros uma saca de batatas ias sentir-te ameaçado, ou inseguro, ou lá o que se chama o que te apagou a chama.

- Não percebo como uma mulher tão inteligente como tu pode parecer tão puta. Muito menos percebo porque o fazes.

- Apenas para confirmar, pela enésima vez, que ando a perder o meu tempo com um frouxo.

- Às vezes apetece-me espancar-te até desmaiares nas minhas mãos.

- Pelo menos seria uma forma de me fazeres sentir alguma coisa.

- Desisto, és uma víbora sem coração.

- Obrigado, meu amor.

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publicado por bolaseletras às 18:38

O Assédio - O inevitável lado negro da lei

Segunda-feira, 26.09.11

 

 

"Tizón gosta do seu ofício. Foi feito para ele. Possui, e tem consciência disso, a dose exacta de falta de escrúpulos e de desapego mercenário, de lealdade técnica que essa tarefa requer. Nasceu polícia e, como tal, fez o percurso habitual: de humilde esbirro a comissário, com poder sobre vidas, bens e liberdades. Também não é que tenha sido fácil. Ou gratuito. Mas está satisfeito. O seu campo de batalha é a cidade que sente em volta, antiga e matreira, repleta de seres humanos. São eles a substância do seu trabalho. O seu campo de experimentação e medrança. A sua fonte de poder."

 

Mais do que a cirúrgica caracterização de uma personagem fascinante, Pérez-Reverte faz-nos reflectir, com a análise do lado negro da natureza humana que o comissário Tizón nos concede, sobre a existência (ou não) de qualidades e características moldadas a determinadas profissões ou cargos. Obviamente que os métodos de Tizón no exercício do seu mister policial estão ajustados às práticas do início do século XIX, mas isso não invalida que no sangue de um polícia não devam correr os mesmos glóbulos que correm no sangue de um facínora ou de um serial killer. Há quem diga que não haverá outra forma de os entender, combater e, sobretudo, de lhes antecipar as intenções. Sei bem de dois amigos com quem gostaria de debater esta teoria. Temos de marcar isso, companheiros.

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publicado por bolaseletras às 18:51

Barra Bravas

Quarta-feira, 14.09.11

 

 

Para quem se interessa pelo fenómeno do futebol à escala global e pelas semelhanças e laços que se criam entre a sociedade e o futebol, aconselho vivamente a leitura deste artigo do “The Guardian”. O mundo dos hooligans argentinos, os barra bravas, não é o dos comuns hooligans. Na Argentina este gang de adeptos vive e lucra em torno do que o clube pode dar, desde bilhetes a merchandising, desde transferência de jogadores à venda de droga dentro dos estádios. Num país infestado de gente pobre e sem acesso à escada da ascensão sócio-económica o futebol tende a moldar a vida e os hábitos dessa população sem esperança. O futebol é um escape e pode ser a única saída para a pobreza, paredes meias com a criminalidade.

 

Os barra bravas levaram ao limite o entendimento de que o clube é dos sócios e adeptos, fazendo questão de retirar a sua fatia aos lucros que estamos habituados a ver caírem nas mãos dos senhores dos camarotes e das gravatas. Qual a semelhança entre o futebol e os outros campos da sociedade argentina? Está tudo dito nas palavras de Carlos De Los Santos, da Unidade de Segurança para Eventos Desportivos ao Vivo: "Corruption is endemic in Argentina and it is what has allowed the barras to get so powerful," he says. "The problem is that everybody is taking a cut. It won't help just throwing the barras bosses in jail, we've tried that. To break the barras you have to sever their political connections and root out those police complicit in their activities, and this is going to be hard. In fact in the current climate I don't see how it's going to be done."

 

 

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publicado por bolaseletras às 18:09

O assédio - A perda da inocência

Segunda-feira, 12.09.11

 

 

"- No Domingo, o padre de San Francisco disse que os franceses são servos do Diabo e que Deus quer que os espanhóis os exterminem como percevejos.

Mojarra deu alguns passos, olhando para o chão em frente das suas alpercatas. No fim abanou a cabeça, taciturno.

- Eu não sei o que Deus quer.

(…) – São homens como nós – acaba por dizer. – Como eu, pelo menos os que eu vi.

- Matou muitos?

Outro silêncio. Agora o pai olha para a filha. Por instantes prepara-se para negar, mas acaba por encolher os ombros. Para quê renegar o que faço, pensa, quando o faço. Renegar a obrigação cega para o que Deus – as intenções deste não dizem respeito a Felipe Mojarra – possa querer ou não querer. O dever para com a pátria e o rei Fernando. A única coisa que o marnoto sabe com certeza é que os franceses não lhe agradam, mas duvida que sejam mais servos do Diabo do que alguns espanhóis que conhece. Também sangram, gritam de medo e de dor, como ele. Como qualquer um.

- Já matei alguns, sim.

- Bom – diz a rapariga, benzendo-se novamente – se são franceses não deve ser pecado."

 

Na hipótese de existirem resquícios de inocência nos homens, a guerra encarrega-se de os eliminar. Se numa sociedade medianamente pacificada matar alguém é entendido como um acto excepcional e contrário à normalidade da convivência social, em tempo de guerra o mal cola-se ao que é banal, os princípios jazem pelas trincheiras dos campos de morte. Pérez-Reverte revela mestria na análise das transformações trazidas pela guerra, obriga-nos a mergulhar nas deformações que a mente e o espírito humano apresentam em situações limite. O ódio dos homens é dirigido contra outros homens feitos da mesma massa, e é essa percepção que a guerra não apaga. É essa percepção que se apresenta à consciência de quem mata, é esse o sinal inequívoco de que tudo deixou de fazer sentido.

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publicado por bolaseletras às 17:47

Nunca esquecer

Domingo, 11.09.11

 

 

O dia 11 de Setembro de 2011 será para mim sempre fonte de memórias contraditórias. Se por um lado me devolve a recordação de um ano inesquecível, em que trabalhei juntamente com 4 lindas colegas (3 inteligentes psicólogas e uma inesquecível secretária) num cubículo abafado do ISCTE, será inevitável associar esse dia a um punhado de horas de estupefacção, de horror e de tristeza que perpassava por essa sala e pelos rosto dessas lindas mulheres. Nesse dia de perda da inocência e de reconhecimento de que o mal é uma rosa de negros espinhos que nunca morrerá, aquele cubículo de muito trabalho, muita camaradagem e fervilhante amizade (ui, que quase queimava) ficou para sempre manchado por uma mácula que nunca nenhum de nós esquecerá.

 

A fotografia de cima foi imortalizada como a “American Pieta” e recorda-nos o padre Michal Judge, o capelão do departamento de bombeiros de Nova Iorque. Tornou-se a mais famosa vítima dos ataques, ao entrar na torre norte depois de ministrar os últimos sacramentos às pessoas que definhavam nas ruas. Um dia para nunca esquecer.

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publicado por bolaseletras às 11:55





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