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Quando a explicação para a barbárie está na ausência de respostas

Domingo, 11.05.14

 

Esta espantosa fotografia foi tirada durante uma procissão de veteranos da Segunda Guerra Mundial e seus respectivos familiares, no porto de Sebastopol, na Crimeia. As negras memórias do passado, da destruição que nunca abandonou os pesadelos desta mulher, não foram suficientes para que os homens do presente respeitassem a dor dos seus pais e avós. Se esta mulher sobreviveu ao ódio e soube seguir em frente, melhor ou pior, porque é que Putin não escolheu a paz quando tinha esse caminho livre à sua frente, como uma possibilidade, uma via para o futuro da pátria russa? Porque é que a guerra e o ódio parecem atrair de forma inelutável os homens com poder? Porque é que o povo não cessa de escolher o abismo em cada momento, em cada voto, em cada silêncio?

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publicado por bolaseletras às 21:35

O lobo de si mesmo

Quinta-feira, 03.04.14

 

De todas as teses sobre a condição humana que os mais relevantes pensadores da humanidade teceram ao longo dos tempos, desconheço se alguma se debruçou convenientemente sobre a insanidade em que o homem mergulha quando escolhe o caminho do ódio, a via da guerra sem quartel para fazer valer a sua (des)razão e afirmar convicções. Creio que não é a primeira vez que reflito sobre esta temática, porque é matéria na qual a minha opinião evoluiu ao longo dos anos. Se em tempos de juventude mais fogosa compreendia e até incentivava alguns comportamentos mais belicosos, quer individuais, quer grupais ou mesmo de nações, hoje em dia arde-me na pele assistir às fomes e doenças devastadoras que o rasto da guerra deixa pelo caminho, à pele e osso que cobre o corpo dos seres mais perfeitos do universo, essa bênção que são as crianças. A dor e a desesperança que lhes consome a idade da magia são o sinal inegável de que o homem é o lobo de si mesmo.

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publicado por bolaseletras às 17:53

Enquanto isso, pelas estepes do leste...

Domingo, 02.03.14

 

Tenho andado a ler intensamente uma miríade de artigos sobre o conflito Rússia-Ucrânia-resto do mundo. Não obstante a absorção desse manancial de sabedoria enlatada, motivada por um misto de preocupação planetária e de morbidez coscuvilheira, pouco tem mudado sobre o que já desconfiava dos meus pares, isto é, a restante humanidade. Por mais que as trombetas da realidade anunciem que estamos à beira do abismo, é como se um campo magnético irresistível nos atraísse para esse alçapão de dor, estupidez e caos. Pouco adianta esmiuçar sobre a história da Crimeia, dos Tártaros, dos ódios de Putin contra o Ocidente e dos sonhos revanchistas de mais um triste traste que a humanidade pariu, de nada serve conhecer com maior ou menor detalhe a possível eficácia das ameaças de Obama e dos estrangulamentos económicos que os EUA e a Europa possam aplicar à Rússia. Quando a ambição desmedida e o ódio dão as mãos os olhos da razão cegam sem pestanejar. O mundo está, agora sim, terrivelmente perigoso.

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publicado por bolaseletras às 21:42

Ucrânia e Síria: a mesma guerra, as vítimas de sempre

Terça-feira, 25.02.14

 

A guerra, não obstante a sua repugnância, é ainda assim explicável pelas eternas diferenças que sempre orientarão os homens e os diferentes povos. Confesso que tenho mais dificuldades em perceber a guerra no seio de um mesmo povo, como forma de afirmar ideias e de fazer valer convicções e pretensões. Estes conflitos internos, as propaladas guerras civis, tendem a destruir o que outrora fora unido, resultando na destruição do património material e imaterial de um mesmo povo. Uma nação em guerra consigo mesma não difere muito de uma sociedade em que os irmãos aprendem a odiar-se, em que os vizinhos de outrora são hoje estranhos apenas unidos pela violência. Cinzas, muita cinza, é agora esse o ar que se respira, pelo meio dos escombros de um passado de sol, das ruínas perdidas em negros rios de lágrimas. Gritos de crianças que já não ferem o coração dos pais, imunes à dor que de tão forte deixou de se sentir, crianças que já não o são porque o seu mundo acabou, já não saltam, já não brincam, já não correm nem riem, crianças que perderam a despreocupação de não ter de olhar para o lado, para o mal que espreita sem razão.

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publicado por bolaseletras às 19:18

O mundo está perigoso

Sexta-feira, 20.12.13

 

Não obstante a época supostamente festiva que atravessamos, os habitantes deste mundo insistem em torná-lo um local pouco aconselhável. Por terras lusitanas, enquanto os professores se comportam como adolescentes arruaceiros, reiterando desbragadamente que constituem uma casta única imune a qualquer processo avaliativo, pelo arquipélago madeirense os deputados fazem birras como putos traquinas. O Governo da nação, alucinadamente temerário, não desiste de jogar à cabra cega com a Lei mãe e com os supostos princípios que jurou cumprir, pondo-se mais uma vez a jeito, agora não para uma bofetada de luva branca, mas para uma chapada de mão aberta dos todo poderosos Senhores do Palácio Ratton. Poderíamos pensar que lá por fora está tudo bem, que os loucos habitam apenas esta tosca imitação de aldeia gaulesa revoltosa, mas não é bem assim. A brutalidade da guerra na Síria mostra à saciedade que o homem pode ser o pior inimigo de si próprio. A outrora nação mais poderosa do mundo, a referência moral do mundo civilizado, desmorona-se lentamente por entre as denúncias de Mr. Snowden e as vergonhosas revelações das atividades pouco recomendáveis da NSA. Em França, o Sr. Hollande foi uma montanha que pariu um rato. Por Espanha, nem a casa real escapa à sensação de que a corrupção se instalou, em definitivo, nos corredores dos poderes que representam nuestros hermanos. As luzes de Natal continuam bonitas, tudo continua na mesma. O mundo está perigoso.

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publicado por bolaseletras às 19:12

A mais cruel das armas

Quinta-feira, 10.10.13

 

 

A capacidade do ser humano magoar o seu congénere não deixa de me surpreender. Esquecendo as guerras e a violência gratuita, foco-me na principal arma de arremesso dos tempos modernos: a palavra. Mal-amanhada em papel de mercearia encerado por sentimentos contraditórios, distorcida pela raiva ou pela ignorância, torturada pela ânsia desesperada de um amor não correspondido ou impossível, a palavra transfigura-se na espada mais afiada, num chicote que rasga a carne até dilacerar a alma. Se engolíssemos todas as palavras com que já magoámos alguém explodiríamos numa azeda onda gigante de sopa de letras. Este post é para todas as mulheres e homens que já magoei, para todos os amigos e inimigos, para ti que não merecias. As desculpas nada mais são do que arrependimentos esfarrapados nos farrapos das palavras, mas é o que temos, pobres e inúteis humanos.

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publicado por bolaseletras às 18:26

O preço da viagem no "The Soconusco train"

Terça-feira, 03.09.13

 

 

Esta será mais uma fotografia da série das inesquecíveis. Um comboio intitulado pelo autor, Antonio Turok, como “The Soconusco train” (ou será mesmo o nome real do comboio?), que trilha os carris de Chiapas, no México, no longínquo ano de 1989. O que me fascina nos milhões de pormenores que nos penetram nos olhos e no cérebro quando mergulhamos nesta viagem? Os rapazes adultos à força, adultos que não serão exemplos de vida porque não lhes foi dado o tempo de serem inocentes e bem conduzidas crianças. O sorriso não está onde o vício já se instalou, a emoldurar o quadro não estão imagens que aprendemos a associar ao imaginário infantil mas sim corpos nus, não da inocente nudez como as crianças a olham, mas a nudez do pecado, aquela que desperta em adultos mal paridos as cores do desejo animal e tantas vezes violento. Esta foto diz ao ser humano que ele tem capacidade para se adaptar a tudo, mas diz-lhe também que o preço dessa adaptação à realidade não desejada, mas imposta pelas circunstâncias, pode ter um preço incalculável – o preço da felicidade.

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publicado por bolaseletras às 17:40

América - o fim do sonho?

Quinta-feira, 18.07.13

 

 

Um funcionário que põe a nu todo um plano maquiavélico de espionagem bigbrotheriana sobre cidadãos, países, governantes amigos ou inimigos. O retorno da sempre presente ameaça de conflitos raciais porque um “vigilante” branco, sob a capa da defesa da segurança do bairro e da “gente de bem” matou um jovem negro que preenchia o perfil de criminoso, mesmo que nada de criminoso tivesse feito. As armas sempre à mão, as armas que se vendem no Kit Market lá do burgo a qualquer cidadão “normal” que de um momento para o outro carrega no gatilho, ou porque viu uma sombra, ou porque não gosta dos colegas da escola ou porque afinal é maluco dos cornos e isso não estava inscrito nos “registos administrativos”. Um país sentado sobre um barril de pólvora de nacionalidades, tensões étnicas e brincadeiras perigosas de gangues. O país que elegeu um presidente negro não deixou de ser profundamente racista. Este país é demasiado perigoso para servir de leme à evolução civilizacional que supostamente deveria ocorrer de tempos a tempos. Este país precisa de parar para olhar para si, talvez colocar a hipótese de repensar-se, este país tem de parar de correr e fazer uma pausa para balanço.

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publicado por bolaseletras às 17:57

Be cool, pessoal

Segunda-feira, 15.07.13

 

 

É Verão, o calor desperta e a sede por bebidas geladas e pela prática de deliciosas asneiras aperta. Pouca gente visita esta tasca porque a inclemente canícula obriga a outras paragens, inclusive a paragens cerebrais e nos elaborados raciocínios analíticos que a permanência neste tabernáculo por mais de 5 minutos obriga (sim, porque os meus posts são profundos, complexos e apenas se encontram ao alcance das mentes mais esclarecidas). Devíamos todos passar o dia deitados, como a simpática e agradável moça que ilustra este post, simplesmente aguardando que mão amiga ou amada chegasse perto de nós uma boa dose de álcool, sabiamente diluída numa perfeita proporção de gelo e de sol. Devíamos dar cor à pele e corda aos sapatos, ir para onde os mails não nos cheguem, para paraísos onde a rede de telemóvel se dissolva no poder do dolce fare niente. Mas não, os mails idiotas de gente ressabiada que não vai, ainda não foi, ou a ir de férias tem consciência que terá umas férias de merda, os mails dessa turba raivosa continuam a massacrar-me os dias, os dias de um humilde servidor público que pacientemente aguarda as suas merecidas férias, que espero resplandecentes e longe, bem longe de tanta gente que martela as teclas com a fúria de quem acredita piamente que do lado do destinatário está um inimigo a abater. Pessoal, vamos a ter calma, a vida é bela, quase sempre somos nós que damos cabo dela.

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publicado por bolaseletras às 17:28

Para o amor e para o ódio não há idade

Sexta-feira, 14.06.13

 

 

Pelo que li esta fotografia é de uma mulher arménia de 106 anos, sentada na entrada da sua casa, em Degh, perto da fronteira com o Azerbeijão, fazendo de vigilante, muito bem equipada com uma AK-47. Custa a creditar que esta fotografia seja real, custa a crer que com o passar dos anos o ódio se mantenha vincado na nossa face como no primeiro dia em que sentimos a sua dilacerante força.

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publicado por bolaseletras às 19:49





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