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Ruddy Roye - disparos que valem a pena

Segunda-feira, 07.04.14

 

A fotografia é, provavelmente, a arte mais ao alcance do comum mortal. Milhões de tentativas de imortalizar um rosto ou uma paisagem povoam as redes sociais, convencem as gentes que afinal, por trás de tanta boçalidade afinal um pingo de genialidade lhes tempera a lhanesa de espírito. Já não são só os irritantes turistas orientais que disparam flashes sem parar, somos todos nós, loucos, distraídos no desespero de apanhar aquele sorriso do petiz, aquele pôr-do-sol inimitável, aquele segundo que já se foi mas que queremos imortal. Em vez de viver buscamos a prova de que vivemos e assim lá vamos vivendo. Tanta conversa para falar de Radcliffe Roye, a.k.a Ruddy Roye, um fotógrafo de Brooklyn que se inspira nas pessoas, muitas vezes nos sem abrigo, nos que nada têm, ou nos eternos emigrantes na América, tantas vezes os seus conterrâneos Jamaicanos. No meio de tanto flash há disparos que nos tocam, os de Ruddy são disso um belo exemplo, com sabor e cheiro a gente, a vida, a vida que nos toca.

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publicado por bolaseletras às 18:37

O Bolas armado em moderninho

Segunda-feira, 10.03.14

 

O Bolas e Letras não é homofóbico mas prefere mulheres. O Bolas não é contra a co-adopção e afins mas prefere que os miúdos cresçam com pai e mãe. Ainda assim, o Bolas prefere a co-adopção por pessoas do mesmo sexo a crianças abandonadas, institucionalizadas ou a viver em lares heterossexuais mas disfuncionais. O Bolas tem amigos homessexuais e acha-os pessoas perfeitamente normais, como eu e vocês (ou pelo menos alguns de vocês). De que é que isto vem a propósito? Desta fantástica fotografia de Carol Julien. A arte sempre teve o condão de me tirar do peito pensamentos enclausurados.

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publicado por bolaseletras às 18:27

"O Mapa e o Território", de Michel Houellebecq

Quinta-feira, 05.12.13

 

Por entre a viciante asfixia da vida familiar, contornando ainda os crescentes afazeres profissionais, tentando também evitar o sugador de tempo de leitura que é esse maldito artefacto que é o smartphone que incessantemente despeja notícias e opiniões sobre um curioso cidadão, não é fácil parar para pensar, para apelar à memória e, assim, eleger o melhor livro que li em 2013, aquele que mais mexeu comigo. Percorro as estantes e é impossível não sorrir quando recordo o prazer que me deu ler “O Mapa e o Território” de Michel Houellebecq. Os livros dão-me prazer pela elegância da escrita mas, sobretudo, pelo conteúdo, pela vida que neles encontro, pelo que neles reconheço da vida que vivemos, que sonhamos viver ou na qual tememos reconhecer-nos.

 

Na obra em questão encontramos o pessimismo de um autor que tem em si essa marca da descrença, ao mesmo tempo que nos cruzamos com o estado de sufoco em que tantos de nós nos reconhecemos, aquela esmagadora pressão que a sociedade exerce sobre nós. Falo das sempre conturbadas relações entre gerações, dos constantes desencontros entre filhos e pais, falo das personagens em cuja pele entramos apenas para percebermos que estas não se reconhecem no mundo e na situação em que vivem, falo dos amantes que subjugam o amor à subida na escada profissional e económica, mas falo também de quem tudo tem e, ainda assim, não descobre a paz e a felicidade por entre os cifrões e a fama. O protagonista, um artista que transforma em arte uns meros mapas Michelin que 99% das pessoas nunca veriam como arte, mostra-nos que a beleza está onde menos esperamos encontrá-la, que dentro de nós temos essa capacidade única e mágica de fazer arte a partir do nada. E por falar em beleza e arte, termino com um trecho do livro em que o protagonista explana a sua opinião sobre o que é ou deve ser um artista. Inspirador…deixemo-nos inspirar e sejamos obedientes.

 

“Muitos anos mais tarde, quando se tornou célebre – e até, a bem dizer, muitíssimo célebre -, iriam interrogar Jed várias vezes acerca do que na sua opinião significava ser artista. Não iria encontrar nada de muito interessante nem de muito original para dizer, com excepção de uma coisa, que por conseguinte iria repetir em quase todas as entrevistas: na sua opinião, ser artista era acima de tudo ser uma pessoa obediente. Obediente a mensagens misteriosas, imprevisíveis, que, à falta de melhor, e não existindo qualquer crença religiosa, havia que qualificar como intuições; mensagens que nem por isso deixavam de se impor de maneira imperiosa, categórica, sem dar à pessoa a mínima possibilidade de se lhe furtar – sob pena de perder qualquer noção de integridade e qualquer respeito por si própria.”

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publicado por bolaseletras às 17:04

Jonathan Franzen

Segunda-feira, 27.05.13

 

 

Entrei no mundo de Jonathan Franzen através do livro “Correções” e descobri um escritor magnífico. Franzen possui uma voz singular, apaixonada, que nunca desiste de mergulhar mais e mais na vida das suas personagens - pessoas comuns - e nas impenetráveis formas que estas adoptam para se relacionarem. O autor norte americano, natural de Ilinois, é igualmente ensaísta e jornalista, sendo conhecido por ser um escritor apaixonado pela sua profissão: escrever, escrever e escrever. Para Franzen escrever é estar muito infeliz da forma mais feliz possível, sendo que a infelicidade tanto pode estar na preocupação com o livro, com a inspiração, com a última página, o momento em que a relação do autor com as personagens termina, momento que já o fez chorar. Mas há também a felicidade de estar completamente preso na obra criativa, a felicidade de querer que o dia seguinte chegue de novo para voltar a escrever, de saber que no dia seguinte o que há a fazer é escrever, escrever é tudo aquilo que terá de fazer. A paixão de Franzen pela arte da escrita sente-se nas frases, nas pausas, nas imagens que nos transmite e planta na nossa mente e pele. O amor continua a ser a mais forte inspiração a que o homem se pode agarrar.

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publicado por bolaseletras às 18:18

Dentro dos olhos

Sábado, 18.05.13

 

 

Há fotografias que inexplicavelmente nos fascinam. A de cima, desenquadrada, aparentemente vazia de conceitos/objectos/imagens que permitam classificá-la como bela, perturba-me. Olhei, olhei e não percebi porque me deixei tocar pela estranha combinação de elementos que nela habitam. Que força é esta que a decadente combinação de cores e motivos exerce sobre mim? Voltei à imagem alguns dias depois e compreendi. Os olhos, os dois olhares, o de papel e o real. Os olhares, não sendo iguais, transmitem a mesma sensação. Como se por trás daqueles dois pares de esferas vítreas residisse uma qualquer certeza inabalável que se traduz numa indiferença olímpica, num vislumbre de desconcertante desprezo. Pausa.

 

Paro e olho melhor, mais fundo, mais dentro dos olhos. Vendo melhor, há naqueles olhares algum receio, uma certa dose de perplexidade, um conjunto de dúvidas que estão por colocar mas que suspeitamos nunca verão a luz do dia. Amanhã volto, parece-me que ainda não vi a luz que me faça desvendar este inexplicável fascínio.

 

 Fotografia de Albert Jodar

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publicado por bolaseletras às 23:02

Work in progress

Terça-feira, 09.04.13

 

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publicado por bolaseletras às 17:36

Não basta disparar

Segunda-feira, 25.02.13

 

“The Hunter”, 1960, por Nikolas Koslovskiy

 

Há quem diga que a fotografia é a arte mais fácil, mais democrática, ao alcance de demasiada gente, inclusive daqueles a quem a divina providência negou o talento. É exactamente por esses motivos que considero a fotografia, como arte popular, a mais selectiva das artes. Porque se hoje qualquer maduro pode capturar centenas de imagens em poucos segundos, já acertar com os disparos na inimitável beleza, no cerne da condição humana, naquele milésimo de segundo que revela a verdade de um momento único, esse tiro só está ao alcance dos eleitos.

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publicado por bolaseletras às 21:56

Debaixo da terra, debaixo da pele

Terça-feira, 03.07.12
 

Neil Goldberg, um artista que, como todos os outros, procura o Santo Graal da eterna originalidade, mergulhou nas entranhas da terra e procurou a poesia no metropolitano de Nova Iorque. Para tal, pediu a alguns passageiros para permanecerem imóveis na plataforma enquanto a carruagem se aproximava. Poesia por entre o cinzento das pessoas, o ferro sem cor, o metal gélido, poesia no mundo da anti-poesia. Não sei se é pela falta de sol ou pela tristeza congénita dos lisboetas, mas nas entranhas da rede metropolitana de Lisboa a poesia é pecado, o sorriso está proibido, os olhos carregados de dor, de indiferença ou de singelo mas dorido aborrecimento são a única forma de arte possível de encontrar. Mas como as formas de arte não incluem este expressionismo sem cor temo que no metro de Lisboa a poesia esteja interdita. E já era assim antes da propalada crise, não adianta pensar em explicações conjunturais. A crise habita em nós como uma sanguessuga imortal.

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publicado por bolaseletras às 12:49

Arte ou talvez não

Segunda-feira, 24.10.11

 

 

Não sei se é arte ou simples nudez. Haverá quem diga que é erotismo barato com aspirações a pornografia soft. Sei que uma mulher que se entrega sem pudor aos prazeres de um livro é pura sedução e beleza. E beleza é arte. E a arte conquista-nos pela sedução.

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publicado por bolaseletras às 18:12

Anthony Hannibal Hopkins

Sexta-feira, 01.07.11

 

 

Há actores imortais, artistas que eternizam as suas criações. Estas contrariam a sua natureza de obra original na medida em que, pela sua força e credibilidade, parecem existir de facto, pertencer à figura de carne e osso que lhes apresenta a luz da vida, colam-se à sua pele e carne, confundem-se no seu inacreditável esforço de mutação. Hannibal Lecter é Anthony Hopkins, nunca este conseguirá desligar-se da sua demoníaca criação. Hopkins é muito mais do que o monstro Lecter, mas será sempre assombrado por este. Pisar os caminhos do demónio teria inevitavelmente o seu preço.

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publicado por bolaseletras às 13:31





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