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Seis - M

Terça-feira, 30.06.15

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Esta fotografia do meu filho Miguel foi tirada o ano passado por alturas do mundial de futebol. Já então ele adorava futebol e o nosso Cristiano Ronaldo, já então ele tinha tendência para observar o horizonte e ficar com aquele ar sonhador que aperta o coração de qualquer pai, quer pelo orgulho no filho, quer pelo receio de que os sonhos que lhes alimentam a vida possam não ser tão brilhantes e inocentes como quereríamos para eles. Falo dos meus filhos aqui pelo blog para um dia lhes mostrar o quanto me inspiraram, o orgulho que neles senti e o prazer que me deu partilhar com o mundo (com quem me atura por aqui, melhor dizendo) a sua existência, o mero facto de existirem. Obrigado Miguel por tudo o que me dás, pelos teus abraços e mimos, pelas tuas birras que só podem ter como intenção melhorar o meu auto-controlo e capacidade de dar a volta à adversidade (mesmo quando desconhecemos as suas causas), obrigado pelos sorrisos, pela alegria pura, pelas perguntas que não paras de fazer, pela tua sede de vida e de alegria. Seis anos de ti, Miguelinho, obrigado por isso e muito mais! Parabéns puto, muitos parabéns e felicidade sem fim! 

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publicado por bolaseletras às 09:48

Jorge, Julen, vejam lá isso

Segunda-feira, 27.04.15

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Podia elaborar uma fantástica tese sobre a justeza do punhetazo do Lopotegui ou sobre a incapacidade do espanhol em perdoar os iletrados barraqueiros com apelidos divinos, mas prefiro sublinhar que os Olivais continuam a cheirar a relva molhada e a gente simples mas bem falante, ainda que nem sempre com a dentição completa. Regressei ao que fui e ao sítio onde fui feliz para fazer dos seres que me são queridos ainda mais felizes. Fica o recado para o Jorge e o Julen, sejam felizes!

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publicado por bolaseletras às 21:43

40 - Para memória futura (e obrigado Tanaka!)

Domingo, 11.01.15

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Quarenta aninhos. Histórias, muitas histórias, travessuras infantis, loucuras juvenis, algum “ajuizamento” nos anos que dizem ser os da idade adulta. Não obstante, persiste a “despreocupada preocupação” em deixar que a jovialidade me acompanhe, que ajude mesmo a temperar o ramalhete da propalada maturidade. Amigos, muitos, alguns muito bons, outros bons, outros que apesar de estarem longe nunca abandonaram este cantinho do coração que os mantém na exclusividade da excelência dessa pedra preciosa que é a amizade incondicional. Inimigos poucos, mas de qualidade, para me manter alerta e não me deixar amolecer. Namoricos que bastem, desgostos que se esfumaram, alegrias que não esqueço. Ao cabo e ao resto tudo acaba por desembocar na família, a família que vem de trás, que ajudou a moldar o barro e que sempre me apoiou e acompanhou, a família que nasceu comigo e que espero me conduza até à última morada. O cheiro da erva molhada, os meus Olivais, o paraíso onde regresso nos meus quarenta anos, onde espero que os meus filhos venham a ser tão felizes como eu fui. Por último mas não em último, o Bolas e Letras, a casa da liberdade, da poesia, da suave transgressão, esta maravilhosa tasca onde exercito as meninges, o humor e onde tive a sorte de encontrar ainda mais amigos. Sou rapazinho para beber mais quarenta.

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publicado por bolaseletras às 22:55

Da renúncia, por Ana Cássia Rebelo

Quarta-feira, 04.06.14

 

A Ana Cássia Rebelo (http://ana-de-amsterdam.blogspot.pt/) tem a rara capacidade de provocar tremores de terra cirúrgicos. As palavras que nos atira à cara são ásperas, feias e ferem. Após o primeiro embate, quando voltamos a elas para confirmar as indesejadas sensações, percebemos que os caminhos da verdade são, mais que tortuosos, dolorosos. Nunca nada se conseguiu sem sofrimento. Fiquem com a Ana de Amsterdam.

 

“Fiz a aprendizagem da minha condição e, com passividade absoluta, acatei leis antigas. Aprendi o meu papel no casamento e na cama. Fui uma deusa morta, não uma mulher viva. Distribuí sorrisos, fiz sopas, massas guisadas, bolos de erva-doce, lavei copos e pratos, estendi cuecas, meias, lençóis; à noite, abri as pernas, arfei de cansaço e aborrecimento, recebi o esperma conjugal, virei-me para o lado e adormeci. Mas a máscara ainda não estava enterrada na carne do meu rosto. Numa noite de Verão, raspei os nós dos dedos na parede até os ver sangrar, mordi os braços, cuspi no espelho, arranquei a roupa do corpo e, assim nua, fugi. Uma desconhecida encontrou-me no largo da aldeia, encolhida junto de um canteiro de goivos. Levou-me para casa, lavou-me as feridas. Depois, sem nada perguntar, explicou-me o óbvio: não há maior tragédia na vida de uma mulher do que a renúncia; antes o desespero e a loucura.”

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publicado por bolaseletras às 18:00

O Bolas armado em moderninho

Segunda-feira, 10.03.14

 

O Bolas e Letras não é homofóbico mas prefere mulheres. O Bolas não é contra a co-adopção e afins mas prefere que os miúdos cresçam com pai e mãe. Ainda assim, o Bolas prefere a co-adopção por pessoas do mesmo sexo a crianças abandonadas, institucionalizadas ou a viver em lares heterossexuais mas disfuncionais. O Bolas tem amigos homessexuais e acha-os pessoas perfeitamente normais, como eu e vocês (ou pelo menos alguns de vocês). De que é que isto vem a propósito? Desta fantástica fotografia de Carol Julien. A arte sempre teve o condão de me tirar do peito pensamentos enclausurados.

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publicado por bolaseletras às 18:27

Diálogos para um crescimento sustentado

Quarta-feira, 26.02.14

 

- Pai, este angry bird é gordo!

- Pois é.

- É parecido contigo.

- Porquê???

- Porque é gordo.

- Eu sou gordo?

- Tens a barriga assim grande (construindo com as duas mãos uma forma oval na qual, obviamente, não me reconheço). Enquanto a mãe se ria descontroladamente, contra-ataquei com as minhas melhores armas.

- Já vi que tu hoje queres dormir na rua.

- Nãaaaaao!!!!!!!!

- Então só tens que perceber que o pai não é gordo, é forte.

- Hum. – seguido de um silêncio perturbador.

- O que é que o pai é, Miguel? – insistência esperançosa.

- Forte…

 

Nada como um bom diálogo pai filho para promover a harmonia familiar.

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publicado por bolaseletras às 18:23

O caminho

Sábado, 08.02.14

 

Fotografia de Hauro Ohara

 

Digam os pais o que disserem, mas por mais que se armem em modernaços os caminhos que trilharam pouco diferem daqueles para onde procuram orientar as crias. Pensam que com toda a experiência adquirida o trilho está agora livre de obstáculos, nítido e prometedor como sempre o desejaram. Até que chega o dia, o fatídico dia, aquele que sempre temeram mas que preferiram acreditar não surgiria. O dia em que as crias sorriem, condescendentes e  preparadas para a tempestade que se aproxima, informando que esse caminho é história e que a história delas não será essa. Choro e ranger de dentes, acusações, premonições, recriminações e incessantes recomendações para evitar o desvio do virtuoso caminho. A insistência repele as crias, o confronto tende a esvaziar o balão do amor, ameaçando a harmonia até então vivida. A sabedoria está num equilíbrio que o homem insiste em desconhecer, como se o dia seguinte fosse sempre o último, como se não houvesse milhões de caminhos para a felicidade. O segredo para dobrarmos esse cabo das tormentas poderá estar na capacidade de nos auto-questionarmos com duas singelas perguntas: este caminho, fez-nos real e devidamente felizes? É este o grau de felicidade que queremos que os nossos filhos alcancem? Pensem e questionem-se, pensem nisso.

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publicado por bolaseletras às 19:57

Apesar de tudo, o melhor do mundo são as crianças

Sábado, 01.02.14

 

O primogénito Miguel inicia a saga familiar como a primeira vítima da gripe. No dia seguinte, o pequeno Francisco soçobra ao maldito vírus, não sendo por isso de surpreender que os pais se juntassem aos seus descendentes num abraço de cúmplice solidariedade. Quatro dias depois, isolados em casa para sua protecção e dos colegas de escola e do trabalho, os pais assistem a uma célere recuperação das crias enquanto penam sob a mais inclemente gripalhada de que se recordam. Esquecendo os fait divers de ter de tratar, alimentar, lavar, distrair, lavar as lágrimas, os xixis e cocós dos dois pequenos diabinhos, tudo isto sob uma carraspana das antigas, o mais complicado acaba por ser equilibrar as lutas dos dois irmãos (20 meses vs 4 anos e meio) na conquista do seu espaço. O mais velho facilmente faz impor a sua natural superiodidade física, mas o mais novo joga na perfeição pela calada, quando finge que vai dar uma festa na cara ou no cabelo ao mano, rapidamente invertendo o movimento para um violento puxar de cabelos ou um doloroso apertar de bochecha. Repreendido por mim com uma palmada na mão pela ignóbil maldade, berra que nem um condenado, logo consolado pelo irmão coração de manteiga que lhe dá festas na mão e lhe diz que já passou. Nem a maldade se apura com o crescimento nem a bondade se esfuma com o passar dos anos. Por outro lado, vejo no mais novo uma doçura pura como encontro no mais velho matizes de inocente crueldade. Logo a seguir tudo isso se inverte e logo um toma o lugar do outro confundindo-me as percepções. Acerca das crianças, tal e qual como nos homens, as certezas são a defesa dos ignorantes ou dos distraídos. Quatro dias de gripe, uma eternidade de conhecimento.

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publicado por bolaseletras às 13:46

Para o meu docinho de amêndoa

Sábado, 02.11.13

Esta mulher anónima partiu em busca do silêncio, de si e da paz de espírito e não sabe se regressa. Nos ombros suportava a alegria e o equilíbrio da família, nas mãos secas e gretadas jaziam quilos de roupa e refeicoes, as escassas horas que sobraram dedicara-as a ser mulher, amante, mãe, funcionária dedicada de um patrão ingrato. Esta mulher, ao contrário da esmagadora maioria, não teve mais coração para amar e não conseguiu encontrar-se a si no tanto que dava aos outros, pelo que no dia de mais um aniversário partiu em busca de si. Obrigado por estares sempre aqui meu docinho, por me e nos dares tanto de ti, não deixando de seres tu. Parabéns!

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publicado por bolaseletras às 13:28

Eu, António, me confesso

Segunda-feira, 07.10.13

 

 

Se a Sara escreve, publica e se calhar até vende uns milhares de exemplares, eu também posso! Deixa-me cá ir pensando nuns títulos e sub-títulos sonantes e irresistíveis:

 

Eu, funcionário público, me confesso.

Tive tudo para ser um advogado ao nível do Marinho Pinto. Mas acabei manga de alpaca e dependente da burocracia. E a culpa foi das saudosas 7 horas semanais.

 

Eu, sportinguista, me confesso.

Tive tudo para ganhar ligas dos campeões e campeonatos sem parar. Mas acabei apaixonado pelo rugido do leão e pelo vício do masoquismo. E a culpa foi do Damas, do Jordão, do Balakov e agora do Montero.

 

Eu, homem de família, me confesso.

Tive tudo para ser um D. Juan dos tempos modernos, um Casanova olivalense. Mas acabei agarrado ao conforto e encantos do lar, às delícias da vida familiar. E a culpa foi de dois pirralhinhos, um sensível como a seda, outro duro e irredutível como uma rocha milenar.

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publicado por bolaseletras às 00:34





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