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A escada quebrada da ascensão social

Quarta-feira, 29.07.15

z_gata borralheira.jpg 

Já não podia ouvir mais aquela torrente de conselhos que quem nasceu com o cu virado para a lua inisistia em dar-lhe incessantemente. “Que a vida é o que nós quisermos”, “que o nosso futuro somos nós que o construímos”, “que o sucesso só depende do nosso empenho” e “que quem porfia sempre alcança”. Badamerda para todas! Sentira no corpo o que lhe custara trabalhar para pagar um curso, só ela sabia do que abdicara, só ela guardava no baú das suas tristezas os dias de praia que não tivera entre exames, só ela chorava as noites de copos e amores loucos de que abdicara. Tinham o rei na barriga, aquelas cabras fúteis que se diziam suas amigas, nunca saberiam o significado da palavra “luta”, nunca sentiriam o cheiro pegajoso do suor de quem estrebucha no meio da merda para respirar um pouco acima da tona de água da mediania. Não sabia se iria aguentar muito mais, se aquele desígnio a que se propusera - de ser uma mulher independente e honrada - valeria um emprego que detestava e que lhe cerceava a vontade de sonhar, tudo isso só para conseguir pagar a renda e fazer três refeições por dia. Sempre adorara viver, mas cada vez mais sentia que a vida que vivia se resumia a sobreviver. Se calhar ia ceder e fazer como muitas que conhecia e que tinham as suas raízes. Um dia casava-se com um beto rico e desmiolado, que saberia nunca iria amar, e pelo menos acabavam-se as vassouras, os lençóis dos outros, o ferro de engomar vestidinhos da senhora. Seria isso viver? 

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publicado por bolaseletras às 12:47


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