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Anjos, demónios e a paz dos dias de hoje

Segunda-feira, 23.01.17

 

z_anjos e diabos.jpg

 

Num ecossistema em que predominam pessoas de boa índole, trato dócil e a temperança nas relações interpessoais (família, emprego, grupo de amigos, comunidade local) frequentemente se deteta alguma dificuldade em denunciar possíveis fontes de perigo ou comportamentos desviantes. Os membros do grupo sentem que os laços são fortes e estáveis pelo que não vislumbram (ou preferem não o fazer) que os indícios do desvio à estabilidade grupal não são de desprezar. Essa ausência de acção consolida-se e cristaliza-se após a concretização do que se pretendia ocultar. Isso sucede porque os elementos do grupo/comunidade não querem sujeitar-se à exposição de quem põe o dedo na ferida, convictos de que se não pensarem ou fizerem algo sobre o tema pode ser que ele caia no esquecimento ou se esfume por si só. Procura-se que as tentações e a sua concretização pecaminosa, a suceder, fiquem na esfera de cada qual, mesmo que de todos sejam conhecidas. Se não se fala não existe. O silêncio, os olhos fechados e os bicos calados são a regra de ouro de uma organização pacificada. Quem diria que a fonte da paz é, afinal, a hipocrisia.

 

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publicado por bolaseletras às 09:53


4 comentários

De Teresa Faria a 23.01.2017 às 16:58

A velha questão de se confundir a obra prima com a prima do mestre de obras...
A fonte da paz não é, de todo, a hipocrisia. A questão é que, dando demasiado trabalho conquistar a obra prima, opta-se por se ficar pela prima do mestre. Que é como quem diz: conquistar a paz dá muita chatice, a malta escolhe a paz podre.
A paz, digo-te eu, vem justamente da verdade.
"The truth shall set you free." Nunca ouvi "the truth will strengthen your bonds with the community"...
Todos querem a paz, poucos estão dispostos a pagar o seu preço que, muitas vezes, passa por cortar alguns vínculos (com aqueles que, no seu direito, continuam a escolher viver na paz podre).
Paz e paz podre terão os seus ganhos e os seus custos. A primeira traz-te liberdade, o bem-estar de gostares do que vês ao espelho e, possivelmente, alguma solidão. A segunda mantém-te ligado aos grupos, dá-te a sensação de pertença e, possivelmente, o mau-estar inerente a viver na/em podridão.
A única questão é: o que é, para cada um, realmente importante ganhar, e que preço está disposto a pagar.

De bolaseletras a 23.01.2017 às 22:57

Por isso a prima do mestre de obras vivia um amor podre, numa família podre, numa sociedade podre. Sonhava em poder sentir o que sentia e dizê-lo sem medo e sem travões, mas aquela paz era por outro lado confortável. Não havia guerras, não havia gritos, os dias passavam sem incómodo de maior. A obra não se fazia e ela já se habituara ao cheiro da podridão. Os sonhos morriam no conforto do cheiro a mofo.

De Teresa Faria a 24.01.2017 às 09:10

Como sempre, as escolhas e os seus prós e contras.

P. S. Que delícia ler-te quando a inspiração te bate desta maneira!

Boa semana!

De bolaseletras a 24.01.2017 às 09:24

Obrigado, às vezes lá sai qualquer coisa de jeito...:;')boa semana!

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