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Bom dia

Terça-feira, 17.01.17

 

William Klein.png

 

Vultos sem expressão, contornos dos rostos plastificados, trejeitos faciais mecânicos ou inexistentes. Movem-se silenciosamente umas por entre as outras, uma multidão de almas apressadas em uníssono, como se o destino estivesse há muito marcado, como se aquela fosse a última caminhada. Os olhares não se cruzam mais por desinteresse do que por receio, sinal de que só o mundinho em que se vive interessa, o restrito círculo familiar e de gente conhecida (amigos? esta gente terá amigos verdadeiramente?) é mais do que suficiente, esgotando qualquer outra vontade ou necessidade de interação. O mundo será tão melhor quando entrarmos no metro, numa qualquer loja ou supermercado e dissermos com um sorriso sincero e fraterno bom dia aos colegas passageiros, aos empregados e aos colegas consumistas. Está tão perto essa possibilidade de vivermos num mundo diferente para melhor que só um ser tão obtuso como o ser humano conseguiria tornar tão distante esse objectivo.

 

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publicado por bolaseletras às 09:39


3 comentários

De Teresa a 18.01.2017 às 09:00

Deixei de andar de transportes públicos mas não me recordo nada disso. Sim, há esforços de alguns em que a atmosfera seja essa mas a esses não prestava atenção. Eu acho que quem se foca no negativo acaba por desperdiçar, e perder, todo o positivo. E ali vão pessoas. Com vidas. Com tiques. E que são muito interessantes de observar e (com)partilhar.

Acho que muitas vezes olhamos para os que não (me) interessam e acabamos por perder os que sim. O que faz de nós um dos primeiros.


Faz lembrar aquela história do Professor que chegou à sala e sem dizer palavra dirigiu-se ao quadro (na altura eram pretos; agora são verdes - o que hoje é a mesma coisa ) e desenhou um ponto branco. Virou-se para a turma e perguntou "o que vêm aqui?". Os miúdos responderam "um ponto branco" ao que o professor disse "impressionante, e ninguém vê o quadro preto"

Be The Change, Caro António!

De bolaseletras a 19.01.2017 às 10:35

As pessoas são sempre interessantes de observar, até a sua falta de expressividade não deixa de ser interessante. Vemos o que queremos, sim, Teresa, mas sugiro que entres no metro pelas 8h30 da manhã para ver se vês o que vias quando andavas de transportes públicos...não sei, pode ser do frio, ou de mim. Não sei se serei a mudança, pelo menos vou tentar não me juntar a eles mesmo não os podendo vencer;-).

De Teresa a 19.01.2017 às 12:13

Estou a viver (o que parecer ser a primeira) adolescência.
Venho de mota e nem mesmo pela experiência antropológica que me levasse a Estocolmo receber o Nobel eu prescindo dela.

Mas apaixonada como sou por Lisboa todas as semanas tiro um dia e uma hora de almoço e vou a algum lado. E vou de transportes públicos. O Metro é o de eleição porque é aquele com que cresci e como tal conheço melhor. E observo imenso. Porque essa fuga por Lisboa é também uma fuga ao meu Povo...

Sempre fomos assim António. O que acontece é... és tu. Tu basicamente vês o outro. Não pelo teu olhar mas pelo teu sentir e quando o que sentes e o que vês é parecido então não tens dúvida que isto está mal, que está frio... quando dentro de ti arde fogo (qualquer que ele seja) e do outro lado encontras um gelo (que nos é - volto a dizer - característico [não é o gelo da Europa do Norte "couldn't care less" mas um gelo nosso de eterna saudade de algo, alguém, de nós...]) aí e que se dá o espanto e a observância daquilo que parece plástico, quase mumico.

Mas há em todo o lado. Na minha empresa deu-se uma migração de pessoas que vieram contrariadas, zangadas, tristes e toda a má onda que podes imaginar. Dei logo conta. Porquê? Porque eu não estava nessa onda. Mas lembro-se de há anos ter estado... e esse lembrar faz-me fazer diferente - logo (se por algum azar - que eu sou boa mas não sou masoquista ahahahah) se vou no elevador ao sair desejo bom dia com sorriso, se vejo que a pessoa não marcou o andar pergunto se vai para o meu, se vejo rabujice entre um grupo procuro o que não está na mesma "onda" e pisco o olho e aos poucos "vamos lá".
Be The Change (tu és, oh se és) era isso que eu queria dizer. Sê mais o teu Picasso do post seguinte Se não em arrebates de paixão em arrebates de humanidade.

Abraço,
T

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