Bolas e Letras
Era para ser sobre futebol e livros. Mas há tanto mundo mais, a mente humana dispersa-se perdidamente, o país tem tanto sobre que perorar, eu perco-me de amores bem para lá da bola e das letras: Evas, vinho, amor, amigos, cinema, viagens, eu sei lá!
Cães, gatos e adolescentes (não confundir com feios, porcos e maus)

Tenho uma grande admiração pelo Ricardo Araújo Pereira, o que não me impede de ter igualmente um problema com a sua ofuscante omnipresença. Se por um lado já fez tanto, mas tanto por provar que é possível fazer melhor, diferente, que o humor pode ser inteligência pura, que para se fazer humor não é preciso descer aos infernos da boçalidade, por outro esbarro sempre no meu preconceito contra aqueles que aparecem muito, sem parar, a todo o momento. Não obstante essa dualidade que me assalta o espírito, o RAP assume-se invariavelmente como música para os nossos ouvidos. Fiquemo-nos por esta pequena pérola:
“Quando, há pouco tempo, passei a ter um gato, comecei a perceber a razão do fascínio. De facto, é um bicho que nos despreza de uma forma muito elegante. Está evidentemente convencido da sua superioridade em relação a nós – e é capaz de ter razão. Mas continuo firme no meu entusiasmo em relação aos cães. Os gatos sabem qualquer coisa; os cães são tão estúpidos como eu – o que lhes dá um encanto muito especial. Os gatos parecem ter uma informação importante acerca do que é isto de estar vivo; os cães não fazem a mínima ideia do que andam aqui a fazer. Acham quase tudo espantoso e não têm vergonha desse maravilhamento constante, apesar de ser tão parecido com a estupidez. Os cães são crianças, os gatos são filhos adolescentes: também nos amam, embora com alguma relutância, acham mesmo que são independentes, e às vezes estão escondidos num armário. É a adolescência sem tirar nem pôr.”
Trecho de artigo publicado na Revista Visão e roubado daqui: http://frenchkissin.blogspot.pt/
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3 comentários
De Teresa a 06.11.2014 às 18:28
O que não é necessariamente verdadeiro.
Só posso dizer que tenho imensa sorte com os meus filhos que têm sido, em todas as fases das suas vidas, deliciosos cãezinhos - amigos, leais, verdadeiros, participativos da sua própria vida e da/na de outros.
Adoro gatos mas grande parte do mito tem a ver com esse mistério de quem, basicamente, nada tem para acrescentar e não se pode dar ao luxo de se incomodar com.
É uma pena se os miúdos na adolescência - que considero uma das fases mais apaixonantes que compartilhamos com eles - adoptem essa atitude e pose.
“... certain people appear bright until you hear them speak.”
― Albert Einstein
Algo me diz que se os gatos falassem...
