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Da filosofia por praias tailandesas até ao deserto bem lusitano

Quinta-feira, 09.10.14

nuno-crato[1].jpg

Não sei se é de mim, mas tive a sorte e o privilégio de ter beneficiado, ao longo da minha carreira estudantil, dos conhecimentos de fantásticos professores* (não todos, mas gosto de lembrar as pessoas que interessam), com particular destaque para alguns professores de educação física. Não sei porquê, mas sempre me surpreendeu que pessoas tão sábias da vida e de outras artes tenham optado pelo ensino das coisas do corpo e não da mente (isto, sem prejuízo, claro está, de bem saber que mente sã só existe em corpo são). Bom, pensando melhor, essa terá sido provavelmente uma opção sábia - ter como desculpa o corpo para nos cultivar a mente.Um desses professores das artes físicas, fazendo jus à sabedoria que conheci há mais de vinte anos atrás, escreveu hoje no facebook um brilhante e certeiro texto sobre a, hum, o, bem, nem sei como lhe chamar...Fico-me por aqui, deliciem-se. 

“«Filosoficamente todo o agora é passado. Do tempo temos a memória do passado, que é todo o tempo que passa e a expectativa do futuro - esse horizonte que se afasta de nós à medida que ilusoriamente nos aproximamos dele. Verdadeiramente, a única dimensão do tempo que possuimos é o presente! Dos que se mantêm vivos no presente, não significa que se manterão vivos no futuro ».” - Filósofo popular de uma praia de Phuket. 

A mesma criatura, corrigindo, referiu que as pessoas devem estar atentas ao que ele diz. E ao não dizer “as pessoas manter-se-ão”, o Sr Ministro admite que o seu verbo induz os seus interlocutores em conclusões contrárias à sua acção. Normalmente isto seria considerado má fé, coisa que se dispensa em tão alto magistrado da Nação, mas, alevá!

Disse ainda o mesmo magistrado, no que foi entendido como a assunção de responsabilidades pelo descalabro do inicio deste ano lectivo:”Agora voltarei para a minha Universidade de Lisboa”. À cautela, sentei-me à espera! E ainda bem que o fiz, porque o tempo e o modo da asserção ministerial tinha uma pendência semântica e ainda estou à espera do cumprimento da promessa!

Atentemos na especulação sobre o tempo da autoria do Filosofo Budista da praia de Phuket: o advérbio agora é uma intenção comida pelo tempo e a forma verbal voltarei só pode ser uma expectativa. Por consequência, sendo a formulação de um desejo só se poderá concretizar no futuro.

O nosso primeiro, quiçá armado da filosofia oriental, foi veleiro no esclarecimento : “O Sr. Ministro da Educação há-de um dia regressar à sua Universidade de Lisboa. Não será agora!”

Pois claro, o professor universitário Crato ao dizer que voltaria para a Universidade, nunca quis dizer que não fica no ministério da Educação. Neste governo eles passam o tempo a clarificar-se uns aos outros sobre o que uns e outros dizem. Até parece que não sabemos ouvir!

«Já que esta gente não se entende, temos que fazer um esforço para percebê-los», costuma dizer alguém de quem esqueci o nome.”

*Nota de extrema relevância – toda a minha carreira de estudante foi passada na escola e na universidade pública.

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publicado por bolaseletras às 16:56


9 comentários

De Carlos Azevedo a 12.10.2014 às 21:26

Subscrevo. Também tive o privilégio de ter excelentes professores, sempre no ensino público.
Grande abraço.

De bolaseletras a 14.10.2014 às 18:25

Só tenho dúvidas se essa qualidade, com tanto tempo perdido em manifestações, se manterá hoje...nada tenho contra quem se manifesta, antes pelo contrário, mas já me custa muito assistir a esta versão indiscriminada contra a sua avaliação. Abraço.

De bolaseletras a 14.10.2014 às 18:26

versão=aversão;-)

De Carlos Azevedo a 14.10.2014 às 18:57

Não sei se o processo de avaliação é justo ou não, mas custa-me sobretudo assistir à falta de solidariedade dos professores do quadro para com os professores contratados, comportamento esse que cabe direitinho naquele dito popular muito conhecido: «Pimenta no cu dos outros, para mim, é refresco.» Isso, para mim, define uma parte da classe docente e, sobretudo, os sindicatos do sector.

(se me permites: http://thecatscats.blogspot.co.uk/2014/04/marcacao-de-territorio.html)

De bolaseletras a 14.10.2014 às 22:26

Carlos, subscrevo inteiramente. A propósito do teu comentário e do post que bem relembraste, digo-te apenas que eu, como funcionário público, sou o principal crítico da cristalização das pessoas nos seus lugares, sobretudo quando a isso é indiferente, o seu trabalho, a sua dedicação e o valor que dão ao serviço. Um dos maiores problemas do país é exactamente o manter desse status quo contra toda a lógica da meritocracia. Um abraço.

De Carlos Azevedo a 15.10.2014 às 00:12

Inteiramente de acordo, António. Contudo, deixa-me dizer-te que tenho muitas dúvidas em relação à possibilidade de levar a cabo um processo de avaliação justo num sistema promíscuo como a Administração Pública. Creio que mais depressa serviria para ajustes de contas e, talvez até, para correr com os competentes (sei de casos de gente competente que foi corrida; nada incomoda mais os incompetentes do uma pessoa competente por perto, porque, por comparação, facilita a percepção da sua incompetência). Desculpa-me o pessimismo, mas por vezes tenho a sensação de que o país está tão fodido, mas tão fodido, que já não tem salvação.
Um abraço.

P.S. - Uma pequena história que, apesar de ser ao lado, ajuda a explicar muita coisa sobre o estado do país. Ontem, propósito da cheias em Lisboa, tentei argumentar racionalmente algures, mas não me foi possível. A coisa dividia-se entre os que eram a favor do António Costa e os que eram contra o António Costa. Quem era a favor dizia que já não chovia assim desde que Noé salvou os bichos com a arca, enquanto os outros diziam que só caiu uma chuva miudinha. Ainda assim, expliquei que não deve ser difícil descobrir se os equipamentos de escoamento das águas têm a limpeza e a manutenção em dia; que há várias variáveis a concorrer para a explicação de um fenómeno; e, por fim, que o António Costa é responsável ou parcialmente responsável se não tiver cuidado das variáveis que tem como controlar. Sabes o que me responderam? Ele não pode ser culpado porque não é engenheiro hidráulico (e isto não foi dito por uma pessoa inculta ou sem instrução). Desisti. O nível do debate, quando atinge este ponto, também ajuda a explicar o estado do país.

De Carlos Azevedo a 15.10.2014 às 00:15

Xiiii, que comentário tão longo... Desculpa lá, não me apercebi. :-)

De bolaseletras a 15.10.2014 às 09:38

Carlos, pode ser longo, desde que seja bom, o que é o caso;-). Quanto à questão da avaliação permite-me discordar em parte. Há de facto casos de avaliações politizadas ou ditadas por interesses, mas pelo que conheço da avaliação na Administração Pública, serão casos raros e que vão sendo denunciados. Sou da opinião que um sistema com méritos (mas muito para corrigir, é verdade) não deve soçobrar por existirem situações de más aplicações. Acho mais gravo que quem é muito bom não veja o seu mérito reconhecido, ou que quem é muito mau possa continuar a sê-lo sem correção/recriminação/. No meu caso, em 90% das vezes terei sido bem avaliado. De há uns anos para cá, em que além de ser avaliado também avalio, nunca o fiz por amizades, interesses, etc. É um exercício complexo e desgastante mas necessário. Não percebo porque existe há tantos anos na carreira geral na administração pública e porque não se pode aplicar a quem tem a magna responsabilidade de educar os nossos filhos. Está mal, melhore-se, mas não nos demitamos de recompensar o mérito, sob pena de piorarmos ainda mais o sistema educativo.

Quanto à história que contas, meu amigo, conheço tão bem isso...acho que é por essa razão que cada vez mais evito ter discussões sérias com gente que prezo, temo a desilusão eterna! É por isso que gosto de futebol, procuro gastar todo o facciosismo nesse campo..;-). Grande abraço

De Carlos Azevedo a 15.10.2014 às 09:57

Evidentemente, tens razão.
Grande abraço.

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