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Da passagem do tempo e da vontade de o festejar

Terça-feira, 10.01.17

  

z_party 2.jpg

 

Sempre adorei as festas dos outros. Aniversários, casamentos, despedidas de solteiro, tudo o que envolvesse convívio bravo, aberto e fraterno, com boa comida e melhor bebida. Já no que toca a festejar o meu aniversário com pompa e circunstância já não o faço aí desde os 16 aninhos. Casamentos então nem vê-los, que eu gosto de arroz no cabelo mas é dos outros. Isto a propósito de mais um aniversário que amanhã chega e que conto passar discretamente, sem festividades nem grandes alaridos. Sempre fui dizendo que sou assim porque não gosto de palmadinhas nas costas em demasia nem de ser o centro das atenções. Não será defeito, talvez apenas feitio. Mas os anos passam e o auto-conhecimento das razões que pensávamos bem sabidas aprofunda-se. Será que a idade a avançar piora ainda mais esta má relação que tenho com os meus aniversários, mesmo que inconscientemente? Sim, é possível. Se há 30 anos um aniversário era promessa de mais uns centímetros, se há 25 era esperança de mais liberdade (isso, chegar mais tarde a casa), há 20 já a coisa piava mais fino, pois o peso da responsabilidade já amachucava e me entregava ao mundo. Hoje vejo mais além e, lá à frente, não vejo mais centímetros ou mais liberdade, mas sinto ainda mais o peso da responsabilidade agora que tenho que zelar pelo sono e pelos sonhos dos meus filhos. É mau, isso? Não, é o que é e o que tem que ser, e pode ser encarado com um sorriso nos lábios. Só não me peçam para lançar serpentinas, explodir com garrafas de champanhe e apagar velinhas. O que é demais é demais. Já agora, obrigado aos que me aturam vai para uma data de anos, alguns deles, pobres coitados, fará amanhã 42 anos. Beijos e abraços que amanhã a tasca está fechada, não para luto mas para profunda reflexão (ou para por o sono em dia).

 

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publicado por bolaseletras às 14:47


1 comentário

De Teresa Faria a 11.01.2017 às 07:02

The Galaxy Song

Sempre que a vida a desapontar, Sra. Brown,
e as coisas lhe parecerem duras ou difíceis,
as pessoas forem estúpidas, agressivas ou até imbecis,
e sentir que já sofreu o suficiente...
Lembre-se, apenas, que está num planeta que está a rodar
E a revolver a 900 milhas por hora
E orbitando a 19 milhas por segundo, segundo o que está calculado,
um sol que é a fonte de toda a nossa energia.
O Sol, a senhora e eu, e todas as estrelas que podemos ver
estão a mover-se a milhões de quilómetros por dia
no braço externo da espiral, a sessenta e quatro mil quilómetros por hora,
da galáxia a que chamamos Via Láctea.
A nossa própria galáxia contém cem mil milhões de estrelas.
São cem mil anos-luz de largura,
ela alarga um bocadinho no centro, dezasseis mil anos luz de espessura,
mas, por aqui, tem apenas três mil anos-luz de largura.
Nós estamos a trinta mil anos-luz do ponto central da galáxia,
em torno da qual damos uma volta a cada duzentos milhões de anos.
E a nossa galáxia é somente uma de bilhares de biliões neste impressionante Universo em expansão.
O próprio Universo continua a aumentar e a expandir
em todos os sentidos em que pode ir,
tão rápido quanto possível, à velocidade da luz, já se sabe,
doze milhões e duzentos mil quilómetros por minuto.
Então lembre-se, quando estiver a sentir-se muito pequena e insegura,
quão surpreendentemente improvável é o seu nascimento.

Monty Python, em O Sentido da Vida
(adaptado por Alexandre Aibéo, em 90% do Caro Leitor é feito nas Estrelas)

_____________________

Faz-me alguma confusão que não se celebre a data em que se chegou a esta vida.
Talvez seja preciso já ter perdido umas quantas vidas marcantes, já se ter vencido uns quantos prenúncios de morte (incluindo a própria) para se valorizar a preciosidade de cada uma das (mais de) 7 biliões de estrelas que habitam esta pequena bola a pairar no Espaço.
Ou talvez não, talvez baste ter uma amiga que nos dê um beliscão de vez em quando. ;)

Estamos na idade de ouro!
Naquela em que já temos alguma sabedoria e a maturidade suficiente para apreciar a magia da vida, e em que ainda temos a vitalidade para usufruir deste milagre - que, desculpa, é um pecado ser visto com algo que "tem que ser", mesmo que com um sorriso nos lábios.
Estamos na idade em que os centímetros (para cima ou para os lados) já não contam assim tanto, em que a liberdade não vem de cocktails à beira-mar no Havai, mas dessa coisa extraordinária que é permitirmo-nos ser - pelo menos no aniversário! - o centro da nossa atenção.

Também não faço festas de arromba há muitos anos.
Desde que percebi que elas eram para os convidados, e não para mim.
Agora vou caminhar na praia. Estou com 2 ou 3 pessoas próximas - aquelas com quem quero realmente estar. Não atendo todos os telefonemas - aqueles que não quero realmente atender. Retribuo-os depois, noutro dia, que os outros também merecem a minha atenção.
O meu aniversário é o dia do meu "surpreendentemente improvável" milagre! Raios me partam se não o vou celebrar, e à minha maneira!
No resto do ano faço por me ir lembrando desta Galaxy Song, sempre que a vida teima em fingir-se madrasta, sempre que ela me trata excepcionalmente bem, e... bom, sempre que consigo a lucidez suficiente para me lembrar!

E pronto, hoje celebro a tua vida e o milagre de ter reencontrado, tantos anos depois, em virtude de mais um prenúncio de morte (tudo tem o seu lado positivo), o puto giro da primária, já com dois putos giros debaixo do braço (dois novos milagres com a tua contribuição!!!) e com um blog que me encanta.
Deixo-te uma beijoca de Parabéns e este singelo presente - se os quiseres receber, pois claro, que o dia é teu!

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