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De regresso a Lobo Antunes

Terça-feira, 27.09.16

 

z_lobo.jpg

 

Há cerca de 20 anos andei a bater com a cabeça na parede do estilo brilhante, irritante, inexpugnável, desconcertante e peneirento do António Lobo Antunes. Frustrado por um elaborado requinte que não se encaixava na minha forma de ver a literatura e a vida que Lobo Antunes insistia em encaixar nas suas filigranas de palavras, votei ao degredo a obra desse génio controverso. Há uns dias peguei no "Os cus de Judas", respirei fundo e auto motivei-me para dar uma nova oportunidade a essa minha frustração da velha juventude. Logo nas primeiras páginas percebi o que tanto me irritara há 20 anos e não soubera perceber: Lobo Antunes é infinitamente genial, na forma como tece as palavras e ideias de forma tão perfeita, tão única, tão superior a todos os estilos palavrosos que conhecemos, mas é-o de forma arrebatadora e insistentemente excessiva, que não nos deixa respirar, que não deixa a história que magnificamente descreve evoluir com naturalidade. Toda a grandeza da escrita de Lobo Antunes soaria muito melhor se o autor se distraísse um pouco da sua genialidade, se não dedicasse 90% das páginas a mostrar-nos o quão genial é. Tudo o que é demais enjoa, é bem verdade, o que não invalida a genialidade do escritor. Com tempo e paciência irei em próximos posts polvilhar este espaço com pérolas de "Os cus de Judas", com os diamantes perfeitos e demasiadamente lapidados do mestre Antunes.

 

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publicado por bolaseletras às 11:50


6 comentários

De Teresa a 28.09.2016 às 13:12

Há pessoas/coisas/lugares/momentos assim... os melhores são-no porque demasiado bons... os piores, como é óbvio, porque são demasiado maus.

São pessoas/coisas/lugares/momentos que exigem muito de nós. Tudo. Ou nos convencem a dar, o tal tudo, que temos e somos.


Para qualquer um dos lados.

E aí permanece essa raiva - que sentimos tantas vezes necessidade de revisitar - porque ninguém tem (não deveria ter) o direito de nos levar ao extremo. Porque deveríamos saber dizer sim ou não muito antes de chegar a esse limite. Porque deveríamos ser capazes de nos repescar, de nos salvar...


Mas os Génios não deixam - tudo ou nada. Mas vivem bem com o que lhes deres. É o que os distingue da medianice comum e mortal.


Abraço,
T


Ah, e o que enjoa não é o demais. É esse "bailado" de resistires ao extremo como tentares manter-te erecto num barco que baloiça . Se fores com a corrente não enjoa. Arrebata-te ou derrota-te... enjoar não.

De bolaseletras a 29.09.2016 às 09:51

Olá Teresa,

Que bom ter-te de volta aqui ao blog, a enriquecer estas humildes páginas. Thank you for that!

Os génios podem provocar-nos raiva, inveja, levar-nos ao extremo...mas fazem tanta falta como faz a paz à guerra, o pão para bocas famintas...que venham eles, mesmo que nos falte arcaboiço para absorver tanta genialidade!

Abraço

A.

De Teresa a 29.09.2016 às 13:00

Então não temos? Arcaboiço a uns, Genialidade a outros...
Já viste a quantas perdas (de vida, de graça, degenialidade, de estrelinha) de Génios a que já assistimos? Isso é o garante do nosso arcaboiço

De bolaseletras a 29.09.2016 às 14:57

Que as costas aguentem, até porque enquanto o pau vai e vem folgam as mesmas;-)

De Caroline Silva a 03.10.2016 às 11:16

Na vida, não existe nada a temer, mas a entender

De cheia a 03.10.2016 às 20:35

Os Génios raramente são compreendidos no seu tempo. O instantâneo é para os do supermercado.

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