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Desabafo de coração leonino aberto

Segunda-feira, 07.03.16

  

Leão!!![1].jpg

 

Acreditem, apetece-me tudo menos começar a semana a falar de bola. No entanto, se não disser o que me vai na alma dificilmente extirparei este veneno do meu fluxo sanguíneo. No final do jogo, perante alguma natural tristeza do meu filho Miguel, depois da “boutade” do post infra, expliquei-lhe que isto do ser do Sporting não vai ser fácil, que vamos perder algumas vezes, muitas delas em jogos importantes, mas o importante é perceber que somos do Sporting não porque ganhamos e não só quando ganhamos, mas porque amamos o nosso clube, o que ele representa para nós, os seus valores, a forma de viver o desporto que nos habituamos a ver nele, a viver com ele. O jogo é uma festa, o próximo jogo é visto com esperança, sempre, por mais louca e injustificada que ela seja, porque quem adora o jogo e o clube sorri sempre em busca dos próximos 90 minutos. A minha felicidade é que, já na cama, ele sorriu e disse-me: “Deixa lá pai, ganhamos o próximo”. Divertimo-nos e sofremos nos 90 minutos, gritámos e roemos as unhas, vivemos o jogo juntos e solidários.

Já só, perante os despojos do jogo, pensei um pouco no que acabara de se passar. Porque demorámos 30 minutos para entrar no jogo? Porque não entrámos demolidores? Porquê tantos nervos, tanto receio em ter a bola no pé, tanta ineficiência em passar a bola jogável? Porque é que o William da segunda parte, demolidor e a levar a equipa para a frente, passou a primeira parte retraído e mais preocupado em apoiar os centrais? Não vou fingir que não sei. Sei-o, e saberão aqueles que despirem as vestes leoninas na análise que do jogo fizerem. Porque Jorge Jesus quis a equipa cerebral, sabendo que o empate nos manteria à frente. Porque mudámos a nossa filosofia de jogo, como tantas vezes Jesus fez contra outras equipas fortes, sobretudo contra o Porto dos tempos de Vítor Pereira. Depois, em 60 minutos dominámos o jogo e o Benfica fez o que lhe competia, defender muito e bem, suportado ainda pelo fado que acompanha este clube, tão fielmente representado naquele impossível remate por cima da trave, a um metro da linha de golo, do nosso mago Ruiz.

Jogo perdido, é o raio da vida, há que cumprimentar o adversário e seguir em frente, sem perder a esperança, ansiando por corrigir o mal que foi feito. É isto que eu quero que sejam os valores do meu Sporting (e que na maior parte das vezes são), foi tudo menos isto que Jesus disparou para todos os lados. Aquele discurso pós-jogo de miúdo de 10 anos ressabiado porque perdeu um jogo em que até jogou melhor, e que por esse facto julga que não merecia perder, desprezando e menorizando o Benfica, atirando para as costas da providência e da sorte tão injusto resultado, não é digno do meu clube. Nada nos garantia que íamos vencer o jogo. Nem o nosso melhor futebol, nem a nossa vontade, nada. É também essa a beleza do futebol, a sua imutável incerteza. Não sei se a equipa entrou retraída, nervosa e confusa por causa da táctica de Jesus ou da mensagem por este passada, ou porque aos jogadores simplesmente tremeram as pernas vergadas sob o peso da responsabilidade, sei apenas que isso sucedeu e que sobre tal entrada tremida ouvi zero do meu treinador. Era isso que queria perceber na conferência pós-jogo, não um chorrilho de merdosas infantilidades irritadinhas por ter tido azar em meia dúzia de oportunidades do jogo. Não sei se Jorge Jesus cá estará para o ano, mas se for para manter este nível de discurso, ganhando ou perdendo, espero bem que não esteja. E é isto, minhas amigas e amigos, tinha que deitar cá para fora.

 

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publicado por bolaseletras às 10:53


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