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Do corpo e do espírito

Terça-feira, 11.09.18

 

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Um bom amigo, mais dado aos prazeres dos sentidos do que aos do espírito, pediu-me um dia, a meio de uma batalha de imperiais, para que na sua lápide ficasse escrito o seguinte epitáfio: “Foram mais as que quis dar do que as que dei”. Quando me ri do seu pedido, ele irou-se e fez-me prometer, sobre a espuma derramada de uma mesa cheia de imperiais, que cumpriria o seu último desejo. Ainda hoje não sei o porquê dessa estranha vontade. Talvez rir-se na cara do mundo, talvez uma amargura animalesca que lhe feria a alma e que necessitava de expurgar, talvez um aviso para o mundo, para a felicidade futura dos seus entes queridos que o visitariam no aniversário da sua morte.

 

Eu, que não desprezando os deleites do corpo me apego bastante aos prazeres do espírito, deixaria inscrito na minha lápide: “Foram mais os que quis ler do que os que li”. Com pena minha, será essa uma das tristezas que legarei a esta vida. Leiam isto e pensem nisso. E leiam.

 

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publicado por bolaseletras às 15:13


4 comentários

De Teresa a 12.09.2018 às 10:14

Ui!
Que os Japoneses tenham criado uma palavra para isso não é bom sinal para as pessoas a quem eles aplicam a mesma.
A filosofia deles é não ter/comprar/usar nada (ninguém?!) que não precises verdadeiramente.
É uma ideia minimalista - algo esquisita para nós Ocidentais - mas que conduz a uma liberdade de espírito e corpo que leva à (verdadeira?) felicidade.

Já se notam os sinais dos excessos de ter porque posso ter, porque quero, porque talvez um dia... mas com os anos tende a piorar. Resta a cada um salvar-se adoptando a filosofia da felicidade que melhor lhes servir mas aos poucos repensar todos estes gestos que os farão ir desta vida com a sensação de que tanto ficou por dar ou fazer...

Eu não compro livros que não vou ler. Mesmo que outros venham - por oferta ou por falta de força de vontade - obrigo-me a respeitar a ordem da chegada das "coisas". E a todos darei atenção.
Aqui há uns anos apercebi-me que à saída da Missa de Domingo não terminava UMA conversa; estava a falar com a Raquel e aparecia a Maria João e dizia algo e a minha atenção e conversa "shiftava" ... à saída da escola dos miúdos a mesma coisa; estava a falar com eles, vinha uma mãe, passava uma auxiliar e... SHIFT SHIFT SHIFT. Chegava ao fim do dia e ao avaliar apercebia-me que tudo tinha sido pela ponta da rama. Que não tinhamos concluído (sequer, conduzido) uma conversa ou um pensamento. Aos poucos cortei com isso. Não foi fácil mas depois de passar o difícil foi, é, muito bom. As pessoas sabem que têm toda a minha atenção, cuidado e interesse e por isso respeitam quando estou com alguém. Devo ter "perdido" alguns que não entendiam e acharam que tinha a ver com "nariz empinado" "mania que é boa" mas os que ficaram agradecem e vivem surpreendidos com o efeito. Experimentem!

Se resolverem não o fazer pensem na máxima:

"Uma pessoa deve sair da mesa (e da vida) sempre com um pouco de fome."

Dizem que é saudável

Abraço,
Teresa

De Anónimo a 14.09.2018 às 11:06

"Uma pessoa deve sair da mesa (e da vida) sempre com um pouco de fome."

Belo mantra. Creio que dificuldade é saber viver no fio da navalha, isto é, entre o sair com um pouco de fome, passar fome, ou mesmo empanturrar-se. Mais difícil do que não encher a barriga/vida, é saber quais são os nossos reais limites.

Abraço,

A.

De Anónimo a 12.09.2018 às 15:50

Segundo Dalai Lama: no ano só existem dois dias onde nada poder ser feito. Um chama-se ontem e o outro amanhã. O hoje, é o dia certo para fazer o que nos falta e nos dá prazer e não passar a lamentar-se pelo que não se faz, ficando à margem de nós mesmos. Cada dia é uma só vida e o tempo uma simples travessia. E segundo Mário Quintan “ o passado não reconhece o seu lugar: está sempre presente…
Na minha colocaria “ No comboio da minha vida só entrou e ficou quem teve coragem de permanecer”

Maria

De bolaseletras a 14.09.2018 às 12:31

O Dalai Lama tinha em si demasiada sabedoria para o que conseguimos apreender. Eu diria que o comboio da vida tende a estar sempre prestes ao descarrilamento, as nossas inseguranças, medos e secretos desejos impedem-nos demasiadas vezes de permanecermos sempre na mesma carruagem. Provavelmente, devido a viagens passadas, mas há também a hipótese de a nossa própria natureza nos direcionar para caminhos que não os da felicidade sonhada.

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