Bolas e Letras
Era para ser sobre futebol e livros. Mas há tanto mundo mais, a mente humana dispersa-se perdidamente, o país tem tanto sobre que perorar, eu perco-me de amores bem para lá da bola e das letras: Evas, vinho, amor, amigos, cinema, viagens, eu sei lá!
E a perfeição continua a jogar às escondidas
Há vinte anos atrás o verão perfeito era agitação, movida, silêncio zero, sensações a mil e o corpo sem parar, como se parar fosse mesmo morrer. Hoje, cansado de tanto dançar, cego pelo barulho das luzes e com os joelhos massacrados de carregar crianças pelo areal, sonho com uma praia só minha, quanto muito partilhada com a companhia perfeita, sem jogatanas de bola, mergulhos infindáveis, salvamentos de petizes da borda das ondas que teimam em pregar-lhes rasteiras e enrolá-los naquela mistura de espuma e areia, essa traiçoeira melodia que atrai mais crianças que marinheiros. Ontem como hoje a perfeição ri-se de nós. Deixem-me sonhar.

