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E assim vai o berço da democracia

Quinta-feira, 02.07.15

z_greece.jpg

Provavelmente, serei um dos poucos opinadores da blogosfera que ainda não botou faladura sobre a tragicomédia grega, o referendo que hoje é, que amanhã poderá ser cancelado por quem o propôs ou que poderá, caso os seus proponentes não deem pela milésima vez um tiro no pé, ser invalidado pelas instituições fiscalizadoras da Grécia por ser demasiado complexo para o comum cidadão helénico. Sinceramente, por muito que abomine a rede burocrática e infecta de privilégios em que se tornaram as instituições europeias, estranho muito como há pessoas sérias e intelectualmente desenvoltas que vibram com estes jogos manhosos e pouco honestos da dupla Tsipras-Varoufakis. Esquecendo os não engravatados que são bem piores que muita chusma que aperta o gasganete com o nó da suposta honestidade, diria que o triste disto tudo é que há gente, gente de carne e osso por trás de tantos interesses, teimosia, incompetência e egos infantis mal disfarçados. Há crianças que vêm os pais desesperados, há velhos que não podem ajudar as suas crianças, velhos sem medicamentos, velhos que choram um passado que não lhes deu, afinal, um presente, quanto mais um futuro. Há ainda adultos que se sentem impotentes como crianças e frágeis como velhos. E onde nos leva tudo isto, tanta insanidade e incapacidade em caminhar em direção ao que realmente é importante? Leva-nos à velha e cruel conclusão de que o homem é o lobo de si próprio. Conduz-nos à terrível certeza de que a paz e o bem-estar não são desígnios dos homens e de quem foi por eles escolhido para os representar. Traz-nos aqui, à terra de ninguém, a terra onde as crianças um dia deixarão de sorrir.

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publicado por bolaseletras às 15:47


3 comentários

De Carlos Azevedo a 03.07.2015 às 16:13

António, como já tive oportunidade de escrever, já não sei o que pensar da dita dupla, mas tento justificá-los com o desespero. Quanto aos outros, os da nomenclatura, creio que não se consegue encontrar uma única hipótese de justificação aceitável. E creio que todos deveríamos analisar um pouco melhor o que nos é vendido pela imprensa. Quando nos dizem, por exemplo, que os gregos só podem levantar 60 euros por dia nas caixas multibanco, deveríamos, à semelhança do Cavaco, fazer contas e concluir que falamos de 1800 euros por mês. Quantas famílias em Portugal não vivem com muito menos do que isso? E quando se fala nos velhos gregos, quantos velhos portugueses não vivem na mais abjecta miséria sem que ninguém se preocupe com eles? Não me refiro a ti, como é óbvio, mas o ataque a um governo travestido de preocupação com o povo grego é uma coisa nojenta. Isto sem pretender minimizar o desespero do povo grego, mas esse desespero não é de agora; agora, como é lógico, acentuou-se.
Grande abraço e bom fim-de-semana.

De bolaseletras a 06.07.2015 às 17:21

Carlos,

Muito pouca gente, infelizmente, se preocupa realmente com o povo grego. As críticas e teorias que formulam sobre o Syriza e afins são um mero exercício de retórica, sustentado na exclusiva preocupação com o seu país, os seus benzinhos, a sua conta bancária. Será esse o grande drama, a verdadeira causa da decadência de uma ideia de União, seja ela aqui na europa ou na Conchichina.

De Carlos Azevedo a 07.07.2015 às 14:44

António,
Tens razão, claro. Mas, se vamos aí, dir-te-ei que muito pouca gente se preocupa com os outros (independentemente de os outros serem gregos ou de outra nacionalidade qualquer; aliás, quase nunca se preocupam sequer com quem vive na porta ao lado) -- ponto. .

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