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É Carnaval, ninguém leva a mal

Terça-feira, 04.03.14

 

Toda a estratégia que este governo tem seguido para “racionalizar” (na verdade, a isto chama-se racionar) a função pública é catastrófica. Tudo começou na incapacidade em definir o essencial: escolher/saber o que é que o Estado deve fazer, avaliar depois o que o Estado faz melhor ou pior para que o foco do serviço público incida nas atividades eficazmente desempenhadas. Depois, os cortes ao desbarato, atingindo da mesma forma os bons funcionários e aqueles que tão mau nome dão à função pública. Sempre afirmei que a função pública tem muito para corrigir, muito para reformar, muitas gorduras a eliminar. No entanto, sei bem, como o saberemos todos se formos honestos nessa análise, que no privado subsistem os mesmos ou piores vícios e irracionalidades que na área pública. Hoje, quando deixei os miúdos numa escola quase vazia, em que os restantes miúdos seriam filhos de funcionários públicos sem mais sítio onde os deixar, quando me deparei com estradas e bombas de gasolina desertas, senti pela primeira vez uma raiva surda e uma vontade de fazer como o senhor assessor de imprensa Zeca Mendonça: ter um momento de descontrolo, e depois, plácida e candidamente, pedir desculpas. Não, não era num pobre fotógrafo que iria dar um biqueiro, acreditem que não…

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publicado por bolaseletras às 18:14


4 comentários

De Teresa a 04.03.2014 às 22:01

A estratégia sempre passou um pouco - desde o principío - por "meter" as pessoas umas contra as outras... as pessoas viviam acima das sua capacidades, tinham muitos créditos bla bla bla. A verdade é que os pagavam porque tinham emprego para fazer frente às despesas inerentes.
Depois como começou a chamar muito à atenção títulos do tipo "Já são XXXX milhares de casas onde ambos os conjuges estão desempregados" partiram em busca de outro bode espiatório - o funcionário público.
Na verdade o que pretendiam era pôr as pessoas umas contra as outras apelando aquilo que é tão nosso - a invejinha saloia (sim, como podiam os vizinhos do 3º esqº fazer férias a toda a hora? só pode ser créditos... agora temos todos de pagar!) e a na desarmonia - toda a gente já teve uma chatice qualquer com um funcionário público [uma vez uma colega ligou para mim a pedir que mandasse lá a casa um técnico de jeito... ao que eu respondi, com o mau feitio que me caracteriza "todos os técnicos são de jeito" e ela "ai não digas isso que eu oiça cada história" e eu perguntei se nunca tinha ouvido histórias de um bife mal cortado no talho, ou umas batatas mal fritas no restaurante ou pedires um brushing sem volume e saires com um Afro do cabeleireiro....] por isso era tão fácil "pegar" nestes. Que custam dinheiro e não fazem a ponta. Mas só pessoas desonestas podem aceitar sequer ouvir uma coisa destas e não se revoltar. É que o privado só vive se o público tiver dinheiro para comprar produtos e serviços, certo? E é a esse mesmo público que nós sobregarregamos quando no nosso egoísmo deixamos as coisas para a última; ou quando empatamos o professor durante a reunião de pais sem pensarmos que ainda faltam 27 pais e aquela pessoa ali à frente também tem direito a ir jantar e estar com a família e descansar...
Quando a Pepsi ficou a 50 cêntimos no Pingo Doce - porque simplesmente não vendiam para escoar o stock - eu pensei "se pusessemos esta força - desta ofensa(zinha) - no que vale verdadeiramente a pena..." olha, o António, podia ter ido para o Rio (desculpa, too loong comment)

Hoje quem foi trabalhar foram os palhaços. Os que pensaram que não era feriado e tinhamos de trabalhar. Quando o Estado permite a funcionários seus - como professores - não o fazerem... e como as empresas fazem vista grossa a quem não está.

De bolaseletras a 05.03.2014 às 22:41

Os brancos contra os pretos, o públio contra o privado, ricos contra pobres, dividir para reinar. Talvez o princípio do fim.

De semprescp a 05.03.2014 às 17:45

Senti exactamente o mesmo ontem. Não sou funcionária pública no entanto o patrão decidiu que este ano iriamos 'obedecer' ao Estado e viríamos trabalhar.
Escusado será dizer que a cidade estava deserta (a cidade é pequena o que faz com que não seja necessário muito para ela parecer deserta).
Passei o dia revoltada, a sério, e confesso que tive até uma certa 'vergonha' quando dou por mim sozinha no meio da rua, a chover, de pasta debaixo do braço a trabalhar. irónico, não?

De bolaseletras a 05.03.2014 às 22:41

Vergonha não tive, com a raiva nem me lembrei dela;-)

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