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É tão bom viver em tempos em que a livre expressão é um direito constitucional

Quinta-feira, 15.05.14

 

Ainda quanto ao jogo de ontem, porque anda por aí muita gente muita incomodada com as naturais e saudáveis piadas de quem não é benfiquista e, pelos vistos, se recusa a ser bom pai de família, tenho a declarar que, como é hábito nestas coisas de jogos internacionais de qualquer equipa portuguesa, durante o jogo desejei sincera, mas moderadamente, é evidente, que ganhasse o clube português (note-se, não o clube com mais jogadores portugueses), porque eu acho mesmo que está em causa o nome de Portugal e porque não gosto de ver os meus amigos sofrer, não obstante as suas infelizes escolhas clubísticas. Depois do apito final, epá, gosto de brincar, achincalhar, relembrar gozações passadas contra o meu Sporting do coração e partir para a saudável e alegre gozação. Como não estou com muita paciência para perorar sobre a parvoeira que é a irritação vermelhusca por ser alvo de trocadalhos do carilho e afins sobre mais um belo momento de cabeça a inchar, fica este óptimo texto de um amigo de um amigo sobre o tema:

 

"Aos meus amigos Benfiquistas: vamos a ver se nos entendemos. Deverão encarar com absoluta normalidade que existam pessoas que não são benfiquistas que se sintam... livres para não vos acompanhar no vosso desgosto futebolístico. Tal como vocês foram e são livres para não sentirem as nossas dores, infelicidades e misérias (falo pelos sportinguistas). É que , muito simplesmente, nenhum português adepto de outro clube tinha qualquer obrigação moral de apoiar (ou de fingir que apoiava) o Benfica na Final de ontem. Por muito que não vos entre na cabeça não era Portugal ontem que estava em causa: não jogava a Selecção Nacional, nem sequer jogavam muitos portugueses (havia mais portugueses até a jogar pelo Sevilha, salvo erro). E para efeitos de ranking das equipas portuguesas, importante foi vocês terem chegado à final, sendo irrelevante se a ganharam ou não. Quanto ao patriotismo, vocês fazem parte de Portugal, também valorizam e projectam positivamente o nosso País (algumas vezes), mas Portugal não se subsume ao Benfica. Já não vivemos no tempo da Ditadura em que o vosso Clube era o suporte de um regime e em que tudo aquilo a que os portugueses tinham direito era a cantar uns faditos e ouvir umas cançonetas na rádio, beber uma vinhaça, bater na mulher, ver a RTP, ir a Fátima, e gritar pelo Benfas. Já lá vai o tempo em que "quem não é do Benfica não é bom chefe de família". Houve entretanto um 25 de Abril. E para o pior, ou para o melhor, o Mundo mudou. E o Futebol também.

  

E quem como o vosso básico treinador Jesus andou todo lampeiro a invocar o apoio dos adeptos do Torino contra a Juventus ou do Betis contra o Sevilha não pode vir agora exigir que Sportinguistas ou Portistas chorem com vocês ou tenham de calar o seu humor. Há sportinguistas e portistas estúpidos, insensíveis, e sem piada nenhuma? Com certeza. Mas a sua livre expressão é um direito constitucional. Quanto ao jogo de ontem vocês têm naturalmente razão de queixa: do árbitro sim. Mas sobretudo da vossa qualidade de jogo, e das insuficiências do vosso treinador. Lamento sinceramente que ontem tenham perdido - porque não gosto nada de ver amigos tristes e porque o meu clube em nada seria prejudicado com a vossa vitória. Mas vocês sabem bem que ontem não foi o fim do Mundo - para ninguém. E um conselho: tentem ser mais humildes e magnânimos nas vossas vitórias. E lúcidos: é que vocês podem achar que são gigantes neste país pequeno e submisso ao Poder da incultura e do dinheiro (e vocês têm mais para gastar). Mas lá fora vocês não asfixiam ninguém. Melhorem, trabalhem, projectem-se pela qualidade e mudem de treinador - quer queiram quer não, e por muito engraçado que seja, o Jorge Jesus nunca passará de um grunho incompreensível aos olhos de todos." 

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publicado por bolaseletras às 22:16


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