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Histórias da carochinha

Segunda-feira, 08.10.18

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Há quem grite ao vento e à pessoa amada que é um livro aberto, que o seu passado é nítido como as águas do rio que corre cristalino e sem percalços, como se quisesse convencer-se a si e ao mundo que a vida não é uma vaga descontrolada que continuamente se estilhaça e reconstrói contra as rochas afiadas que ladeiam o ribeiro tortuoso que é o caminho que todos percorremos. Gente perfeita com passados e presentes impolutos são sonhos de gente que não sabe o que é ser gente, como se os milhares de corpos que se cruzam e fugazmente se olham nas alamedas caóticas da cidade fossem carapaças de aço de robots imunes ao erro, à inveja e à paixão. Somos todos potenciais serial killers, Casanovas ou candidatos a vigários, somos o exemplo humano da fidelidade canina ou intrépidos traidores que não resistem ao cheiro da carne fresca. Somos Yin e Yang, força e fraqueza, passividade mórbida e energia destruidora, somos tudo e nada somos, mas todos temos histórias só nossas, pecados inconfessados e sonhos proibidos. O resto são histórias.

 

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publicado por bolaseletras às 09:44


4 comentários

De Pedro Nogueira a 08.10.2018 às 19:32

Passo por aqui diariamente mas hoje pensei que a história da carochinha viesse de Portimão, mas às tantas, é melhor assim.
Também prefiro as babes ao futebol, até porque no nosso Sporting vai de mal a pior.
Abraço e Saudações Leoninas

De bolaseletras a 12.10.2018 às 15:54

Fiquemo-nos pelo "what really matters", Pedro...

Bom fim de semana, saudações leoninas!

De Teresa a 10.10.2018 às 10:36

Nada mais assustador do que um "livro aberto" (eternamente aberto quer dizer que não é folheado, consumido, apreciado... isso e as mariquices que os livros não se podem estragar, não podes fazer orelhinhas, não se pode... se eu passar por esta vida sem sinais dela vivi verdadeiramente?! )

Nada mais assustador do que a pessoa que diz que não tem segredos (bolas, morreu (em vida) há quanto tempo?!).

A cada momento fecho o livro, a cada momento guardo um segredo. Os segredos são segredos porque não se partilham.

Ao partilhar deixa de ser segredo... right?

Um dos melhores Padres com quem convivi ("trataram-no" logo afastando-o porque demasiada gente a abrir e questionar livros e segredos são perigosas para a "forma" que se pretende alinhar os semelhantes ) costumava dizer que "ao dizeres que tens um segredo, metade do segredo está revelado. Deixa de ser segredo, para ser outra coisa diferente e com outro nome"

Adoro este poema e vem mesmo a propósito (ou não who cares?!) sobre o que pretendo explicar em cima:


The Three Oddest Words
When I pronounce the word Future,
the first syllable already belongs to the past.

When I pronounce the word Silence,
I destroy it.

When I pronounce the word Nothing,
I make something no non-being can hold.

Wislawa Szymborska


É uma Saramago Polaca com mais pontuação mas que ganhou o Prémio Nobel mesmo com pontuação. Não há receitas perfeitas de Yin and Yang. Há Vida. Vivamo-la. E deixemos VIVER

De bolaseletras a 12.10.2018 às 16:04

O poema diz tudo...belíssimo!

Bom fim de semana!

A.

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