Bolas e Letras
Era para ser sobre futebol e livros. Mas há tanto mundo mais, a mente humana dispersa-se perdidamente, o país tem tanto sobre que perorar, eu perco-me de amores bem para lá da bola e das letras: Evas, vinho, amor, amigos, cinema, viagens, eu sei lá!
Moçoilas avantajadas, salada de frutas e um gostinho especial pela galhofa
Nos últimos tempos tem crescido vertiginosamente a percentagem de notícias sobre os males da nação que leio na diagonal, para não me amofinar demasiadamente. O problema não são tanto as notícias em si mas o que elas mostram do nosso Portugal e, sobretudo, as não consequências que as mesmas comportam e o tiroteio que se lhes segue com o objectivo de desviar a atenção de tudo o que deveria ser essencial sobre essas mesmas notícias. Se uma jovem cidadã vai à Assembleia de República e difunde, através do sempre presente Professor Marcelo, a surpresa e indignação por perceber que na casa da democracia imperam os telefonemas durante as supostamente dignas sessões, bem acompanhados de atentas visualizações de jovens avantajadas por terras do facebook, o que se segue é uma discussão séria sobre o que andam os nossos parlamentares a fazer pela Assembleia? Não, nada disso, o destaque vai todo para a resposta de um Senhor deputado que prefere colocar em dúvida a veracidade do que viu a rapariga, aproveitando para beliscar o Professor Marcelo por, aparentemente, não apreciar jovens avantajadas.
No mesmo sentido, depois de uma entrevista daquele que recentemente foi eleito o melhor árbitro a nível mundial, Pedro Proença, na qual criticou fortemente o actual estado da arbitragem portuguesa bem como os dirigentes responsáveis pela manutenção e não alteração desse status quo, a preocupação dos media e dos intervenientes do futebol português não foi esmiuçar as críticas tecidas no sentido de perceber o que está mal e poderá ser mudado, mas sim, seguindo um bom hábito lusitano, focar a atenção no fait divers, desta vez personificado numa suposta nomeação do árbitro em causa, em jeito de castigo a petiz insurrecto, para um jogo de benjamins da Associação de Futebol de Lisboa. Focamo-nos nos pormenores para fugir ao essencial, porque temos preguiça de ir ao fundo das questões ou simplesmente porque gostamos é da galhofa? Não querendo fugir ao essencial da questão e simpatizando até um pouco com esta realidade que critico (galhofa, gosto muito de galhofa), enquanto não encontramos a resposta para este e para tantos males da nação lanço o repto: e que tal colocarmos árbitros a controlar os excessos de proliferação legislativa parlamentar? E que tal colocarmos moças avantajadas a acalmar os humores dos nossos trauliteiros do mundo da bola e dos senhores do apito? Epá, espera lá, parece-me que a malta lá do norte já tratou disso, a salada de frutas de moças avantajadas já acalmou muito boa gente do apitódremo nacional. Siga a banda!

