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Não há bem que sempre dure, não há mal que nunca acabe

Sexta-feira, 22.08.14

 

Custa ver a felicidade transbordar-lhes dos pequenos e eléctricos corpinhos, as novidades invadirem-lhes a cabeça e extravasarem das meninges em gargalhadas descontroladas e saber que mais dia menos dia este paraíso de sensações vai terminar, que a rotina regressa, que as preocupações em educá-los para as coisas sérias da vida imperará face a estas memórias de pura felicidade. Porque há-de ser mais importante aprender a preencher com canetas e lápis de cor os espaços vazios de figuras que não cheiram a mar e a areia? Porque é que contar até 100 é mais valorizado que chutar 100 vezes aquela bola pejada de grãos de areia e de sal? Será que aprender a picotar é mais importante do que partir pela milésima vez aquela casca de caracol seco ao sol, olhar embevecido para as cascas esmigalhadas que deixaram de ser a casinha do caracol que já dormia nas estrelinhas? Porque é que o caminho teima em apartar-se do que os faz sorrir e sentir o coração cheio? Quando é que inverteremos tudo isto e interromperemos as férias durante umas semanas para trabalhar um bocadinho?

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publicado por bolaseletras às 13:32


2 comentários

De Teresa a 23.08.2014 às 13:17

Não é. Não é mais importante a escola teórica do que a escola prática. E o inverso também é verdade.

Claro que num mundo ideal nós não teríamos crescido e tornado n'os pais. Aí poderia ser uma eterna infância - tu um Beach Bum pelos Orientes, Ocidentes e onde o vento te levasse... e eu seria... espera, acho que o que sou o que quis sempre ser.

O "problema" é que os miúdos terão herdado do Pai não só o formato da cabeça mas aquele instinto de que um dia, só eu para mim e em mim, não serei suficiente. E aí há que enfrentar a vida. E a vida batalha-se ombro a ombro. Com os da teórica. E a maior parte deles SÓ tiveram a teórica. Grande parte só agora começa a ter acesso à vida prática e é esquisito ver rapazolas de 30 e tal anos a comportarem-se como gente de 4 anos com desenvolvimento social de 2

O que podes então fazer para perpetuar neles a traquinice e a liberdade - essencial - que tens e de que gostas? Gostando mais deles do que do mundo. Esse mundo que te vai dizer - over and over - que eles não conseguem tão bem, não fazem tão rápido... E confiar que entre a paródia, genética e tudo o resto eles se tornarão seres de um valor que nunca pensaste teriam quando olhavas para essa cara distraída de "quem está na Lua" (ou no Sol que se põe).

Vai correr bem. Calma. Vai-te custar mais "voltar" à vida real do que a eles... a Patrícia vai trazer umas coisas bué foleiras na cabeça (não te preocupes, são tererés) e o Martim foi um sortudo foi operado à garganta e só comeu gelados durante uma semana - e com essa facilidade, emocional e prática, voltam ao seu outro mundo. O pior és tu. A tua Patrícia traz tererés mas não lhe podes nem dizer bom dia sem levar com o acusador "só se estivesse de férias" e o teu Martim "f*** um pé a correr atrás dos putos na praia, ra*** p****"

De bolaseletras a 23.08.2014 às 23:26

"O que podes então fazer para perpetuar neles a traquinice e a liberdade - essencial - que tens e de que gostas? Gostando mais deles do que do mundo."

Melhor conselho seria impossível, Teresa, obrigado;-).

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