Bolas e Letras
Era para ser sobre futebol e livros. Mas há tanto mundo mais, a mente humana dispersa-se perdidamente, o país tem tanto sobre que perorar, eu perco-me de amores bem para lá da bola e das letras: Evas, vinho, amor, amigos, cinema, viagens, eu sei lá!
Não há bem que sempre dure, não há mal que nunca acabe
Custa ver a felicidade transbordar-lhes dos pequenos e eléctricos corpinhos, as novidades invadirem-lhes a cabeça e extravasarem das meninges em gargalhadas descontroladas e saber que mais dia menos dia este paraíso de sensações vai terminar, que a rotina regressa, que as preocupações em educá-los para as coisas sérias da vida imperará face a estas memórias de pura felicidade. Porque há-de ser mais importante aprender a preencher com canetas e lápis de cor os espaços vazios de figuras que não cheiram a mar e a areia? Porque é que contar até 100 é mais valorizado que chutar 100 vezes aquela bola pejada de grãos de areia e de sal? Será que aprender a picotar é mais importante do que partir pela milésima vez aquela casca de caracol seco ao sol, olhar embevecido para as cascas esmigalhadas que deixaram de ser a casinha do caracol que já dormia nas estrelinhas? Porque é que o caminho teima em apartar-se do que os faz sorrir e sentir o coração cheio? Quando é que inverteremos tudo isto e interromperemos as férias durante umas semanas para trabalhar um bocadinho?

