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O jogo

Sábado, 28.11.15

  

aquele momento em que pensámos que ela já não s

 

Houve um momento, único e interminável, em que ele pensou que não mais ela se voltaria para um derradeiro olhar. Acreditou que não mais veria o medo da paixão refletido nos seus olhos de gata, desesperou por sentir que o amor fenecera para sempre. Foi então que percebeu que também ele tinha medo, que também o brilho dos seus olhos era mais medo do que outra coisa. Só quando entranhou o medo de a perder percebeu que o amor é um jogo cruel entre o querer ter e o temor da perda. Soubera gerir na perfeição os medos dela. O jogo desenrolara-se na estreita linha que separa o desespero do querer da queda no buraco negro da privação. Tanta energia gastou na gestão do tabuleiro que se esqueceu que todo o jogo tem um fim, que no jogo do amor não há finais empatados. Evitou sempre o xeque-mate porque o amor que por ela sentia era tão forte como o prazer que o jogo lhe dava. Na vida, como no jogo, quem não mata arrisca-se a morrer.

 

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publicado por bolaseletras às 22:22


2 comentários

De Maria a 02.12.2015 às 18:01

“Sorte no jogo
azar no amor
de que me serve
sorte no amor
se o amor é um jogo
e o jogo não é meu forte,
meu amor?”
De Paulo Leminski


Nota: O sofrimento mudo remói incessantemente o coração e termina por abatê-lo.
Maria

De bolaseletras a 03.12.2015 às 10:19

Já o Miguel Esteves Cardoso o dizia e até punha em título de livro: "O amor é fodido".

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