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O Mestre em olhar devagar

Sexta-feira, 03.04.15

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Falar postumamente de Manoel de Oliveira é, mais do que chover no molhado, desviar toda uma imensidão de afluentes para um rio de frases feitas e elogios demasiadas vezes oportunistas e hipócritas. Não querendo armar aos cucos, não consigo dizer o que não penso, não conseguindo assim escapar ao facto de raramente não ter sentido um forte tédio com os filmes do mestre. Acho que se os seus filmes fossem livros seriam excelentes, mas utilizar a arte em movimento para o elogio da contemplação reflexiva é demais para o meu talvez pouco apurado sentido de arte. Isto mesmo quando falamos das mais belas paisagens do mundo, as do Douro. A excelência do Mestre Oliveira está para mim na sua infinita fome de vida, na persistência em fazer sempre e só o que amava, contra todos aqueles que como eu não o acompanhavam na sofisticação da sua arte. Não deve ter havido um dia que o Mestre não acordasse com sede de representar a beleza do mundo e dos homens, naquele seu jeito único, minuciosamente pensado, na lentidão da câmara que eram os seus olhos.

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publicado por bolaseletras às 18:11


3 comentários

De Teresa Faria a 04.04.2015 às 08:59

Não podia concordar mais contigo, caríssimo.
Também eu nunca fui fã da arte deste grande senhor (não sei o que isso diz de mim, se é que diz alguma coisa) mas, não sentindo qualquer afinidade pelo artista, sinto uma profunda admiração pelo homem, pela mestria com que sempre viveu a sua vida. Isso sim, acho absolutamente inspirador e merecedor de todos os óscares, se os houvesse, para "Melhor Realizador de Sonhos", "Melhor Performance da Vida Real".
Boa Páscoa!

De bolaseletras a 04.04.2015 às 13:19

Precisamos de inspiração como de pão para a boca, nos dias que correm, caríssima Teresa, só por isso já valeu a vida do Mestre. Uma feliz e inspirada Páscoa para ti!

De Teresa a 07.04.2015 às 16:44

Há algo - imenso e emocional - que separa o Realizador de um Actor por exemplo.

No Actor o que "sai", é trabalhado, ad extremis tantas vezes, e isso faz-nos admirar, gabar, elogiar o "esforço". Que não conseguiríamos. Talvez...

No realizador todo esse esforço acaba por nos passar mais despercebido; ou apercebido mas numa visão menos sentimental se quisermos. É bom, mau, aborrecido, excitante, desinteressante, fascinante... mas, parece, "simplesmente" estar lá.

Todos reconhecemos os filmes, as cenas - os cenários, os takes, a visão - de um Manoel de Oliveira, de um Scorsese, de um Coppola (este a brilhar numa segunda geração) como "bolas, isto é ______ puro" mas de alguma forma não como mérito do homem mas da arte.


Em Portugal o problema é que o homem viveu imenso tempo e de alguma forma quererão que tu sintas admiração também por isso. Como se a durabilidade do homem tornasse a obra mais espectacular e o homem (quase) sobrenatural.

Quando tive twitter havia um utilizador (Gonçalo Vale, será?) a quem achava um piadão porque quando acontecia algo com alguém - imagina, um jogador dá uma biqueirada a outro e o assunto anda de boca em boca - ele publicava um tweet a dizer "Manoel de Oliveira tinha 40 e tal anos (não sei, estou a lançar um nº) quando nasceu Miguel Veloso" . Achava esses tweets um must de homenagem. Tudo parecia posterior ao homem. Como se tudo tivesse começado com ele e só após dele. Quer-me parecer que isso é homenagem bem mais simpática do que todos os tontos a declamar "cenas" para saber o que dizer de alguém cuja obra não compreenderam ou não gostaram em vida do Artista.

Quer-me parecer que alguém que "aguentou" tanto merecia mais consideração . Mas para seres bom, morre ou desaparece - já diz o povo . Agora entra uma nova dimensão tonta que é arriscares ir parar ao Panteão

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