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O Mestre em olhar devagar

Sexta-feira, 03.04.15

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Falar postumamente de Manoel de Oliveira é, mais do que chover no molhado, desviar toda uma imensidão de afluentes para um rio de frases feitas e elogios demasiadas vezes oportunistas e hipócritas. Não querendo armar aos cucos, não consigo dizer o que não penso, não conseguindo assim escapar ao facto de raramente não ter sentido um forte tédio com os filmes do mestre. Acho que se os seus filmes fossem livros seriam excelentes, mas utilizar a arte em movimento para o elogio da contemplação reflexiva é demais para o meu talvez pouco apurado sentido de arte. Isto mesmo quando falamos das mais belas paisagens do mundo, as do Douro. A excelência do Mestre Oliveira está para mim na sua infinita fome de vida, na persistência em fazer sempre e só o que amava, contra todos aqueles que como eu não o acompanhavam na sofisticação da sua arte. Não deve ter havido um dia que o Mestre não acordasse com sede de representar a beleza do mundo e dos homens, naquele seu jeito único, minuciosamente pensado, na lentidão da câmara que eram os seus olhos.

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publicado por bolaseletras às 18:11


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