Bolas e Letras
Era para ser sobre futebol e livros. Mas há tanto mundo mais, a mente humana dispersa-se perdidamente, o país tem tanto sobre que perorar, eu perco-me de amores bem para lá da bola e das letras: Evas, vinho, amor, amigos, cinema, viagens, eu sei lá!
O poder curativo da escrita num mundo a enlouquecer
Tanta merda que se escreve pelos blogs, facebook, twitter e o diabo a sete e só um tema deveria merecer a nossa preocupação até à exaustão, só uma realidade deveria interessar-nos e mexer connosco até à medula da nossa indignação. Matam-se crianças em guerras estúpidas, justas ou injustas, eu quero lá saber, estão-se a matar crianças em Israel, na faixa de Gaza, na Ucrânia, na Síria, em todos os sítios onde há gente que tem filhos mas que parece não se importar em matar os filhos dos outros ou de pôr os seus próprios em perigo. Já não basta as crianças que morrem porque lhes falta comida, água, medicamentos e tanta outra coisa que aqueles que as deveriam proteger não conseguem garantir-lhes, ainda temos uma matilha de filhos da puta que se entretêm a fazer valer a sua suposta razão enquanto matam crianças, como se estas fossem meros danos colaterais pequeninos, pequeninos como são os seus braços estilhaçados, as suas pernas mutiladas e os seus dedos que jamais voltarão a mexer. Sinto um vazio enorme que me deixa a garganta seca enquanto escrevo isto, sinto que nada mais deveria escrever enquanto não estancar esta gangrena de ódio e de cegueira colectiva.
Acho que é também por isso que escrevo, para não enlouquecer num mundo de incessantes loucuras sem justificação. Matar crianças não pode nunca ser justificável. Escrever escrever escrever esquecer esquecer esquecer.

