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O que falta nas nossas ruas

Segunda-feira, 20.01.14

 

Alguns episódios recentes puseram-me a pensar se a sociedade em geral, o meu grupo de amigos em particular e eu próprio em particularíssima pessoa, temos andado preocupados com questões que realmente nos deveriam preocupar ou se, por algum inexplicável desvio cognitivo ou mesmo derivado de perturbações emocionais provocadas pelas variações climatéricas, os toca e foge da troika e do Tribunal Constitucional, andamos a resvalar pelas bermas da pormenorização excessiva e dos detalhes insignificantoperipatéticos (epá, bonita palavra, o Saramago morreria de inveja se não tivesse já entregue a alma ao criador). Vejo discursos inflamados sobre regras de etiqueta não cumpridas escrupulosamente mas não avisto ao largo da costa risos tonitruantes e contagiantes. Vejo críticas ferozes aos comportamentos de quem nos é próximo, maioritariamente pelo facto dessas malévolas condutas não casarem na perfeição com aquilo que achamos ser a inapelável perfeição mas, em torno disso, vislumbro apenas um deserto de abraços, beijos, xi-corações, uma ausência completa de prometedores roçagares de saia. Falta ver gente feliz nas ruas, falta sentir que quem por aí anda se está nas tintas para o que de si pensam porque a absorção com que a felicidade os sufoca não dá espaço a nada mais. Falta beijar mais e rir mais e apertar a gravata da etiqueta até ao ponto do não retorno e meter os pormenores naquela gaveta do sótão que jamais se abrirá por ter soçobrado sob o peso das teias de aranha. Vejam lá isso.

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publicado por bolaseletras às 18:12


2 comentários

De Teresa Faria a 21.01.2014 às 01:20

É bem verdade, caríssimo: algo nos fez perder a bola da qual supostamente nunca devíamos retirar os olhos!
Há que fazer zoom out, to get the bigger picture, e só depois então voltar a fazer zoom in, com o foco onde realmente interessa, e deixar fora do enquadramento os pormenorzinhos com os quais andamos a gastar tanto tempo. (Adorei a palavra! O Saramago não sei, mas eu estou verde de inveja da genialidade! )

Fica uma sugestão de alguém que até costuma andar feliz na rua: e se em vez de colocarmos o foco no desfoco da sociedade, observássemos melhor onde andamos nós, cada um de nós, a gastar o nosso tempo... Quando foi a última vez que contagiei com o meu riso? Que importância dou ao julgamento alheio? Quando foi a última vez que espalhei abraços só porque sim, e beijei só porque tive vontade? O que me impede de o fazer????

‎''Ontem eu era inteligente, então eu queria mudar o mundo. Hoje eu sou sábio, então eu estou mudando a mim mesmo. " ( Rumi)

De bolaseletras a 21.01.2014 às 09:41

Olá Teresa, obrigado pelo inspirador comentário. De facto, devíamos olhar mais para nós e focarmo-nos mais na nossa felicidade ou na falta dela. Creio que muitas vezes preferimos observar e avaliar a dos outros exactamente para não termos de olhar para nós. Fica a óptima sugestão, estou certo que não cairá em saco roto;-). Boa semana!

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