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Obrigado Miguel!

Segunda-feira, 25.01.16

  

miguel-esteves-cardoso-mec[1].jpg

 

Tenho uma admiração ancestral e irracional pelo Miguel Esteves Cardoso. Ancestral porque comecei a ler a sério com o que ele escrevia pelo “Independente”, crónicas, e até alguns livros. Irracional porque o Miguel me irrita profundamente, pois por mais genialidade que encontre em alguns dos seus textos (e nos últimos tempos o seu génio revela-se na simplicidade do que escreve e nos oferece) nunca deixo de pensar que o Miguel podia ir ainda mais longe, mais fundo, dar-nos mais, dar-nos ainda mais diferente e mais brilhante, revelar-nos o que raros pensadores conseguem – colocar-nos diante dos olhos e no cerne do nosso ser pensante aquilo que realmente nos abana e mexe connosco. Neste texto de há uns dias, o Miguel, procurando oferecer um miminho às suas duas filhas aniversariantes, explica-nos sem nos explicar, em poucas palavras, o mistério maravilhoso que é ser pai e o mistério não menos maravilhoso, mas envolto em dualidades que insistimos em esquecer (porque agora somos sobretudo pais) do que é ser filho. Obrigado Miguel, desta vez chegaste lá, com uma simplicidade desarmante, sem rodriguinhos nem palavras a mais.

 

“Desde o dia em que nasceram amo incondicionalmente a Sara e a Tristana que hoje fazem anos.

Simplifica-se muito quando se diz que se amam os filhos mal se olha para eles. Assim o mérito parece todo dos pais: são eles que amam mesmo quando os bebés, oportunistas, apenas têm uma vaga ideia que precisam dos pais.

A verdade é muito mais bonita. A verdade é que os pais amam os filhos porque se apaixonam por eles porque os filhos fazem-se amar, tornando-se irresistíveis.

Os filhos desapaixonam-se dos pais. No princípio os pais são as únicas pessoas no mundo; depois são, brevemente, as melhores. Segue-se uma lenta desilusão que, com a adolescência, dói como um barrete de um bebé enfiado à força na cabeça de um vil guerrilheiro de treze anos.

Depois, se nos portarmos bem e tivermos sorte, lá se reconciliam a amar-nos, muito teoricamente, com muitos protestos e poucas demonstrações.

Já os pais, à medida que vão conhecendo as pessoas que são os filhos, tanto se podem apaixonar como desapaixonar-se. Depende dos filhos. A verdade da vida, quase nunca dita, é esta: a culpa é dos filhos.

Eu sou muito mais pai da Sara e da Tristana do que elas são minhas filhas. Não é tanto o substantivo como o pronome. E amo-as muito mais do que elas me amam - mas só porque é impossível amá-las menos. Pelas pessoas que são. Cada vez mais me apaixonam mais.

Embora elas também sejam - é preciso dizê-lo - as melhores filhas que algum pai de merda já teve.”

 

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publicado por bolaseletras às 10:52


2 comentários

De Teresa a 25.01.2016 às 15:44

Como estás sem paciência para "unnecessary conversations" vou só dizer que tenho com o Miguel o mesmo tipo de relação. Mas não por achar que ele podia ir mais longe ou mais fundo - entrei naquela etapa da vida que não coloco metas - porque acho que foi, e vai, onde quis e quer

Quanto a ser Pai não posso opinar porque nunca fui. Sou Mãe e esse é um Universo - apesar de tentarem sempre fazem o pendant "Os Pais" - diferente. Único. Como todo o Pai. Todo o Filho. Todo o Ser.

É bonito ser-se amado como o Miguel ama. Em qualquer dos papéis que te "calhem" na vida...



Opps, acabei alongando-me - NÃO LEIAS!


<3 U
Teresa

De bolaseletras a 25.01.2016 às 23:07

Teresa, não estavas em nenhuma alínea daquele post, pelo que podes alongar-te sempre que quiseres, é um prazer. O Miguel sabe amar e escrever sobre o amor...e às vezes faz tanta falta falar bem sobre o amor, e ler também;-).

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