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"Os cus de Judas" - no Jardim Zoológico da magia das palavras

Quarta-feira, 02.11.16

 

z_cus.png

 

Começa assim “Os cus de Judas” de António Lobo Antunes, numa reminiscência das sensações da infância/juventude (?) de tempos passados no velhinho Jardim Zoológico de Lisboa. Os sons não eram os que esperávamos de animais mas os de vozes de gaze e sílabas de algodão, os pescoços da girafa não eram compridos como escadas mas sim a altiva e inatingível solidão de esparguete da girafa. Lobo Antunes é único, observa e reflecte com um filtro de beleza e um nível de detalhe que dificilmente alcançaremos. Lê-lo hoje é percebê-lo como não consegui fazer há uns anos atrás, é ter os sentidos mais apurados porque a vida já me ensinou outras nuances sobre a beleza e a fealdade, sobre a riqueza da linguagem e sobre a essencialidade de nunca considerar que uma palavra foi escrita a mais, pois se alguém achou que ela devia existir é porque algo provocou essa sensação, essa necessidade de a plasmar no papel, na vida.

 

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publicado por bolaseletras às 10:35


4 comentários

De Pedro Nogueira a 02.11.2016 às 13:09

Que bem me lembro ainda desse professor de patinagem (Francisco Xavier Araújo) com quem também ainda tive o previlégio de aprender alguma coisa de patinagem e desse Jardim Zoológico de outros tempos.

Realmente, quando se sabe, diz-se muito com poucas palavras.

De bolaseletras a 02.11.2016 às 14:18

O mundo é pequeno, Carlos...eu de patinagem percebo pouco e de Lobo Antunes começo agora a regressar a ele e descobrir o valor que tantas vezes não lhe consegui dar. A maturidade não é só rugas e carnes moles, como alguém disse;-)

De Teresa a 03.11.2016 às 09:37

Eu acho que entende melhor Lobo Antunes quem passeia como vida e não como algo a sobreviver.
E quem vive cada um dos recantos com a observação nata de quem ama. A Terra e as terras.
Domingos de manhã no Jardim Zoológico eram mesmo isso. A girafa éramos nós antes de chegar a maralha de depois de almoço . O que se passava no ringue era algo que para muitos (mim) só mesmo observando através da tal gaze.
Só quem ia ao domingo de manhã parava para assistir a esse espectáculo de diáfanas virgens e o Mestre Negro enquanto bebia no que mais tarde seriam, ou não, as artes de recnhecimento e sedução do, e no, outro. De outros.

Maravilhoso Mundo o Nosso, Pedro (so I keep telling you )!

(e) António!!!

No dia em que morreu o irmão alguém (vários porque esta gente não se consola em ler e beber palavras têm de as atirar para o espaço e dizer que leram e, de alguma forma, estragando - as manhãs de domingo e as palavras de mestres) publicou no twitter uma crónica que o ALA escrevera sobre o irmão. E sobre ele. Nessa altura relembrei uma polémica tonta de uns dias antes em que uma Maria Leal teria falado que gostava de ler António Lobo Antunes. Uma pessoa que se deixe envolver, abraçar, pela escrita dele pode (deve!) entender que mesmo a pessoa mais iletrada quer e gosta do mesmo.
Mesmo quando não se gosta ou não apetece voltamos sempre a esse abraço. E um dia rendemo-nos (hopefully).

Abraço,

Teresa

De bolaseletras a 04.11.2016 às 10:14

Os melhores mundos são os mais simples porque são esses que deixam as marcas mais profundas. Precisamos de ser marcados e é isso que se torna irresistível em Lobo Antunes, a forma como ele eterniza essas marcas em páginas e páginas de novas e intricadas de tornar ainda mais belo o que é simples. Não sei se isto faz muito sentido mas à primeira vista o esparguete de girafa também poderia não fazer...

Bom fim de semana!

A.

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