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Quanto tempo mais?

Quinta-feira, 17.09.20

    

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Quando deixamos de poder respirar em liberdade pouco há mais em que pensar do que essa ausência de liberdade. A máscara que nos autoimpusemos é a medida da nossa mente, como se o horizonte para lá do bafo quente e claustrofóbico que incessantemente respiramos tivesse perdido a sua dimensão de sonho. As conversas começam e terminam no vírus, nas saudades de um modo de vida recente que sempre tomámos por garantido, no “foda-se, esqueci-me da máscara”, na raiva por não podermos visitar sem máscara e mil cuidados os nossos pais, por separarmos os filhos dos seus velhos amigos - as avós e os avós - em nome da saúde, da longevidade que, por este caminho, deixará de fazer tanto sentido assim. Entretanto, enquanto nos protegemos deste maldito vírus, que poupa os novos e mata os velhos, deixamos que mais gente morra de outras doenças, porque tiveram medo de procurar os habituais cuidados médicos a que recorriam para evitar e combater os outros milhares de doenças, porque os próprios cuidadores e serviços de saúde estiveram focados no vírus que enche os écrans dia e noite, o vírus que é a bitola do sucesso de políticos em constante frenesim para mostrarem ao mundo que não darão tréguas à disseminação do bicho, é o maldito e minúsculo vírus que decidirá quem liderará o mundo outrora livre.

Nas escolas os miúdos riem e brincam dentro de uma nova realidade, porque são plasticina que a tudo se adapta, mas sentem a artificialidade dos recreios, sofrem com o calor da máscara na sala de aula, perdem capacidades de aprendizagem porque os óculos embaciam, porque não estão para pedir a palavra e falar em esforço, porque os professores se enredam na dificuldade de passar a mensagem, porque tudo aquilo vai contra a sua natureza, contra a nossa natureza. A natureza que teimamos em negligenciar ameaça engolir-nos neste medo invisível. Quanto tempo demorará a salvífica vacina? Quantos mais vírus surgirão depois dessa suposta salvação? Quanto mais tempo levaremos a tirar a máscara que nos impede de ver que a causa de tudo isto somos nós?

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publicado por bolaseletras às 11:48


7 comentários

De Paula Veiga Claro a 18.09.2020 às 10:11

Tão verdade! Subscrevo cada palavra.

De bolaseletras a 20.09.2020 às 08:09

Sintonia;-)

De Andreia Reis a 18.09.2020 às 10:26

Obrigada por estas palavras. Dá-me autorização para partilhar?

De bolaseletras a 20.09.2020 às 08:06

Claro que sim;-)

De Teresa a 18.09.2020 às 12:12

Só eu (ou andei tão distraída que perdi o memo a alertar que passava a ser assim) acho que de repente (ou não) passou a existir (imperar!) uma desresponsabilização do ser? Do Eu?

Tudo é culpa de outrém - da forma como pensamos, como sentimos, como agimos... já se notava na última década a uma certa infantilização do ser, a passo com uma maior e agressiva consciência do mal que está sempre tão próximo, tão bem escondido ou dissimulado. Mas agora é a desresponbilização que teme, evita, não assume o que assumiste E BEM nas 6 últimas palavras do post.

BRAVO! CHAPEAU!

Precisávamos MESMO disto para perceber que a estupidez cansa?

(tens de ir ao Instagram do Pers Morgan ver o que ele publicou sobre as máscaras hoje )

De bolaseletras a 20.09.2020 às 08:09

Exatamente Teresa! Se critico o processo constante de eterna infantilização fas crianças (ai coitadinho, ajuda-o a vestir, a comer, a limpar o rabinho...) nis adultos isso torna-se um sinal inequívoco da total desresponsabilização. O que virá por aí não é bonito...

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