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Reflexões pré-natalícias

Sábado, 12.12.15

  

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A maldade que infesta o coração dos homens, a ignorância, a perfeita incapacidade de nos colocarmos na posição dos outros, de pelo menos fingirmos que sentimos um milésimo do sofrimento que demasiadas vezes impomos aos nossos inimigos, amigos, colegas, familiares, companheiros e companheiros. O Natal a chegar e nada muda, casmurros como ontem, as costumeiras bestas que sempre fomos desde tempos imemoriais, como se a barbárie medieval tivesse sido ontem e ainda hoje se perpetuasse numa sociedade cada dia que passa mais e mais selvagem. Se para alguma coisa serve o Natal, que não seja só para produzir sorrisos embrulhados em papel colorido, que não seja só mais um dia de hino ao consumismo desenfreado que nos conduz, como se os bens materiais ocupassem o topo da torre cristal do sentido da vida, como se os valores que partilhamos, inspiramos e com os quais educamos os nossos filhos tivessem como desiderato final a concretização de um nível de vida que nos permita saciar essa fome insaciável, pois os bens nunca acabam, o último modelo de hoje é já passado face ao gadget de amanhã. Se para alguma coisa serve o Natal que seja para pensarmos se é essa avidez por ter, por usar, por possuir, por experimentar, por vestir, se é essa voracidade palpável e cega aos prazeres do espírito que nos faz realmente felizes. Não está em causa descobrir o caminho da felicidade. O primeiro passo, parecendo o mais simples, é sempre o mais difícil. O primeiro passo é, neste Natal, olharmos para nós, para o que somos, para o que fazemos todos os dias, consecutiva e repetidamente, e conseguirmos perceber se este nosso caminho é, no mínimo, aceitável para nós. Outros passos se seguirão para ir além do aceitável, mas o caminho faz-se caminhando.

 

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publicado por bolaseletras às 09:58


2 comentários

De Teresa a 14.12.2015 às 16:04

Pois eu acho que reinventarmo-nos, ou reinventar o Mundo, em datas específicas é um stress acrescentado . (e desnecessário) A evitar!
Porque essas datas trazem já tanto - ou tão pouco - que ainda marcar como linha de partida (ou de chegada) para algo ou alguém torna a data mais pequena do que merece ou maior do que deveria.

Cada coisa em seu sítio e a seu tempo.

Começar dieta a 1 de Janeiro não lembra a ninguém a menos que masoquista. Esse é dia de feliz modorra. Em que deveríamos trabalhar e não precisamos de fazer puto todo o santo dia. Ou porque nos apetece ou porque o corpo não responde a mais estímulos. Negar-se o prazer do frisson das festas - prendas, visitas ao Pai Natal, almoços e jantares de Natal com todos os grupos que nos sustentam e aturam durante um ano - para começar a ser poupadinho e dar o "verdadeiro" valor ao Natal faz-nos parecer uns verdadeiros animais. Pior. Faz-nos sentir animais sem alma e de corpo atarrecado. A Família Sempre. Se assim escolhermos, o Menino Sempre. As Prendas sempre que possível e aí pode ir do tal abraço que vale mais do que aquela Mala Prada que merecia o lugar do Plutão nos Planetas . O Natal pode - DEVE! - ser para possuir. Tudo. Como não voltarás a poder durante o resto do ano. Não peses nem meças nada nesta altura. Há tempo - muito, tanto tempo - mais à frente

Fazer resets em datas que nem são nossas - se virmos bem - é um disparate. 360 e tal dias para nos reinventarmos. E que nem são Feriado . Desperdícios só servem para os World Lideres que têm de inventar um dia no ano para salvar o planeta. De preferência desde algum dos sítios mais posh, exclusivos e caros available. Eu pela minha parte apago as luzes sempre que faz sentido, estaciono o carro, planto flores e apanho o lixo para lá do meu quintal sem esperar que outrém o faça.

Todos os dias Jesus nasce. Na maior parte dos dias à hora de almoço já sinto uma Sexta-Feira Santa e à noite acredito em Aleluias

God Bless! Mas olha que o Natal não serve mesmo para mais nada - excepto para (e por) o Natal. Acredita em mim que já levo mais tempo disto.

Abraço,
T

De bolaseletras a 16.12.2015 às 11:55

Tendo a concordar, Teresa, haverá épocas mais oportunas para reflexão e introspecção. Ainda assim, pode ser que alguém, inclusive eu, aproveitemos a deixa, não custa tentar;-).

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