Bolas e Letras
Era para ser sobre futebol e livros. Mas há tanto mundo mais, a mente humana dispersa-se perdidamente, o país tem tanto sobre que perorar, eu perco-me de amores bem para lá da bola e das letras: Evas, vinho, amor, amigos, cinema, viagens, eu sei lá!
Revista de imprensa - O passado, o presente e o futuro de um país no fio da navalha
“Sempre foi claro que a rotação do regime começaria pela economia mas não era evidente como ela chegaria à política. Na economia, a falência generalizada trazida pelo sobreendividamento público e privado rebentaria – e só Sócrates insistia que não, enquanto lançava obras, rosnando a quem o questionava e dando braço a bancos (CGD, BCP e BES) dominados ou domados. Três anos e meio depois do grande estoiro, estamos a fechar o ciclo das “desnacionalizações” – falta a TAP e pouco mais. O poder económico saiu do casco empresas/bancos/Governo e passou para um entre abstrato chamado investidor estrangeiro. É ele que manda – veja-se a PT, estropiada por compradores que a querem vender.
(…) Em 2010, os números 1 e 2 dos ´Mais Poderosos` eram Salgado e Sócrates. Um faliu, o outro está preso preventivamente – ambos são arguidos. É preciso dizer mais para mostrar o colapso?
(…) É através do sistema de justiça que se está a fazer a passagem da economia para a política nesta queda do sistema que devemos desejar se ela significar o fim da corrupção alargada que esmagou meio país, drenando impostos em favor de privilegiados. O poderoso Sócrates e o endinheirado Salgado estão hoje irremediavelmente condenados a defenderem-se. Profissionalmente, estão acabados. E o país está excitado na esperança de que tanta escandaleira leve à regeneração quando é agora que tudo pode degenerar. O sistema já não pode implodir – está a explodir. Será a força das instituições (judiciais e políticas) sobre quem as quer manipular que determinará se seremos um país aniquilado ou um país mais livre. Sócrates tem razão, ´este processo só agora começou´.”
Lido no “Expresso”, pela pena de Pedro Santos Guerreiro, provavelmente o melhor jornalista/cronista português da actualidade.

