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Sentemo-nos e falemos de nós

Sexta-feira, 11.05.18

 

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Creio que olhares e mentes mais atentas já terão reparado que este blog tem-se afastado, cada vez mais, dos assuntos do dia a dia da nação, das alegrias e euforias (ah, o turismo, ah a Eurovisão, que excitação, que orgulho) e das misérias profundas de um país que tarda em sentar-se numa qualquer cadeira que o obrigue a parar, a olhar para si mesmo, com vontade real de se conhecer, de colocar o dedo bem fundo na podridão das suas feridas tumorosas e, quem sabe, talvez um dia, começar esse longo e doloroso processo de quimioterapia grupal que, como em tudo, começa em cada um de nós para podermos aspirar a um tratamento da sociedade em si mesma. São muitos os nossos males? Minhas queridas amigas, meus caros amigos, falamos de um país onde cada vez que levantamos uma pedra descobrimos um bastião do nosso tecido económico ou empresarial corruptor, um representante da nação corrompido (isto, mesmo com uma comunicação social grandemente controlada ou amordaçada pelos poderes fácticos), um país que revela, ano após ano, uma incapacidade revoltante de proteger a sua alma, a matéria de que é feito, a sua terra, as suas árvores, as suas florestas e aqueles que habitam no seu interior. Um país que ama o futebol e que o entregou a salafrários, a medíocres que apenas buscam promoção ou protecção sob a enorme cúpula branqueadora dessa paixão. Falamos de um país que empurra para fora os seus melhores, para países que não amam como o seu, o nosso, por falta de organização, de visão, de vontade de fazer melhor e propiciar o melhor aos melhores para assim chegar mais longe. Falamos de um país à espera do verdadeiro 25 de abril, aquele que lhe trará a verdadeira liberdade: a liberdade de criar e crescer sem grilhetas, sem barreiras burocráticas, sem o peso asfixiante de impostos que alimentam um monstro que já só come porque nada mais sabe fazer. Falamos de um país maravilhoso – porque raio não conseguimos estar à altura dele? Vejam lá isso, minha gente.

 

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publicado por bolaseletras às 10:36


4 comentários

De Pedro Nogueira a 11.05.2018 às 13:51

“Há, na parte mais ocidental da Ibéria, um povo muito estranho: não se governa nem se deixa governar.” General Galba, Séc III a.C

De bolaseletras a 11.05.2018 às 14:05

Essa Galba não era parvo nenhum, Pedro...

SL!

De Teresa a 11.05.2018 às 16:49

"Adoramos a perfeição, porque não a podemos ter;
repugna-la-íamos, se a tivéssemos.
O perfeito é desumano, porque o humano é imperfeito.“
Bernardo Soares


Assim sendo, e à boleia de um dos Fernando Pessoa (porque ao contrário do Pedro irrita-me imenso que estrangeiros mandem bitaites sobre os nossos e o que é nosso, ainda mais se vem do despeito porque na tentativa de (nos) governar não nos conseguiram derrotar. Se é para haver ditador pelo menos que seja, e foi, um dos "nossos") não acho que seja uma questão de sentar e falar. É o que é (e não não é fatalismo; é clarividência). E pensar que o nosso País, as nossas gentes deveria ser perfeitos à imagem do que cada um de nós acha que perfeito é... torna-nos desumanos, esquisitos e, muito, perigosos.


Nunca se chegaria a um consenso. Porque em que é (e porquê) que o teu ideal é mais perfeito do que o meu?! E podem não ser o mesmo. Não devem ser. Não podem ser...


Claro que todos ambicionamos/queremos/sonhamos com políticos de serviço, desporto com qualidade desportiva e humana, vizinhos que respeitam os (nossos) limites e fronteiras, que vivam sob o nosso bom gosto, mulheres perfeitas, homens cavalheiros, crianças bem educadas, escolas perfeitas, hospitais au point..... etc etc etc mas queres mesmo viver assim?! Sem nunca poderes "avariar"?!


Ou vejo muita televisão ou tens de ver Wayward Pines. 1 season basta para te mostrar que não queres o que queres.


Pequenos ajustes? Concordo. Mas nem é preciso sentarmo-nos a debater nada. Senso comum, solidariedade, humanidade em cada cabecinha e já poderíamos fazer um brilharete, poderoso ao ponto de ressuscitar Viriato


„Não sou nada. Nunca serei nada. Não posso querer ser nada. À parte isso, tenho em mim todos os sonhos do mundo.“ Fernando Pessoa

Abraço,
Teresa

De bolaseletras a 13.05.2018 às 09:32

Olá Teresa,

Valeu a pena um post azedo para voltar a ler-te;-). Espero que estejas bem.

Andei eu a gastar tantas palavras quando resumiste tudo tão bem: "Senso comum, solidariedade, humanidade em cada cabecinha e já poderíamos fazer um brilharete". Se é preciso parar e sentarmo-nos para lá chegar não sei...mas no meio desta correria não me parece que consigamos. Abraço!

A.

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