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Sinais

Segunda-feira, 02.11.15

  

Jean-Philippe Charbonnier ,Lovers,Paris 1950s.jpg

   Jean-Philippe Charbonnier, "Lovers", Paris 1950s 

 

Não basta um amor e uma cabana mas também não são precisos palácios para passear o amor. Vem isto a propósito do bom e velho ditado “casa onde não há pão toda a gente ralha e ninguém tem razão”. Sim, anda por aí muito boa gente que insiste em desgastar a relação porque a tão propalada crise mingou ainda mais as migalhas que sobravam da refeição, pelo que sem dinheirinho o sorriso esmorece, que é como quem diz “sem mãozinhas não se fazem bolinhos” ou “sem moedinhas não há cá pão para malucos”. Sou rapaz para compreender que um casal, uma família, dois pombinhos a começarem a vida em comum discutam porque o dinheiro falta, porque há opções a ser feitas, cortes com que avançar, luxos ou hábitos a meter na gaveta (não esquecer de esconder a chave, malditas tentações). O problema não é tanto da falta de dinheiro, permitam-me dizer, mas sim de nos termos habituado a viver com comodidades com que já não sabemos não viver (Internet, pacotes de séries e filmes, carripana renovada de poucos em poucos anos, roupinha da moda, móveis de bom design, restaurantes, brunchs, lanchinhos na esplanada, etc. e tal). Depois, há outro problema em paralelo: o que antes era uma aliança para combater os problemas em equipa e um ombro para apoio, é agora visto como fonte de divergências e interesses contraditórios. A família, esse núcleo duro que enfrentava tempestades com um sorriso nos lábios, treme agora ao mais mínimo sopro do lobo mau, como se mais não fosse que um frágil casebre de palha. Não foram os tempos que mudaram, foi a têmpera e a fibra das pessoas e, consequentemente, dos núcleos familiares, que definhou. Devíamos passar a dizer menos “sinais dos tempos” e a perceber que estes são mais “sinais das pessoas”.

 

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publicado por bolaseletras às 13:49


2 comentários

De Teresa a 03.11.2015 às 11:05

As pessoas são as dos tempos.

E as deste tempo cresceram tendo tudo - ou quase tudo - de mão beijada. Até quem menos tem é subsídios que eram impensáveis há 20 anos, já reparaste?!

E como tudo foi facilitado o crescimento foi dificultado. Permanecem, se quiseres, crianças. O que faz que quando algo falta haja birra, amuo e "não gosto de ti".

Se no tempo dos nossos (?) Pais (que idade têm os teus? serão bem mais novos do que os meus... vou então referir-me ao meu conhecimento do que aconteceu no "tempo" dos meus) aos 12 anos já poderias ter de enfrentar o mercado de trabalho, as relações laborais, o teres de deixar a família - pela cidade ou o mundo - para poderes singrar; agora aos 12 anos pensas se o miúdo já terá maturidade para ter facebook e talvez um telemóvel melhorzinho. Sonhas até em dar a viagem de sonho que inclui (ainda) bonecos e fantasia. Tudo muito bom e eu sou toda por dar o que e quando se tem. Mas não é menos certo que muitos dos que "aqui" chegaram não tiveram coragem de dizer "não há" ou "não dá" no momento em que deixou de haver e de dar para dar. Quando de repente a verdade se abate é tarde e bem mais doloroso. Porque o espírito não foi preparado para... e o corpo não entende porque nao.

Mas olha que, curiosamente, os divórcios e separações decairam. Sim, estamos chateados e com fome mas ainda temos fé. Uns nos outros e na vida. Se na China já podem dar mais uma, imagina como vai ser quando isto melhorar por cá ahahahahahahahahah


Ah e as zangas, choros e amuos são bons. Fazem bem. Acho, até, que nos chateamos pouco... o silêncio de "como vou sair desta situação??" sozinhos e sem explodir leva pessoas à 25 de Abril a uma sexta-feira à tarde .


Abraço,
Teresa

De bolaseletras a 03.11.2015 às 17:47

É uma preocupante realidade, Teresa...se há 50 anos se vivia com tantas dificuldades que os miúdos enrijeceram a enfrentá-las, ironicamente, hoje, que conseguimos ultrapassar necessidades básicas, conseguimos também com isso gerar miúdos e graúdos moles e pouco lutadores. Não é caso para irmos todos a correr, sexta à tarde, para a ponte, mas devíamos reflectir muito sobre como andamos a educar...Ah, e olha, hoje há menos divórcios porque as pessoas não têm para onde ir...e se calhar também porque hoje há tão menos casamentos que quem se separa nem precisa de se divorciar;-).

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